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Sp. Braga ataca Benfica, que aprovou o calendário "caótico" que agora critica, e Taça da Liga, "o prego no caixão do futebol português"

Em comunicado, o Sporting de Braga criticou a Liga e a "existência da Taça da Liga tal como a conhecemos, a criar vazios competitivos e a empurrar jornadas do campeonato para ciclos sobrelotados, tudo para que a menina dos olhos desta Liga possa ocupar fins de semana nos primeiros meses da época e condicione todo o mês de janeiro"

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A Liga portuguesa está "em suspenso" por um mês, dado que, à paragem internacional das seleções, aliaram-se as eleições legislativas (não houve jogos por decisão das organizações), e a disputa das Taças da Liga e de Portugal. Ou seja, a 7ª jornada da Liga foi disputada no fim de semana de 28 e 29 de setembro e a 8ª jornada apenas irá ser disputada a 26 e 27 de outubro.

O calendário, que foi atempadamente aprovado pelos clubes, foi agora criticado pelo Benfica, algo que o Sporting de Braga qualifica de "irónico", dado que os benfiquistas fizeram parte dos que aprovaram as datas, aos contrário dos bracarenses, que entretanto abandonaram a Comissão Permanente de Calendários, em litígio com a Liga.

Em comunicado, o Sporting de Braga também ataca a Liga, dirigida por Pedro Proença, que quer dar mais protagonismo à Taça da Liga, sem justificação plausível: "Que seja a Taça da Liga o prego no caixão do futebol português é de uma ironia queirosiana, mas que da nossa parte não passará sem a devida denúncia: este estado de coisas é responsabilidade da Direção da Liga e dos clubes que a integram."

O comunicado do Sporting de Braga, na íntegra

"Um raio de luz desceu sobre o futebol português, iluminando a visão de alguns dos seus responsáveis sobre uma calendarização que agora se revela caótica e sobre a qual há conclusões taxativas e críticas lancinantes.

O deserto onde o SC Braga vinha pregando há já largos meses termina afinal num oásis, onde até se saciam aqueles que juraram desta água nunca beber.

É irónico que a Imprensa desta terça-feira dê eco do SL Benfica a rasgar as vestes contra o calendário, sobretudo por haver uma gritante falta de comunicação entre quem escreve as newsletters e quem representa o clube nas reuniões estratégicas e nas decisões em sede de Comissão Permanente de Calendários (CPC).

O SC Braga saúda, obviamente, que uma SAD com a responsabilidade do SL Benfica se junte à luta por um calendário, e citamos, que “salvaguarde os interesses do futebol português” e que alerte contra a “elevada concentração de jogos que se seguirá” à paragem.

É um ato de contrição muito relevante por parte do clube que mais se indignou para que o Boavista FC x SC Braga se jogasse a 31 de outubro, bem dentro do tal ciclo caótico. Um reconhecimento tardio, é certo, mas que recebemos com muito agrado, cientes de que no futuro o SL Benfica será consonante com a posição agora tomada na crítica a uma calendarização que ajudou a formular enquanto membro das últimas CPC.

O SC Braga sabe que posições defendeu em tempo oportuno. O SC Braga tem documentados os alertas que lançou em abril, quando recebeu as propostas da Liga e da CPC para 2019/20. O SC Braga recorda a estratégia defendida pelo seu Presidente em reuniões com os congéneres e com os líderes da FPF e da Liga Portugal, correspondendo às reflexões que Fernando Gomes tem promovido para reformulação dos quadros competitivos. O SC Braga já há muito advogou, como hoje também reclama Carlos Carvalhal, que o “break” de dezembro é inoportuno e contrário aos interesses da indústria, tendo António Salvador deixado muito claro que o mesmo só se devia realizar após o dia 5 de janeiro.

A coerência é um valor importante. Fomos contra esta calendarização em abril, quando a mesma nos foi apresentada como um produto acabado pela Liga e pela CPC, e lançamos alertas muito concretos em agosto e em setembro, agora acolhidos por outros, manifestando também a necessidade de pensar a existência da Taça da Liga tal como a conhecemos, a criar vazios competitivos e a empurrar jornadas do campeonato para ciclos sobrelotados, tudo para que a menina dos olhos desta Liga possa ocupar fins de semana nos primeiros meses da época e condicione todo o mês de janeiro.

Tudo o que defendemos em setembro, aquando do inenarrável processo de marcação do jogo com o Boavista FC, é por nós reafirmado, cientes de que as dificuldades que esta calendarização impõe aos clubes serão ainda mais agudas durante os próximos meses e em particular no início de 2020, quando tudo se estiver a decidir e quando um pensamento estratégico (que não houve) se revelar fundamental para, à escala europeia, se perceber que países vão atingir os seus objetivos e que países vão definhar, condenados à sua endémica falta de visão.

Que seja a Taça da Liga o prego no caixão do futebol português é de uma ironia queirosiana, mas que da nossa parte não passará sem a devida denúncia: este estado de coisas é responsabilidade da Direção da Liga e dos clubes que a integram, mas é também o reflexo de um modelo de governação que o G15 já há denuncia dois anos como caduco, mas que Pedro Proença se recusa a reformar – contrariando o que prometera antes das eleições – e que ficará gravado na história como causa maior da nossa perda de competitividade."