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Léo Jardim é bom, mas é bom que chegue para o Sporting? “Já é melhor do que o Renan”

Conversámos com Gonçalo Xavier, autor do projeto 'A Última Barreira', especializado na análise aos guarda-redes, para revelar quem é o homem da baliza do Rio Ave que pode estar a caminho de Alvalade

Hugo Tavares da Silva

Gualter Fatia/Getty Images

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Esta história tem barbas no futebol: o azar de um é a sorte de outro. Quando Giorgi Makaridze se lesionou, Léo Jardim teve a sua oportunidade no Rio Ave. O guarda-redes brasileiro formado no Grêmio, de 24 anos, é agora dado como potencial reforço do Sporting, confirmando o viveiro de Vila do Conde, que recentemente viu sair Oblak e Ederson para o Benfica.

Mas quem é, afinal, Léo Jardim? “É alguém que ainda se está a conhecer”, começa a dizer à Tribuna Expresso Gonçalo Xavier, treinador de guarda-redes e autor do projeto ‘A Última Barreira’. “É competitivo, gosta de ser desafiado. Se calhar ainda não vimos um Léo mais completo porque o contexto não lhe exige tal. Com José Gomes, naquela vertigem toda, destacava-se mais e tomava muitas decisões, boas e más. Com Daniel Ramos, recuou no terreno e, nas tarefas de campo, está com melhores decisões, porque, lá está, tem menos decisões a tomar num jogo. Antes parecia mais louco e agora mais racional. No meio estará a virtude.”

Gualter Fatia/Getty Images

Em entrevista ao site do clube, em setembro, o guarda-redes natural de Ribeirão Preto, São Paulo, falou da adaptação ao futebol português. “Eu estava no Grêmio há seis anos, estava habituado a um tipo de treino. Agora, na Europa, é uma realidade e cultura completamente diferentes. Muda tudo. Agora, o guarda-redes joga muito com os pés. Vejo esse crescimento como essencial e importante para a minha carreira.”

No capítulo do jogo de pés, atributo que parece ser imprescindível nos dias que correm, Léo está bem servido, segundo Gonçalo Xavier. “Tem uns pés fantásticos, de distribuição fácil. Por vezes, é tão fácil que deixa o excesso de confiança toldar o movimento e técnica. Quando está sóbrio, mentalmente falando, consegue ser alguém superestável em movimentos ofensivos e defensivos.”

E mais? “Tem grande agilidade, tem uma morfologia alta e leve. Sai com facilidade no 1x1 e responde a remates da mesma maneira. Tem problemas na tomada de decisão ainda, quando deve esperar ou ir, de controlo emocional e no jogo aéreo (simplesmente não vai, remetendo-se à baliza para defender). O corpo está sempre equilibrado, com boas orientações de apoios, tal como posicionamento inicial. Tem tudo de base para ser ótimo, com os devidos estímulos e enquadramento de equipa que lhe peça mais tarefas ofensivas que defensivas”.

O adversário

O rival nesta equação imaginária é Renan Ribeiro, o atual titular da baliza dos ‘leões’, que também chegou do Brasil. “Já é melhor do que o Renan e vai ser melhor pela idade, formação e pelo estímulos que está a ter com 23 anos, algo que Renan não teve. Enquanto um joga num bom nível, outro foi suplente do [Rogério] Ceni durante anos a fio. Renan tem uma boa base de formação, mas nunca conseguiu mostrar isso e evoluir em concordância, porque estava na sombra de um dos melhores de sempre. Renan é menos completo, ao nível das decisões principalmente, por causa de clube e contexto, mas também porque há o problema da comparação muito intensa com o antecessor [Rui Patrício]. Prefere decisões de menor risco do que se expor.”

MIGUEL RIOPA/GETTY IMAGES

E Léo Jardim está na “idade esponja”, vivendo já o ambiente de alta competição. “É um ativo mais atrativo, à partida, do que Renan. Boa escola, bom valor e está num clube que há pouco tempo mostrou ao mundo Oblak e Ederson. A aposta no mercado interno é sinal de conforto e de não serem corridos riscos de ir buscar fora alguém que não se adapte a Portugal. Faz sentido a nível de custos (são mais baratos, normalmente) e de conhecimento da liga e contexto portugueses.”

Léo Jardim, de 1.88m, já atuou em 2340 minutos nesta liga com a camisola do Rio Ave, um clube que segue na oitava posição.