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O conto do Porto e do Timão

Assim se lança Portimonense - FC Porto, que os últimos ganharam, por 3-0, porque foram terrivelmente eficazes, porque Brahimi foi Brahimi, porque Marega foi subtil, algo que nunca esperaríamos dizer do poderosíssimo maliano - e porque era inevitável que a equipa mais perigosa de Portugal nas bolas paradas fizesse das suas. Aconteceu por Herrera, já no fim

Pedro Candeias

MIGUEL RIOPA

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Para quem escreve, há poucas coisas melhores do que a introdução histórica estrategicamente preparada e pronta a entrar quando a realidade é desinteressante. Há quem lhe chame pesquisa e contexto, e há quem diga que é apenas o enchimento do chouriço - são pontos de vista legítimos -, mas ninguém discute a sua utilidade quando pela frente apanha jogos como este Portimonense-Porto, que os últimos ganharam por 3-0.

E agora entra a singela contextualização, em que o cronista dirá que este FC Porto e este Portimão têm proverbialmente mais em comum do que a distância fará supor. Além do trocadilho do título deste texto, os treinadores são amigos e ex-colegas. Jackson jogou no FC Porto que comprou e emprestou novamente Paulinho ao Portimonense, e comprou Manafá ao Portimonense que foi titular esta tarde. E no Portimonense está Theodoro Fonseca, principal accionista da SAD, que é agente de Hulk, antigo futebolista do FC Porto, onde também jogou Deco que é empresário do melhor futebolista do Portimonense: Tabata.

Assim se lança, finalmente, o Portimonense - FC Porto, que os portistas venceram, como se disse, porque foram terrivelmente eficazes, porque Brahimi foi Brahimi, porque Marega foi subtil, algo que nunca esperaríamos dizer do poderosíssimo maliano - e porque era inevitável que a equipa mais perigosa de Portugal nas bolas paradas fizesse das suas. Aconteceu por Herrera, já no fim.

Resumindo, que a introdução já foi longa, o desfecho tornou-se previsível logo a partir do momento em que Brahimi rematou para o 1-0, após passe atrasado de Marega que se desmarcara em profundidade (oh!, a surpresa) por Corona. Movimento clássico.

Ou seja, sabia-se que o Portimonense, organizado e bom de bola, iria tentar aproveitar a fragilidade física deste Porto desgastado pós-Liverpool, mas para isso teria de ser o que era antes de vender Nakajima e Fabrício em janeiro; além do mais, a ausência de Paulinho, por estar emprestado pelo FC Porto, também não ajudaria à casa. Por outro lado, também não se esperava que o Porto apresentasse a mesma intensidade; iria abordar o encontro de uma forma muito mais pragmática e cínica do que o costume, fiando-se na qualidade e na experiência dos seus jogadores.

Então, o Portimonense teve algumas oportunidades, que Casillas sacudiu, em alguns momentos teve mais posse e jogou melhor que o adversário, mas foi derrotado sem fazer um golo. Estivesse Jackson inteiro e talvez o resumo que acabo de fazer fosse outro.

Mas vale a pena perder um bocadinho de tempo com este Portimonense, pois está num lugar que não é o seu. Tem qualidade, joga um futebol apoiado e positivo e destemido, de pé para pé, cruzando linhas e procurando o interior, e tem alguns atletas talentosos, quase todos brasileiros (daí, Timão). Há Tabata, mas há igualmente Dener e Lucas Fernandes, aos quais Danilo e Herrera (e o excelente Pepe) tiveram de vigiar criteriosamente. Para os curiosos da estatística, fica esta do zerozero, que explica que os jogos se ganham nas intangibilidades a que se convencionou futebolisticamente chamar de detalhes: os golos.

Posse de bola: PSC: 44% | FCP: 56%
Remates (à baliza): PSC: 9 (1) | FCP: 11 (5)
Cantos: PSC: 3 | FCP: 7
Faltas Cometidas: PSC: 14 | FCP: 19

Foi tudo próximo, mas não o suficiente para encurtar distâncias.