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Mais uma vitória no bucho, no conforto do lar

Sem Florentino e com Fejsa - e com um grande Taarabt - o Benfica de Bruno Lage venceu o Gil Vicente, por 2-0, na Luz, na 5ª jornada da Liga

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PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Mesmo sendo adepto de um clube rival, é difícil desgostar de Bruno Lage. O treinador setubalense tem um jeito genuíno de falar e nem mesmo quando se senta para as conferências de imprensa parece particularmente ansioso com aquilo a que tem de responder. Fala um pouco de tudo, sem grandes reservas, e foi assim que, antes do Benfica-Gil Vicente, ficámos a saber por que razão é que a equipa, agora, já não faz estágios antes dos jogos na Luz:

"Temos de ir ao encontro do conforto para os nossos jogadores. Entendemos que o repouso e a recuperação é melhor assim. Não tirar os jogadores de casa seria mais fácil para eles e para nós. Preferimos que os jogadores se mantenham no conforto do lar antes de um jogo em casa. Existe uma hora de recolher, às 19h, e em vez de fazermos a concentração, o jogador está em casa. Se for caso disso, proporcionamos a refeição para o jogador e para a sua família. Todos eles, de véspera, usam a pulseira para controlo do sono e damos a oportunidade para estarem com a família, para dormirem em casa.

Todos nós já ouvimos histórias de estágios, os jogadores contam-nas. Há treinadores que deixavam os jogadores beber um copo de vinho. Às vezes trazem o mais velho ou o mais novo e bebe vinho. Depois vai uma chávena com um cafezinho. E vem um licor na chávena e não um café. De repente estamos em estágio e temos dois copos de vinho e outro de whisky no bucho."

Foi assim, entre risos, que Lage explicou a lógica por trás do descanso caseiro, assim como já tinha explicado por que razão não estava preocupado com a falta de golos de RDT e Seferovic: eles até têm estado lá para marcar, mas os adversários marcam autogolo primeiro... tal e qual como aconteceu esta noite.

Com uma entrada menos fulgurante do que é habitual em casa, o Benfica - hoje sem Florentino, por lesão, e com Fejsa - demorou a conseguir ultrapassar a boa organização defensiva do Gil de Vítor Oliveira, equipa compacta que, além disso, também procurava sair rapidamente para o contra ataque - mesmo não tendo hoje o desequilibrador Lourency, por lesão.

As coisas podiam ter sido bem mais fáceis se, aos 10 minutos, Pizzi tivesse conseguido concretizar o penálti que foi cometido precisamente sobre ele, por Nogueira. Contudo, desta vez, o médio que já leva cinco golos permitiu a defesa do guardião Denis.

Foi assim que o empate se foi arrastando, com Denis novamente a surgir a impedir o golo de Pizzi, num remate já dentro da área, perto do intervalo. Quando já tudo indicava que os primeiros 45 minutos iam terminar sem golos, Taarabt - fantástico a distribuir jogo no meio-campo - solicitou André Almeida pela direita e o capitão cruzou para a área.

A bola parecia endereçada aos pés de RDT, mas, antes, surgiu Nogueira, com um carrinho, a desviar... para dentro da própria baliza. O Benfica marcava, finalmente, mas RDT até esbracejava com a situação: mais uma vez, como já tinha dito antes Lage, o avançado até estava lá para marcar, mas a bola não lhe chegou.

Na segunda parte, foi o Gil - já com Romário Baldé em campo, por troca com Lino - a ameaçar primeiro. O búlgaro Kraev, claramente um dos destaques gilistas, entrou na área com a bola controlada e quase fazia o 1-1.

Não houve 1-1, houve 2-0. Pouco depois de enviar uma bola às malhas laterais da baliza, que até provocou alguns festejos erróneos, Pizzi finalmente acertou com as redes: Grimaldo marcou o canto com um arco bem puxado ao 2º poste e o médio português surgiu a rematar para o segundo golo - o seu sexto na Liga NOS esta época.

Com o 2-0, o ritmo do jogo baixou consideravelmente - o Gil ainda marcou, mas havia fora de jogo de Sandro Lima; e Seferovic voltou a desaproveitar uma oportunidade de golo. A fechar, Kraev apareceu novamente dentro da área, mas o remate saiu ao lado.

O Benfica foi controlando a partida e acabou por vencer tranquilamente, no conforto do lar.