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Exclusivo. “É um absurdo”: Júlio Mendes diz que patrocínio ao Vitória em troca da eleição de Melchior Moreira para a Liga é “tese peregrina”

Constituído arguido por alegado tráfico de influência, o ex-presidente do Vitória de Guimarães nega que o patrocínio do Turismo do Porto e Norte de Portugal nas camisolas da equipa para a final da Taça de Portugal fosse moeda de troca para a eleger o então líder da entidade regional de turismo, detido por corrupção há um ano, para a Liga de Clubes. O Vitória e o Sporting de Braga também estão acusados

Isabel Paulo

Anadolu Agency

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Melchior Moreira, principal arguido na Operação Éter, vai continuar em prisão preventiva até ao julgamento da Operação Éter, processo em que é acusado de crimes de corrupção, participação económica en negócio, peculato, abuso de poder e falsificação. No âmbito da acusação, Melchior Moreira é suspeito de ter patrocinado as camisolas das equipas de futebol do Vitória Sport Clube e o Sporting de Braga com o propósito de obter favorecimento de Júlio Mendes e de António Salvador em relação a uma possível candidatura à Liga Portugal, que acabou por não acontecer face à sua detenção, em outubro do ano passado.

Os dois clubes minhotos estão entre as oito pessoas colectivas e as 21 singulares acusadas pelo Ministério Público, esta segunda-feira, indiciados por alegada participação económica em negócio pelo recebimento ilícito de verbas para publicitarem o Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) em jogos de competições oficiais. Segundo o Expresso apurou junto de fonte do processo, a entidade presidida por Melchior Moreira terá feito um acordo de €100 mil com Vitória de Guimarães, que jogou a final da Taça de Portugal contra o Benfica, em 2017, com o patrocínio do TPNP, e ainda um encontro da Liga com publicidade ao Geopark, de Arouca.

No caso do Sporting de Braga, o patrocínio terá rondado os €15 mil, contrato destinado a divulgar a marca Turismo do Norte nos equipamentos da equipa de Futsal, na Ronda de Elite da UEFA, disputada em 2017, em Madrid. As instalações do clube foram alvo de buscas da Polícia Judiciária em junho de 2017, operação na qual os inspetores recolheram diversa documentação.

Na altura, o Sporting de Braga divulgou que o contrato para publicitar o país em Madrid foi o único celebrado com o TPNP, mas contactado pelo Expresso, esta terça-feira, o diretor do comunicação do clube remeteu para mais tarde qualquer reação à acusação do MP, justificando que a administração da SAD ainda não foi notificada.

Também algo de buscas no verão passado, a atual direção do Vitória de Guimarães remete para mais tarde qualquer comentário à acusação, dado ainda não terem em sua posse a notificação do MP.

Já Júlio Mendes, então presidente do Vitória Sport Clube confirma ter sido constituído arguido no âmbito da Operação Éter, por “alegado tráfico de influência”, acusação que garante não ter fundamento. “Tenho a consciência tranquila. O que fez a administração do clube foi entregar o patrocínio das camisolas para a final da Taça e para um jogo do campeonato à entidade que fizesse a melhor oferta, no caso o Turismo do Porto e Norte”, afirma o ex-líder vimaranense, lamentando que esta acusação seja um estigma para si e para o clube.

Júlio Mendes considera que a teoria de que o acordo de patrocínio visou favorecer um eventual candidatura de Melchior Moreira à presidência da Liga é “absurda”, lembrando que os votos em Assembleia Geral de clubes são “secretos”. “A tese da troca de favores é peregrina e não tem pernas para andar”, diz, referindo que é cada vez mais perigoso “viver”, em espacial no futebol.

O ex-dirigente do Vitória avança que a apenas metade da verba contratualizada com o TPNP acabou por ser paga às administração do clube, tendo a SAD em curso uma “ação judicial contra a entidade regional de turismo por incumprimento contratual”.