Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Quando a Académica perdeu no Jamor, mas fez tremer a ditadura

A história do dia em que milhares de estudantes jogaram uma final da Taça de Portugal contra o Estado Novo. A equipa da Académica de Coimbra perdeu o jogo mas fez tremer a ditadura. O futebol foi um símbolo de liberdade, e imortalizou um momento histórico de uma luta que começou muito antes do pontapé de saída no Jamor. Cinquenta anos depois, Sporting e Futebol Clube do Porto jogam este sábado mais uma final.

Tiago Soares

Partilhar

Num fim de semana soalheiro de 1969, uma mancha negra invadiu Lisboa. Veio de Coimbra e era composta por milhares de jovens. Todos tinham o mesmo objetivo. Eram alunos da Universidade de Coimbra e vinham a Lisboa continuar a luta que haviam lá começado contra a ditadura do Estado Novo. Chegaram à capital das mais variadas formas: de comboio, de autocarro, de boleias mais ou menos planeadas. Ao longo do dia, teriam funções diferentes, mas todas igualmente cruciais. A maioria iria ver um jogo de futebol. Outros, munidos de máquinas fotográficas, iriam imortalizá-lo na história de Portugal. Outros ainda — treze jovens estudantes da Universidade de Coimbra — iriam jogá-lo.

O jogo em questão era a Final da Taça de Portugal da época 1968/1969. Seria jogado às 17h desse domingo, dia 22 de junho. Os jovens vindos de Coimbra não o iriam disputar por acaso. Na época desportiva que havia terminado tinham alcançado o 6º lugar do campeonato e, ao mesmo tempo, cumprido um percurso inigualável na Taça que os levou à final. Apesar de ainda estudantes, não eram amadores, e preparavam-se para defrontar uma poderosa equipa do Benfica. Eles e todos os seus colegas nas bancadas estavam em guerra aberta com um regime ultrapassado. Exigiam liberdade e democracia. Representavam a Associação Académica de Coimbra e, naquele dia, um país inteiro.

Este artigo é um Exclusivo Expresso foi publicado na Revista do Semanário desta semana. Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. Pode usar a app do Expresso - iOS e Android - para descarregar as edições para leitura offline)