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Portugal: o país do futebol mais caro da Europa e onde estão as maiores diferenças entre grandes e pequenos

O jornal "Record" teve acesso a um estudo da autoria da consultora McKinsey e que foi apresentado a todos os presidentes da Liga NOS em que é traçado um cenário de desigualdades e desequilíbrios financeiros em comparação com outros campeonatos europeus

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Gualter Fatia

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O documento tem 37 páginas e é uma espécie de diagnóstico do futebol português, com o objetivo de perceber o mau e iniciar uma mudança até à sustentabilidade. O estudo, da autoria da consultora McKinsey, foi apresentado a todos os presidentes da Liga NOS e revelado em primeira mão na edição deste domingo do jornal "Record", traçando um cenário de desigualdades e desequilíbrios financeiros em comparação com outros campeonatos europeus.

A liga portuguesa é, por exemplo, uma das que gera menos receitas entre as mais importantes da Europa. Em 2017, atingiu receitas de 431 milhões de euros, abaixo da Turquia (731 milhões), Holanda (505 milhões) e ligeiramente mais que a liga belga (383 milhões).

É a liga mais dependente das receitas da UEFA: em 2017, 23% das receitas da liga esteve assente no dinheiro que veio das competições europeias, uma percentagem significativa tendo em conta que abaixo de Portugal está a Bélgica, com apenas 13%, e a Holanda, com 12%.

Portugal é também o país onde é mais caro para o cidadão comum ter acesso a todos os jogos da Liga. Tem de pagar cerca de 40 euros para o fazer, o que equivale a 4,1% do salário médio nacional. A seguir na lista vem a Alemanha, onde o peso é de apenas 1,6%. Já na Itália bastam 10 euros para ver toda a Serie A, 0,5% do salário médio do país.

Outra situação criticada no estudo, que fala mesmo de uma situação "insustentável" é a falta de direitos centralizados em Portugal, que continua a ser a única das principais ligas da Europa em que os direitos televisivos são negociados individualmente. Isso faz que a Liga NOS seja de longe a liga em que existe uma maior diferença nas receitas conseguidas pelos principais clubes e a média da liga.

Em Portugal, os três grandes ganham 15,4 vezes mais do que a média do campeonato, números impressionantes se percebermos que logo a seguir na lista aparece a Grécia onde os números baixam para 3,9 vezes. A Premier League é onde essa diferença é menor: os grandes ganham apenas 1,3 vezes mais do que a média.