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E se fosse consigo, jogaria com Óliver?

O adversário era permeável, é verdade, mas a presença do espanhol deu qualidade e alguma criatividade na posse e circulação de bola, sobretudo nas combinações com Corona e nas variações de flanco - e também pelo bom golo marcado. O FC Porto bateu naturalmente o Nacional e isso resultou em duas coisas: a primeira, que a luta pelo título continuará até à última jornada; a segunda, que o Nacional desceu à segunda na penúltima jornada. P.S: Óliver não era titular na Liga desde 2 de março, no 1-2 com o Benfica no Dragão

Pedro Candeias

Soccrates Images

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Ok, admito, a amostra não é a melhor para um exercício especulativo tipo “e se…”, mas este é o Nacional que temos e o que ele tinha era poucochinho: praticamente condenado ao trambolhão - três derrotas nos últimos cinco jogos, 33 golos marcados e 66 sofridos - o Nacional precisava de seis pontos e que os adversários diretos fizessem nenhum.

No campo das probabilidades, Costinha procurava um milagre de Fátima a 12 de maio, coisa pecaminosa, e a história seguiu religiosamente o seu curso normal: o Nacional perdeu e caiu para a II Liga, somando a quarta derrota em seis jogos, os mesmos 33 golos marcados e mais quatro sofridos.

Agora, o “e se…”.

Apesar do contexto - um adversário permeável e macio -, a verdade é que este FC Porto foi mais criativo do que o costume, e isso torna-se mais interessante do ponto de vista do consumidor. Não que o Nacional - FC Porto tenha sido um espetáculo formidável, longe disso, mas terá sido substancialmente melhor de ver com os homens que o jogaram.

Ou seja, já sabemos que é da vontade de Sérgio Conceição que o jogo portista assente na constante tensão muscular de gente como Marega, Soares ou Herrera; mas, na ausência do mexicano (suspenso), o treinador foi forçado a pôr Óliver no onze - e Otávio também, embora em comparação com Brahimi (lesionado), o upgrade resultante da troca não seja tão imediato.

Assim, o que aconteceu foi que o Porto procurou os espaços interiores, com o destro Corona à esquerda a combinar com Óliver e Alex Telles, e até foi assim que nasceu o segundo golo (28’) do encontro - uma perda de bola infantil do Nacional que o mexicano aproveitou, tocando a bola para Óliver que fintou com o corpo e chutou para a glória, mais ou menos. O 1-0 nascera num livre direto de Alex Telles (14’), dois minutos depois de um falhanço impensável de Brayan Riascos, que contornou o ineficaz Vaná para rematar ao lado perante uma baliza vazia. Mas não destruamos Riascos, porque seriam deles as poucas chances dos insulares durante o jogo em que foram controlados e dominados.

Bom, mas com o 2-0 feito, o Nacional - FC Porto encaminhou-se para um desfecho natural: na segunda-parte, os visitantes acrescentariam outros dois golos, um de Corona (59’) e outro de Marega (penálti, 88’), deram minutos a Loum e a Fernando Andrade e Maxi Pereira, e mantiveram acesa a luta pelo título de campeão nacional. Jogando por dentro e com menos intensidade e menos vertigem, mas com critério e uma posse de bola mais redondinha.

Como não podia deixar de ser, pois os jogos ganham-se no meio-campo, pois são os jogadores que fazem os jogos, e pois que estes eram necessariamente diferentes dos outros. E a estes junto também o nome de Manafá, não por ele em si, mas porque isso significou a ida de Pepe para o banco e a presença de Militão no lugar que é dele - e que muita gente questiona porque de lá saiu quando o internacional português de Maceió foi contratado em janeiro. Militão

É claro que, agora, falar é fácil, mas não é difícil perguntar: e se fosse consigo, jogaria sempre com Óliver?