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Como trespassar uma armadura

O Benfica está nos quartos de final da Taça de Portugal após bater o Sp. Braga por 2-1, num grande jogo de futebol, com incerteza e duas equipas à procura da vitória, como só a Taça nos parece conseguir dar

Lídia Paralta Gomes

Carlos Rodrigues/Getty

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Não tenho uma folha de cálculo Excel com tais dados, nem sequer memória especialmente prodigiosa, mas ninguém me tira que os jogos para as taças entre as principais equipas do nosso campeonato são sempre melhores do que os jogos do campeonato itself. Isto não é ciência e não faltarão jogos que detonem esta minha teoria, mas, aqui entre nós, há qualquer coisa nos jogos a eliminar.

Talvez as questões de vida e morte tornem os homens menos cínicos e mais de peito feito à sua missão. E isso no futebol resulta em jogos mais abertos, menos cerebrais, mais rápidos e menos contidos. Como este Benfica - Sp. Braga foi em muitos momentos.

E percebeu-se rapidamente que o jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal, que aconteceu, curioso, precisamente cinco anos depois de outro Benfica - Sp. Braga para os oitavos de final da Taça de Portugal, ia ser intenso, disputado e equilibrado, com os minhotos a entrarem bem, a condicionarem o Benfica e a ficarem eles próprios muitas vezes com a iniciativa de jogo em pleno estádio da Luz.

O pé de Ferro que involuntariamente se fez a um cruzamento de Sequeira e enviou a bola para a baliza de Zlobin, aos 14 minutos, não foi, portanto, uma surpresa de maior, ainda que por essa altura já o jogo estivesse mais equilibrado. E tão equilibrado estava que o empate do Benfica apareceu logo a seguir, quatro minutos depois, numa jogada em que Vinícius serviu de pivô e de costas para a baliza amorteceu para Pizzi, que ainda fora da área e rodeado de adversários encontrou o espaço para rematar cruzado e colocadíssimo para o golo dos encarnados.

Mesmo sem grandes oportunidades, a 1.ª parte seguiu animada e bem jogada, com as duas equipas em busca da bola e do apuramento para os quartos de final. Até ao intervalo, o Benfica ainda desperdiçou uma grande oportunidade, com Chiquinho a rematar ao poste após uma boa jogada de entendimento pela esquerda com Cervi e Grimaldo.

Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

Entrou melhor o Benfica na 2.ª parte, ainda que com problemas a definir no último terço. Acabaria por ser um erro de Tiago Sá aos 62 minutos a dar o 2.º golo ao da casa: Taarabt lançou Vinícius em velocidade e o brasileiro rematou já praticamente sem ângulo. O guarda-redes do Sp. Braga fez-se mal ao lance e deixou fugir a bola que foi caminhando caprichosa até à baliza.

A jogar em casa, a vantagem poderia significar que o jogo estaria dominado e controlado pelo Benfica, mas não nos podemos esquecer que perante nós estava um jogo de Taça, com todas as características que esses jogos têm e que eu já expliquei no início do texto e por isso não vou repetir. Portanto, ao golo do Benfica, o Sp. Braga respondeu com o seu melhor período na 2.ª parte.

Sá Pinto fez entrar Paulinho depois do golo de Vinícius e o avançado português, numa interessante sociedade com Trincão, criou desde logo perigo. Dois minutos depois de entrar colocou a bola na baliza, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Mas era um aviso, que repetiu aos 77’, quando rematou forte mas por cima da baliza do Benfica.

Os momentos finais do jogo foram de incerteza, com os minhotos à procura do golo e o Benfica a aproveitar as transições para criar perigo, com Chiquinho e Seferovic a estarem muito perto de aumentar a vantagem em lances de contra-ataque.

Mas 2-1 foi o resultado final, com o Benfica a conseguir com dificuldade trespassar a dura armadura dos guerreiros do Minho, que desta vez não estava só no seu futebol mas também no equipamento. E isto num belo jogo de futebol, com emoção até final, como só a Taça de Portugal nos consegue dar. O Benfica segue para os quartos de final e o Sp. Braga regressa a casa com mais uma derrota (a terceira seguida em competições internas), mas pelo menos com a certeza que teria sido, também, um vencedor justo do jogo.