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Boavista alega que a investigação a relações comerciais do clube e SAD “é dano colateral”

Fonte da administração da Boavista assegura que o presidente do clube, Vítor Murta, não tem participação na empresa Fun Addict, detida pelo também arguido no processo Paulo Santos Silva. Investigação em curso da PJ da Direção de Finanças do Porto suspeita que o clube terá servido de plataforma de branqueamento de capitais, através de faturação falsa ou inflacionada

Isabel Paulo

Rui Duarte Silva

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Fonte da administração da Boavista SAD garante ao Expresso que Vítor Murta, constituído arguido esta quarta-feira, após buscas à sede do Estádio do Bessa, não tem “qualquer participação” no universo empresarial de Paulo Santos Silva, sócio-gerente da sociedade de eventos Fun Addict, que apresenta entre a carteira de clientes, além dos axadrezados, a FPF, Liga NOS, FIFA, UEFA, NBA, Adiadas e a Sport Zone.

“O clube e a SAD foram alvos de buscas devido às relações comerciais que mantemos com empresas desses grupo especializado em eventos desportivos, como é o caso do nosso evento Vila do Natal”, refere ao Expresso um dos administradores da SAD, que justifica a constituição de arguido do presidente do clube por ser “o representante legal do Boavista”.

Segundo a mesma fonte, as buscas e a investigação em curso por alegados crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal, que a Polícia Judiciária suspeita possa ter lesado o Estado em pelo menos € 1,4 milhões, “são um dano colateral” ao clube. A eventual participação de Vítor Murta, “direta ou indiretamente”, nas universo empresarial de Paulo Santos Silva - irmão de 'Edu', dono da empresa de segurança SPDE, acusado e ilibado na Operação Fénix, por suspeita de atividade de segurança privada ilegal - é uma das linhas da investigação em curso, segundo apurou o Expresso junto de fonte do processo.

No site da 'Fun Addict', são referidas relações comerciais em 28 países e em 120 cidades, sociedade por quotas que tem por empresa-mãe a 'MAXIMUSMILE - compra e venda de bens imobiliários SA', com uma participação maioritária de 70% do capital, enquanto o arguido Paulo Santos Silva é detentor dos restantes 30%.

De acordo com o apurado até ao momento pela investigação, em causa estará a não entrega da prestação tributária devida, e a sua subsequente ocultação através do desenvolvimento de atividade empresarial relacionada com a realização e gestão de eventos desportivos. Os suspeitos envolvidos na operação serviam-se de diferentes ferramentas, entre os quais a utilização de faturação falsa emitida por empresas nacionais e estrangeiras e a ocultação de proveitos.

Para o branqueamento foram usados mecanismos como a aquisição de bens móveis e imóveis por sociedades exclusivamente constituídas para o efeito, assim como o investimento em organizações desportivas, com conluio de agentes desportivos.

Neste processo, foram ainda constituídos arguidos Mário Santos Paiva, ex-advogado da Liga de Clubes, e Israel Costa, amigo de Paulo Santos Silva. Segundo o "Jornal de Notícias", manteria ligações de negócios com o dono da 'Fun Addict', tendo visto dois cofres bancários seus sido alvo de buscas da Judiciária.