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O novo Sporting de Braga, à imagem de Sá Pinto: potente, agressivo e a querer mandar

Completada a pré-época, o Sporting de Braga de Ricardo Sá Pinto, que se estreia oficialmente no dia 8 de agosto, para a Liga Europa (frente a Lechia ou Brondby), já demonstra várias diferenças em relação ao antecessor, explica o analista Tiago Teixeira, que também examina a composição do plantel para 2019/20, que tem o ataque como principal lacuna

Tiago Teixeira (analista de futebol)

HUGO DELGADO

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Depois de duas épocas (completas) como treinador do Sporting de Braga, Abel Ferreira mudou-se para a Grécia, para treinar o campeão em título PAOK. Para o seu lugar, António Salvador escolheu um nome bem conhecido do futebol português: Ricardo Sá Pinto, que regressa ao campeonato português depois de passagens pelo Atromitos, da Grécia, pelo Standard Liège, da Bélgica, e pelo Légia Varsóvia, da Polónia.

Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, em que o Braga assumiu que o objetivo passava por fazer parte do lote de equipas que lutam pelo título, esta época a consolidação do quarto lugar parece ser a principal meta traçada pelo clube.

Um Braga agressivo e que quer mandar

Apesar de Sá Pinto ainda ter muito trabalho pela frente, os jogos de pré-época realizados até então já permitiram perceber qual a ideia que o treinador português quer ver posta em prática, e qual é a matriz tática em que assenta a mesma.

Partindo do sistema de jogo 4-2-3-1, o Braga tem procurado construir de forma apoiada desde zonas mais recuadas. Para tal, Sá Pinto tem apresentado dois posicionamentos diferentes numa primeira fase de construção:

1- Saída a três, com um dos médios a recuar para junto dos centrais e o outro médio a movimentar-se atrás da primeira linha de pressão adversária. Os laterais oferecem a largura;

2- Saída a dois, com os dois centrais numa primeira linha, e um ou dois médios a movimentarem-se nas costas da primeira linha de pressão adversária. Também pode acontecer um dos médios vir receber a bola mais sobre o corredor lateral.

No meio campo-ofensivo, a ideia principal de Sá Pinto passa por ter dois jogadores em cobertura (duplo pivô), pese embora a mobilidade e dinâmica de jogadores como Fransérgio e André Horta – como se viu contra o Mónaco de Leonardo Jardim – possa transformar o 4-2-3-1 em 4-3-3.

Quando André Horta baixa para organizar jogo, o Braga aparece posicionado com duplo pivô, deixando apenas um dos médios - Fransérgio - no espaço entre linhas, ao qual se juntam os dois extremos - Ricardo Horta e Trincão -, sempre com liberdade para ocupar o corredor central.

Noutros momentos, foi possível ver o Braga apenas com um médio mais recuado - Claudemir- e com André Horta e Fransérgio mais subidos, e este último sempre preparado para explorar o espaço entre o central e o lateral adversário.

No momento defensivo, a imagem deixada pelo Braga nos jogos de pré-época é a de uma equipa agressiva e que procura condicionar a construção adversária logo numa fase inicial.

Essa pressão alta é feita com três jogadores numa primeira linha de pressão (2+1), sendo que os restantes três (dois extremos e um médio) posicionam-se mais recuados, protegendo principalmente as zonas interiores.

Em organização defensiva, posicionam-se num 4-4-2, com o médio ofensivo a juntar-se ao avançado na primeira linha de pressão, e os extremos mais os médios a formarem uma linha de quatro à frente da linha defensiva, sempre com o objetivo de manter o bloco compacto e não permitir ao adversário jogar por dentro.

Sá Pinto referiu no final do jogo contra o Mónaco que ainda está à procura de conhecer melhor alguns jogadores, pelo que é possível que o plantel do Braga ainda venha a sofrer algumas alterações até final do mercado de transferências.

Baliza

Quality Sport Images

Recuperado de uma grave lesão no joelho, que o impossibilitou de jogar durante grande parte da época passada, Matheus parece ser neste momento a escolha número um de Sá Pinto para a baliza do Braga (foi o titular contra o Lille e Mónaco). Com o regresso de Eduardo, cinco anos depois, e com a permanência de Tiago Sá, titular da época passada, o Braga tem o seu lote de guarda redes fechado, e qualidade é algo que não falta.

Defesa

Com as contratações de Diogo Viana, ex-Belenenses, e Caju, ex-Apoel, ambos defesas laterais que se envolvem muito bem no processo ofensivo, o Braga garantiu concorrência para Esgaio e Sequeira, que neste momento parecem partir como favoritos à titularidade. Há ainda a particularidade de Diogo Viana poder ser utilizado mais na frente, dado ter começado a carreira como extremo.

No eixo central, Vítor Tormena, que na temporada passada esteve ao serviço do Portimonense, foi o único reforço, ele que se destaca por ser um central muito forte no jogo aéreo (1,92m de altura), sendo que também pode jogar como lateral direito. A ele juntam-se Bruno Viana (titular indiscutível), Pablo Santos, Raúl Silva (ainda a recuperar de lesão) e Lucas Cunha (ex-equipa B do Braga), pelo que o eixo central, à partida, não deverá sofrer mais alterações.

Meio-campo

Gualter Fatia

Com a contratação de André Horta, o Braga assegurou um jogador com muita qualidade técnica e criatividade, que tanto pode jogar como médio no duplo pivôou como médio ofensivo mais perto do avançado. Seja em zonas de construção/criação ou até em zonas de finalização, André Horta tem tudo para ser o grande destaque do Braga de Sá Pinto.

Há ainda João Palhinha (médio muito importante no momento defensivo pela disponibilidade física e capacidade nos duelos), João Novais, Claudemir e Fransérgio (também pode jogar como médio mais ofensivo), pelo que Sá Pinto tem soluções suficientes para apresentar um duplo pivô capaz de interpretar as suas ideias.

Na posição de médio ofensivo, Xadas é uma das opções de qualidade. Embora tenha sido pouco utilizado por Abel durante a época passada, o médio ofensivo/extremo português pode ser uma das principais figuras do novo Braga, por toda a qualidade técnica com que executa e pela facilidade com que desequilibra. Os já referidos André Horta e Fransérgio também poderão também aparecer nessa posição de médio ofensivo no 4-2-3-1.

Ataque

Não há como negar: o Braga é, neste momento, uma equipa mais fraca no ataque. Dyego Sousa foi a grande referência em termos ofensivos nas últimas duas épocas (mais de 30 golos marcados) e apesar dos regressos de Hassan e Stojiljkovic (o mais provável é nem ficar no plantel), o Braga não dispõe da mesma qualidade no eixo central do ataque.

Paulinho surge como principal solução em termos ofensivos. É um avançado muito forte nos movimentos de apoio e com qualidade na finalização, sendo também capaz de explorar a profundidade.

Nas alas, as mudanças não são muitas. Ricardo Horta e Wilson Eduardo partem como principais favoritos à titularidade (Horta com mais capacidade para jogar por dentro e Wilson mais forte nos movimentos de rutura), tendo Trincão, Murilo e Luther Singh como suplentes.