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“Nos divórcios amigáveis, há sempre cedências de ambas as partes. Se tiver de ser litigioso, acredito que vamos ganhar”

Patrick Morais de Carvalho, presidente do Belenenses, sobre o diferendo com o Belenenses SAD, de Rui Pedro Soares

Lusa

Patrick Morais de Carvalho é presidente do Belenenses desde 2014

Nuno Botelho

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O presidente do Clube de Futebol ‘Os Belenenses’, Patrick Morais de Carvalho, reforçou hoje a intenção de um “divórcio amigável” com a SAD e assegurou que os 10% que o clube detém serão vendidos “até final deste mês”.

À margem da apresentação do livro Clube de Futebol ‘Os Belenenses’ – Cem Anos de História, de José Ceitil, Patrick Morais de Carvalho disse acreditar numa vitória do clube perante a SAD, na sequência do litígio que levou à inscrição de uma equipa de futebol sénior nas divisões distritais de Lisboa.

“É importante haver um divórcio, de preferência amigável, com aquela sociedade anónima desportiva, que já não nos representa e que se confunde connosco. Nos divórcios amigáveis, tem de haver sempre cedências de ambas as partes. Se tiver de ser litigioso, nós estamos nesse caminho e acreditamos que vamos ganhar. Até final deste mês, os 10% seguramente estarão vendidos”, afirmou.

Patrick Morais de Carvalho reiterou que o “patrocínio” da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) no ‘divórcio’ era mais importante que as decisões judiciais e explicou que o contorno dessa separação passa por uma nova denominação da equipa que milita na I Liga.

“Mais importante que os tribunais, era termos o patrocínio da Liga e da Federação Portuguesa de Futebol, que não podem continuar a fazer de conta que não se passa nada. Esse divórcio amigável passa por aquela equipa passar a chamar-se outra coisa qualquer e seguir alegremente e com felicidade a sua vida. É inadmissível haver mais alguém a dizer que se chama Belenenses e a fazer passar-se pelo Belenenses”, expressou.

Sobre o livro de José Ceitil, que já havia escrito uma primeira edição em 2009, nas comemorações do 90.º aniversário do clube, o presidente considerou esta uma obra “importante” e com “grande rigor histórico”, que permite compreender o papel do Belenenses no desporto português.

“É um livro muito importante. Uma obra que tem um grande rigor histórico e que fica para a posteridade. O Belenenses é um dos poucos clubes em Portugal que tem realmente uma dimensão e representatividade a nível mundial. É um clube que se confunde com o desporto. O desporto em Portugal não seria o que é hoje sem o Belenenses”, explicou.

O Belenenses, fundado em 23 de setembro de 1919, comemorou 100 anos de existência este ano, numa altura conturbada do clube, em que o ‘divórcio’ com a SAD levou a que uma nova equipa de futebol fosse criada pelo Belenenses no final da época 2017/18, desde o escalão mais baixo dos Distritais, e a adoção do Estádio Nacional como nova casa do Belenenses SAD, que disputa a I Liga.