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Futebol nacional

20 lances explicados que explicam o FC Porto - Benfica (e um elogio inesperado)

O treinador Blessing Lumueno reúne duas dezenas de momentos do clássico de sábado para explicar o que cada uma das equipas tentou fazer num jogo intenso que terminou com o triunfo encarnado. E deixou elogios a Ferro e a Brahimi, os melhores futebolistas em campo no Dragão

Blessing Lumueno

Carlos Rodrigues

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1. Má decisão de Samaris que coloca a bola nos pés de Telles que remata para uma defesa segura de Vlachodimos, mas que se tivesse tido o devido acompanhamento dos avançados do Porto poderiam ter ficado com a sobra e criado uma situação mais perigosa.

2. Grimaldo ultrapassa Oliver, que o tentava pressionar e inicia dessa forma uma incursão interior. Combina com João Felix e falha a recepção já dentro da área, perdendo dessa forma a possibilidade de finalizar, assistir Seferovic ao segundo poste ou Pizzi com um passe atrasado.

3. Oliver recebe a bola de um lançamento e com a recepção consegue ultrapassar João Félix, e depois Gabriel, orientado o jogo para o corredor central. Varia o centro de jogo para Telles, que depois de conduzir uns metros procura Marega na profundidade. O passe e a receção não foram perfeitos, mas ainda assim Marega conseguiu, apesar da contenção próxima de Ferro, fazer um cruzamento rasteiro que não teve finalização pela acção de Rúben Dias a estorvar Adrián.

4. Ferro mata no peito uma bola que sobra e faz um passe para Seferovic, na tentativa de aproveitar o posicionamento alto da linha do Porto. O lance não teve finalização porque o avançado não esperava o passe, e tinha os apoios orientados para a bola, tendo assim perdido tempo na rotação para ganhar o lance; e também porque Casillas lê bem o lance e sai da área para cortar a bola.

5. Em contra-ataque, Rafa conduz pelo corredor central, em direcção ao lado esquerdo, mas solta o passe antes de fixar um dos três elementos que compunham a linha defensiva naquele momento. Quando Pizzi recebe a bola, tem que enfrentar a oposição de Manafá, e perde pela decisão de Rafa a possibilidade de uma situação de finalização dentro da área.

Carlos Rodrigues

6. Rubén Dias entrega para Rafa, que, pressionado por Oliver, decide mal e permite a recuperação. A bola fica com Brahimi que de imediato ataca o espaço interior em condução, passa por Samaris, e é travado em falta pelo ímpeto de Rúben Dias a poucos centímetros da área. Deste livre nasce o golo de Adrián. O erro do Rafa, a impetuosidade do Rúben Dias, a sorte no ressalto e o posicionamento de Pepe ditaram o primeiro golo do jogo.

7. De um péssimo alívio de Pepe resulta um duelo ganho por Grimaldo a Corona; no seguimento, Felipe, ainda dentro da área, tenta cortar o lance de primeira mas encolhe-se com receio de fazer penálti depois de ter percebido que Pizzi se tinha antecipado e tocado primeiro na bola. Pizzi falhou a finalização à entrada da pequena área.

8. Depois de uma defesa na área em que tira a bola de Pizzi, que aparecia isolado, Casillas coloca a bola em Adrián que a perde pressionado por Gabriel. Manafá ainda fica com a sobra, mas Gabriel continuou a pressionar e permitiu dessa forma que Seferovic ficasse com a bola, impondo-se no duelo com o lateral. Seferovic faz o passe no tempo certo (Pepe recua para fechar as costas de Felipe e a baliza) apanhando o luso-brasileiro em contra-movimento. João Félix recebe e faz o golo do empate. Foi estranha a decisão de Casillas que poderia ter optado por um passe para os centrais, assim como foi estranho o posicionamento de Felipe, mas sobretudo de Pepe, quando o seu guarda-redes procurava a quem entregar a bola.

9. Oliver solicita Marega, em profundidade, num movimento habitual da equipa de Sérgio Conceição. A bola entra nas costas de Ferro, e, num primeiro momento, Marega parece ter vantagem porque Rúben Dias se desequilibrou. O avançado opta por procurar por outra solução que não partir para o “um contra um” com o central e descobre Brahimi à entrada da área que remata contra André Almeida num movimento bem coordenado dos três defesas do Benfica que estavam no lance.

10. De uma recuperação de bola que fica na posse do Samaris, há uma distância enorme entre a linha média e a linha defensiva do Porto. Félix recebe a bola no grande círculo e não há um jogador do Porto dentro dele – os médios estavam à frente e os defesas atrás. O avançado não percebe a vantagem espacial que tem e toca de primeira para Pizzi que, mesmo pressionado por Alex Telles, consegue remediar o erro da decisão do Félix ao descobrir Seferovic que remata já dentro da área para uma defesa sem grande grau de dificuldade para Casillas.

Gualter Fatia

11. Na segunda parte os primeiros sinais do Porto foram de querer um jogo mais pausado, e das trocas de passe que fizeram nasce a possibilidade de, depois de uma incursão interior de Adrián e combinação com Brahimi, Corona finalizar já dentro da área. O extremo fica com a bola depois da má recepção de Brahimi, consegue bater Rúben Dias mas esbarra na oposição de Gabriel que corta o lance.

12. O Benfica, que como o Porto, não foi neste jogo uma equipa de ataque posicional acaba por conseguir chegar ao segundo golo na sequência de um lance deste tipo. No entanto, também o faz por força de a bola ter sobrado para Rafa depois de Felipe ter cortado um passe de Grimaldo que procurava por João Félix que se desmarcava dentro da área nas costas da defesa do Porto. Rafa entrega para Pizzi que, no meio de três defesas, consegue encontrar tempo e espaço para devolver o passe, e foi assim que o segundo golo do Benfica apareceu. O posicionamento de Telles a dividir o espaço entre Pepe e Seferovic, em vez de juntar e concentrar junto da baliza, e a fraca reacção de Manafá, que se limitou a observar o lance de perto, são outros factores de relevo no desfecho deste lance.

13.De Oliver para Brahimi. Foi assim das poucas vezes que o Porto conseguiu circular a bola, pelo chão, de um corredor para o outro, que surge a incursão interior do extremo do Porto, onde Pizzi é mal batido por não orientar a contenção para defender a baliza, e o remate com tempo e espaço apesar de ainda fora da área que passou perto da trave.

14. De um lance em ataque posicional aparece, também, Otávio (que tinha entrado há poucos minutos) a descobrir Manafá com um passe pelo chão. Marega estava na posição certa para com o seu movimento atrair Grimaldo, e a falta de pressão do Benfica resultou na descoberta do espaço livre por parte do médio criativo do Porto. O pouco rigor com que Rafa fecha o espaço central, não diminuindo a distância para os outros médios, fez com que Manafá tivesse condições para fazer um passe atrasado para Herrera que não conseguiu finalizar na zona de penalti por Samaris ter aparecido e cortado o lance quando médio do Porto já tinha armado o remate.

15. Na segunda vaga de uma bola parada, Manafá joga directo para Felipe que vence o duelo entregando a bola para Telles, que, no corredor esquerdo, vai até a linha de fundo e cruza. A bola é ganha por Marega que não consegue finalizar nas melhores condições possíveis pela presença de Grimaldo bem posicionado a controlar o cruzamento.

16. Depois de uma série de duelos, Ferro alivia e a bola vai parar aos pés de João Félix. Este procura tabelar com Rafa para ultrapassar Manafá, mas Rafa não respeita a desmarcação doo avançado e roda, enganando os defesas e colocando-se em posição de rematar. Remata para fora quando Oliver já surgia, depois de ter feito um sprint, para fechar o espaço central que Herrera deixou descoberto.

Carlos Rodrigues

17. À expulsão de Gabriel, Sérgio Conceição responde com a saída de Oliver e a entrada de Danilo. O treinador procurava com isso ter sempre dois jogadores em largura (Telles e Manafá) perto da última linha do Benfica para carregar nos cruzamentos, com mais presença na área e mais jogadores a chegar para uma segunda bola. Num lance em que a bola vem do corredor para a cobertura, Otavio cruza para Marega, que não consegue cabecear em boas condições, novamente pela presença de Grimaldo, mas a bola acaba por sobrar para Brahimi que não consegue que a sua finalização chegue à baliza pela rápida acção de Ferro a sair na bola. Este é o exemplo do tipo de lances que o treinador do Porto procurava, com a mexida que efectuou, que, mesmo não tendo aproveitamento do cruzamento para finalizar, poderia ter a fortuna de uma segunda bola sobrar para um dos seus médios que estavam agora em maior número nessa zona.

18. Vlachodimos avalia mal o lance e deixa a bola sair cedendo um canto ao Porto. Na sequência desse canto Felipe cabeceia à trave, depois de se ter imposto no duelo com Rúben Dias.

19. Já Bruno Lage tinha colocado Corchia por Rafa, para formar uma linha de cinco homens na defesa, ficando com três no meio campo e um na frente; quando Brahimi conduziu o lance, fixou três jogadores do Benfica e soltou Telles para o cruzamento. O Porto volta a não conseguir finalizar o cruzamento, mas pela superioridade numérica e espacial que tinha conseguiu que a bola ficasse com Manafá. Passe atrasado para Herrera e cruzamento que Otavio vindo de trás consegue finalizar, mas vai por cima.

20. Anteriormente Vlachodimos tinha permitido ao Porto o pontapé de canto onde Felipe atirou à trave; minutos depois, o defesa central fez uma incursão atacando o espaço por a equipa do Benfica estar muito recuada e remata de fora da área para uma grande defesa do guarda-redes do Benfica.

E, em jeito de conclusão

Gualter Fatia

As grandes exibições individuais são de Ferro, do lado do Benfica, e Brahimi, do lado do Porto. O central estreante em jogos deste tipo conseguiu sair por cima do seu colega de sector que esteve demasiadas vezes mal posicionado e em diversas situações comprometeu o comportamento colectivo da linha defensiva; além disso, conseguiu mostrar-se a um nível superior aos centrais adversários.

Não deixa de ser curioso: o central com o perfil físico mais discreto, o menos impetuoso e o menos reconhecido pelas qualidades que se atribuem normalmente aos centrais como fundamentais para o seu sucesso (como, por exemplo, a agressividade), num jogo desta natureza com tantos duelos e tantas situações para se impor o físico, tenha ainda assim sido o melhor.

Brahimi só não foi mais porque o modelo de jogo não lhe permite de forma consistente aparecer em situações de vantagem, ou de proximidade para combinar com os colegas; mas, dentro do que lhe foi possível, foi o elemento portista que melhor conseguiu desmontar a organização defensiva do Benfica.

  • E, então, o arcanjo Gabriel anunciou a fábula dos miúdos do Seixal
    Futebol nacional

    O Benfica deu uma dupla cambalhota, no marcador e no campeonato, ao bater o FC Porto no Dragão por 2-1 e assumindo a liderança na 24.ª jornada (os golos foram de Adrián, João Félix e Rafa). Bruno Lage somou a nona vitória consecutiva na Liga no lugar onde é mais difícil e Sérgio Conceição perdeu pela segunda vez com o Benfica em 2018-19. Ferro e Dias aguentaram o embate com os poderosos Marega e Soares, e Gabriel, cada vez mais um dos jogadores-fétiche desta equipa de Lage, foi um dos melhores até à expulsão após um empurrão desnecessário em Otávio