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Chicotadas psicológicas são remédio de curta duração. Mas há exceções à regra: Bruno Lage é uma delas

Estudo da Universidade Europeia avança que a troca de treinador durante a época resulta nos primeiros três jogos, mas perde efeito após nove jornadas. Numa época em que já tombaram oito técnicos na Liga NOS, Bruno Lage e Lito Vidigal são as exceções à regra da cura de curta duração, tendo o Benfica e Boavista somado o dobro dos golos marcados depois do adeus a Rui Vitória e Jorge Simão

Isabel Paulo

NurPhoto

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A ideia de que as chicotadas psicológicas são o grande remédio para quebrar o enguiço da falta de rendimento das equipas é desmistificada num estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia, divulgado esta segunda-feira, que analisou os efeitos da mudança de treinadores no decurso da competição ao longo desde a época 2016/17. A principal conclusão da análise não abona a favor dos dirigentes que optam por rasgar contratos dos treinadores para inverter os resultados negativos das equipas e calar os adeptos, já que a retoma de motivação (e pontos) costuma verificar-se apenas nos primeiros três jogos após a troca no banco, sobretudo devido a uma diminuição do número médio de golos sofridos.

De acordo com os estudos, os novos técnicos no curto prazo conseguem fazer quase o dobro dos pontos por jogo do que os seus antecessores nas últimas três partidas, mas o toque de Midas tende a desvanecer-se a longo prazo, não existindo diferenças significativas entre o antes e o depois após nove jogos. No imediato, o estudo conclui que a maior alteração no rendimento de uma equipa revela-se na consistência e eficácia defensiva, sem impacto, em geral, nos remates à baliza ou relativamente à posse de bola.

Numa época em que até à 18ª jornada quase metade das equipas da Liga NOS já despediu o treinador principal, Sporting, Setúbal e Feirense pioraram após a saída de José Peseiro, Lito Vidigal e Nuno Manta Santos, registando um decréscimo da média de pontos por jogo. Até ver, dois meses após a saída de Rui Vitória, o treinador revelação Bruno Lage teima em contrariar a máxima que 'para pior já basta assim', com melhorias em todos os campos - quase o dobro de golos marcados, menos sofridos e mais pontos somados. E o moral das tropas em crescendo, ainda mais após a vitória arrancada frente ao campeão nacional, sábado, no Dragão, que levou o Benfica ao topo da tabela classificativa.

Benéfica tem-se revelado ainda a troca de Jorge Simão por Lito Vidigal - que saltou do banco do Setúbal para o do Boavista, a 26 de janeiro, com ganhos de pontos, golos marcados e sofridos, à semelhança do que acontece ainda no Desportivo das Aves e Chaves. No Marítimo, a substituição de Cláudio Braga por Petit há pouco mais de três meses não aqueceu nem arrefeceu, seguindo em 15º lugar da tabela classificativa, a um ponto da linha de água, à frente do Tondela, Chaves e Feirense.

Tabela do estudo da Universidade Europeia

Tabela do estudo da Universidade Europeia

Quanto à análise das condições que antecipam o despedimento precoce, os investigadores avançam que, em termos de pontos, no quinto jogo que antecede a rescisão existe uma diminuição de 29% nos pontos por jogo, sendo que este indicador não ultrapassa os 1.0 até ao despedimento. Quatro jogos antes do despedimento identificou-se um aumento de 21% do número de golos sofridos por partida, sendo que este indicador não baixa dos 1.7 até à rescisão. No penúltimo jogo antes da chicotada existe uma quebra de cerca de 30% nos golos marcados, sendo que se mantém inferior a 1.0 até ao despedimento.

Já em relação ao número de remates por jogo não há uma alteração à medida que se vai aproximando o momento da rutura, demonstrando-se que a equipa não passa a rematar menos, mas torna-se menos eficaz. No caso da posse de bola, o estudo também não verificou alterações à medida que se vai aproximando o momento da despedida.