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De infelicidade em infelicidade até... quando?

O Sporting até entrou bem em Alvalade, perante o líder da Liga, adiantando-se com um grande golo de Vietto, mas o Famalicão deu a volta ao resultado, beneficiando de um golo de Lameiras e de mais uma infelicidade de Coates, que voltou a marcar um autogolo (1-2)

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É absolutamente incontornável: sem Bruno Fernandes, o Sporting fica mais fraco. O capitão, além de ser o melhor jogador da equipa, é alguém de quem se pode esperar, consistentemente, ações de desequilíbrio muito acima da média. E se isso já é importante em qualquer equipa do mundo - tal como acontece com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo nas respetivas equipas, como disse Leonel Pontes na conferência de imprensa de antevisão do jogo -, mais fulcral ainda se torna quando este Sporting, coletivamente, ainda não tem competência suficiente para se superiorizar ao adversário.

Particularmente quando o adversário é, ao contrário do Sporting, uma equipa tremendamente bem organizada e competente em todos os momentos do jogo, como o é o Famalicão de João Pedro Sousa.

É o mundo ao contrário: à 6ª jornada da Liga, era o "pequeno" Famalicão a ser líder e era o Famalicão a dar ares de favorito à vitória em Alvalade, perante um Sporting que já tinha melhorado levemente de rendimento perante o PSV, mas ainda longe do necessário para ser um verdadeiro candidato ao título.

Sem Bruno Fernandes, castigado após a expulsão no Bessa, Leonel Pontes optou por colocar Wendel no lugar do capitão, a '10', mantendo o mesmo sistema estreado na Holanda: o 4-4-2 losango. Com Vietto e Bolasie novamente na frente, e Doumbia e Miguel Luís no meio-campo, a interiores, a novidade ficou reservada para o trinco: Rodrigo Battaglia regressou finalmente à competição após uma lesão que o afastou por quase um ano. Mais atrás, a defesa manteve-se, com exceção para Neto, que cedeu o lugar a Mathieu.

Tal como tinha acontecido na Holanda, o Sporting até começou bem o jogo e a verdade é que, na 1ª parte, foi melhor do que o Famalicão, partindo sempre de uma postura de segurança defensiva para chegar ao ataque.

Aos 20', Miguel Luís apareceu isolado em frente a Defendi, mas, com a bola a saltar, atirou um chapéu... para fora. Do outro lado do campo, apesar de menos ativo, o Famalicão também testava Renan: Fábio Martins - sempre um dos elementos mais criativos do líder - rematou de longe, Renan defendeu para a frente e Toni Martinez não acertou na recarga.

Aos 25', quando o Famalicão procurava, como habitualmente, construir o ataque a partir da sua área, o lateral Lionn endossou a bola para os pés de Vietto e o avançado fez de Bruno: marcou um golaço, com um grande remate de fora da área.

Com o golo, o Sporting ganhava confiança e dinâmica na frente, e Wendel voltava a criar perigo, mas o 1-0 iria manter-se até ao intervalo - até porque Renan defendeu um remate complicado de Rúben Lameiras, provavelmente o melhor dos famalicenses.

Se o jogo estava até então favorável ao Sporting, tudo mudou na 2ª parte. O Famalicão entrou bem melhor e rapidamente conseguiu o empate, depois de uma excelente investida de Centelles pela esquerda (e de uma perda de Wendel no ataque), que foi parar aos pés de Lameiras, já na área, e houve remate para golo.

Se o empate já era difícil de gerir, o pior foi mesmo a partir dos 61 minutos. É que foi aí que Leonel Pontes tomou uma decisão que iria desequilibrar a equipa: substituir Vietto. O avançado argentino fez cara feia, esbracejou várias vezes e, enfim, demonstrou claramente que não estava satisfeito por sair de campo, tendo em conta que estava a ser um dos melhores da equipa.

O momento, assobiado pelos adeptos, iria perturbar definitivamente o jogo do Sporting, já que Jovane pouco conseguiu trazer e o Famalicão aproveitou para subir cada vez mais no campo, dominando o encontro. De cabeça, Toni esteve quase a marcar, assim como Lionn, com um remate na área após ultrapassar Battaglia que, já cansado, deu lugar a Jesé.

O reforço do Sporting ainda teve uma investida pelo ataque que obrigou Defendi a mais uma defesa, mas pouco mais houve no ataque do anfitrião a partir daí. Foi quase sempre o Famalicão a ser mais perigoso e, aos 88 minutos, depois de um corte fantástico de Nehuén Pérez, o Famalicão acelerou o ataque pela direita, através de Diogo Gonçalves, que cruzou para a área e encontrou... Coates.

Incrivelmente, o central uruguaio voltou a marcar mais um autogolo, sentenciando um mês negro para o próprio e para a equipa. No final do jogo, os adeptos voltaram a insultar Frederico Varandas e ficou no ar uma convicção: dificilmente Leonel Pontes irá continuar como treinador do Sporting. E o Sporting, à 6ª jornada, tem apenas oito pontos: duas vitórias, dois empates e duas derrotas.