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Ajuste Secreto: COP vai avaliar continuidade de vice-presidente Hermínio Loureiro, acusado de crimes de corrupção

Presidente do Comité Olímpico avança que continuidade de Hermínio Loureiro como vice-presidente vai ser analisada terça-feira. José Manuel Constantino refere que ex-autarca e colocou lugar à disposição quando foi constituído arguido na operação Ajuste Secreto, mas que o COP entendeu não haver motivo para afastamento. FPF não comenta acusação do seu vice-presidente

Isabel Paulo

Hermínio Loureiro é atualmente vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol

José Carlos Carvalho

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Mais de dois anos depois de ter sido detido para interrogatório e constituído arguido na investigação Operação Ajuste Secreto, Hermínio Loureiro foi, esta quarta-feira, acusado pelo Ministério Público de 141 crimes de corrupção, tráfico de influência, peculato e participação económica em negócio. Libertado em junho de 2017 mediante caução de € 60 mil, o ex-presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, entre 2009 e 2016, antigo presidente da Liga e secretário de Estado na Governação de Santana Lopes mantém-se em funções como vice-presidente do COP e da FPF.

“O tempo de decisão das instituições nem sempre é coincidente com o tempo mediático”, afirmou ao Expresso José Manuel Constantino, que adianta que a situação de Hermínio Loureiro vai ser analisada em reunião da direção, na próxima sexta-feira. O presidente do COP revela que o também arguido na Operação Éter - que investiga alegados crimes ligados a corrupção e viciação de procedimentos de contratação pública do Turismo do Porto e Norte de Portugal e de autarquias no âmbito da instalação de lojas interativas de turismo - “colocou o lugar à disposição há dois anos quando foi constituído arguido” no caso Ajuste Secreto.

“Na altura, o nosso entendimento é que não existia motivo suficiente para que fosse afastado”, lembra José Manuel Constantino, que se escusa a adiantar qual será a sua posição face às acusação do Ministério Público. “Em assuntos desta natureza e melindre, a opinião a expressar e que irá prevalecer será a do coletivo”, garante o líder do COP.

O Expresso contactou a FPF sobre a continuidade de Hermínio Loureiro no cargo de vice-presidente, mas o organismo que tutela o futebol português frisa que não “comenta o assunto”. Embora quando foi detido em junho de 2017 tenha sido sofrido pressões de alguns dirigentes federativos no sentido de se demitir, Hermínio Loureiro “resistiu a afastar-se”, segundo fonte próxima da FPF, por “contar com o apoio” da maioria da direção.

Ainda de acordo com a mesma fonte, os estatutos da FPF não permitem que os dirigentes sejam suspensos ou demitidos pela direção. O Expresso tentou em vão contactar Hermínio Loureiro.

No processo Ajuste Secreto foram constituídos 68 arguidos, entre eles 10 autarcas e ex-autarcas, quatro clubes desportivos não-profissionais e respetivos presidentes, 20 empresários e 12 sociedades comerciais. O Ministério Público acusa autarcas de Oliveira de Azeméis de um esquema de favores políticos e de beneficiar um empresário amigo, proprietário da Paviazeméis, avança o JN, à revelia das normas da contratação pública.

Neste processo, Hermínio Loureiro já viu arrestados bens no valor de mais de € 50 mil, pedindo o MP um reforço do arresto de bens por conta de perdas ao Estado estimadas em mais de uma centena de milhar de euros.