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Quem é o líder do quê, mesmo?

O Benfica sofreu a bom sofrer para conseguir avançar na Taça, depois de ter estado a perder com o Vizela, líder da série A do Campeonato de Portugal, desde os seis minutos de jogo. Já com dez jogadores em campo, o anfitrião acabou por não conseguir evitar os golos de Raúl de Tomás e Carlos Vinícius

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Gualter Fatia

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O Benfica, além de ser o atual campeão nacional, é o líder da Liga NOS, e é, enfim, o Benfica. O Vizela, sem desprimor, pois claro, é "apenas" o líder da Série A do Campeonato de Portugal, ou seja, do 3º escalão do futebol português, uma prova que nem é totalmente profissional.

Mas, esta noite, em Vizela, ninguém percebeu bem quem era o líder do quê. Porque a verdade é que foi David a superiorizar-se contra Golias, mesmo que, no final, o resultado não o mostre.

Com uma entrada muito personalizada em campo, foi o Vizela a pegar nas rédeas do jogo, aproveitando a enorme passividade benfiquista, particularmente no meio-campo.

Com Zlobin, André Almeida, Jardel, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Samaris, Gabriel, Jota, Chiquinho e Raúl de Tomás, Bruno Lage mostrava que levava a 4ª eliminatória da Taça de Portugal a sério, mas houve quem não o acompanhasse.

Como Gabriel, que, logo aos seis minutos, ficou a ver Samu passar e rematar, à entrada da área de Zlobin, para o 1-0.

Na verdade, o resultado só surpreendia quem não estivesse atento ao jogo. Repetidamente, o Vizela de Álvaro Pacheco - alinhando com Cajó, João Pedro, Aidara, Matheus, Kiki, Zag, Ericson, Samu, Cann, Diogo Ribeiro e Kiko Bondoso - criou problemas ao Benfica, saindo para o ataque de forma assertiva e quase sempre perigosa - Samu voltou a estar perto do golo, aos 15'.

Já o Benfica, além de uma gritante incapacidade para estancar o ataque adversário - teve sempre muitos problemas na transição defensiva -, raramente criou perigo: os únicos lances dignos desse nome surgiram através de dois livres diretos de Grimaldo, por cima da baliza adversária.

Se a noite parecia correr de feição ao Vizela, a história começou a mudar aos 26 minutos. Depois de uma falta sobre Pizzi, Ericson viu amarelo. O problema é que o médio já tinha visto amarelo... seis minutos antes. Ou seja, o Vizela ficou a jogar com 10 jogadores, logo aos 26 minutos.

Aí, a reviravolta do Benfica podia parecer uma questão de tempo, mas a verdade é que mesmo com 10 jogadores foi o Vizela a continuar a ser a melhor equipa em campo. Num contra ataque perigoso após um canto benfiquista, foi Francis Cann quase a fazer o 2-0, mas Zlobin estava atento.

Um remate torto de Jota foi o melhor que o Benfica conseguiu num período em que a desorientação era notória: Grimaldo foi amarelado por reclamar com o árbitro, Gabriel foi amarelado por pontapear a bola com o jogo parado e Bruno Lage chamou Vinícius do banco aos 40 minutos, mas depois decidiu não colocá-lo logo em campo.

Ao intervalo, Vinícius entrou mesmo, para o lugar de um apagado Samaris, mas o Benfica continuou com muitas dificuldades para se superiorizar perante um adversário que nem parecia ter um jogador a menos.

Depois de uma bola de Grimaldo - quase sempre o mais ativo da equipa - à trave, e de um cabeceamento de Vinícius para defesa de Cajó, o Benfica chegou finalmente ao empate, aos 70', numa finalização fácil de RDT na área, depois de um excelente trabalho de Jota no corredor direito.

O Vizela ainda ia tentando sair para o ataque, nunca se limitando a defender o resultado, mas não conseguiria voltar a marcar - e não conseguiria impedir o 1-2, já aos 86'. Depois de um ótimo passe de Caio - entrou para o lugar do também apagado Gabriel -, Vinícius desmarcou-se na profundidade e, perante Cajó, fez o golo.

Estava reposta a "normalidade", por assim dizer, do aspeto teórico da 4ª eliminatória da Taça, com o Benfica a avançar na prova. Mas a verdade é que, na prática, a exibição da noite foi mesmo do Vizela.

E o Benfica, a jogar assim, quarta-feira, com o Leipzig, poderá ter mais uma noite europeia para esquecer.