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Fugas de informação de César Boaventura: Pedro Proença deu nega e José Fontelas Gomes ficou “desagradado”

O presidente do Conselho de Arbitragem pediu para reunir, esta segunda-feira, com o líder da Liga para tentar apurar como foi possível ao empresário César Boaventura ter acesso à lista de árbitros para os jogos deste fim-de-semana, numa altura em que as nomeações eram ainda sigilosas. Fonte da FPF avança que encontro ficou sem efeito por indisponibilidade de Pedro Proença

Isabel Paulo

Foto Rui Duarte Silva

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A reunião solicitada por José Fontelas Gomes ao presidente da Liga de Clubes na sequência da divulgação da identidade dos árbitros para os jogos Nacional-Sporting (Carlos Xistra), FC Porto-Santa Clara (Manuel Oliveira) e Feirense-Sporting de Braga (Fábio Veríssimo), no Facebook de César Boaventura, quinta-feira, um dia antes de escala ser publicada no site da Liga, já não vai acontecer esta segunda-feira – nem tem data ainda marcada.

Segundo apurou o Expresso junto de fonte da FPF, o encontro pedido pelo presidente do Conselho de Arbitragem com caráter de urgência ficou, até ver, “sem efeito” por “indisponibilidade” de Pedro Proença, nega que é encarada com “desagrado” por parte do líder máximo da arbitragem nacional. Esta é a segunda vez que o empresário de futebol acusado por jogadores do Rio Ave de os ter tentado corromper, entre os quais Cássio e Lionn, para beneficiar o Benfica, divulga antecipadamente nomeações de árbitros, numa fase em que as mesmas deveriam ser ainda secretas e apenas do conhecimento interno da FPF e Liga.

A primeira fuga de informação divulgada nas redes sociais de César Boaventura sucedeu há pouco mais de um mês, à 26.ª jornada, no FC Porto-Marítimo, tendo o agente, benfiquista confesso, mas que jura nunca ter recebido um cêntimo dos encarnados, antecipado então o nome do árbitro João Capela, quando a mesma era ainda confidencial.

Na altura, Boaventura divulgou parte de um documento com a nomeação recebida pelos árbitros, enquanto agora a publicação revela um ‘print screen’ de uma conversa na rede social WhatsApp. Sendo o documento restrito, a fuga de informação levou Fontelas Gomes a denunciar a situação na Polícia Judiciária, embora a FPF não refira se irá voltar agora a apresentar queixa da divulgação de dados confidenciais da autoria do agente reincidente.

“A informação é publica e o Ministério Pública pode investigar mesmo que não exista queixa formal da FPF ou da Liga”, adianta fonte federativa. A nível interno, o Conselho de Arbitragem está a apurar os procedimentos do envio das nomeações das equipas de arbitragem e do quarto árbitro à Liga, feito “via e-mail' em geral à quinta-feira, embora esta semana, devido ao feriado de Sexta-Feira Santa, a comunicação eletrónica tenho sido efetuada na quarta-feira.

“As nomeações são feitas à terça-feira e são só do conhecimentos dos membros do Conselho de Arbitragem até seguirem para a Liga”, refere próxima da arbitragem da FPF, que recorda que a divulgação abusiva das nomeações surgiu nos dois casos após o envio do e-mail para o organismo liderado por Pedro Proença.

“A partir do momento em que a informação é libertada pela FPF, toda a logística de comunicação fica a cargo da Liga, desde a marcação de hotéis ao aluguer de carros à Guerin para transporte das equipas de arbitragem até à notificação dos próprios árbitros”, assegura a mesma fonte, comentando que nessa fase “o conhecimento de quem vai dirigir que jogo já é do conhecimento de um núcleo alargado de pessoas”.

O Sporting de Braga, em comunicado, já referiu que a divulgação das nomeações de árbitros pelo agente de futebolistas César Boaventura representa “mais uma fuga verdadeiramente inaceitável”, reveladora da “falência e da permeabilidade do sector” da arbitragem.

O Expresso tentou em vão contactar a Liga, tendo enviado um conjunto de questões por e-mail às quais não obteve resposta.