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O caso Rúben Amorim: o que é preciso para ter o nível IV de treinador? Tempo

Rúben Amorim, sabe a Tribuna Expresso, tem o curso de treinador nível II e, para chegar ao IV grau exigível para, formalmente, ser o treinador principal na ficha de jogo. O que poderá demorar o tempo estipulado (até junho de 2022) no contrato que agora assinou com o Sporting de Braga, porque a escalada de um técnico de futebol pelos cursos, formações e estágios exigidos (e criticados por António Salvador) assim o obrigam

Diogo Pombo

HUGO DELGADO/Lusa

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“Não se pode estar 8 anos à espera para se tirar o curso. Isso é que deve ser discutido em fóruns. É um problema do futebol português.”

Indignado, assertivo e desgostado, António Salvador criticou o alarido criado em torno das habilitações de Rúben Amorim, por o treinador, que apresentava em pleno púlpito, não ter o nível IV e último da hierarquia de cursos da UEFA, exigível pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional para quem queira treinar na primeira divisão. Ou, na prática, para quem pretenda comparecer a todas as flash-interviews como tal e estar registado, na ficha de jogo, como o treinador principal.

O que aconteceu com Paulo Bento, nos tempos de Sporting, e sucede agora com Silas, no mesmo clube, verificar-se-á com Rúben Amorim no Braga - ser o treinador principal no dia-a-dia de treinos, planeamento, palestras e cadeia de comando, mas aparecer nos registos, fichas de jogo e relatórios da Liga e da federação com outro cargo. No caso do novo treinador do Braga, ainda deverá durar algum tempo

A Tribuna Expresso apurou que Rúben Amorim foi inscrito na Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), no início da época, com o grau II (UEFA B), não estando, sequer, elegível para se candidatar ao curso de nível IV que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) realizará em maio de 2020.

O técnico, aliás, poderá apenas ter o último grau exigível na altura em que terminar o contrato que agora assinou com o Braga, em junho de 2022.

É a travessia temporal lamentada por António Salvador, defendida pela ANTF e um quê indiferente para a Liga, a bem da “autoregulação dos clubes”. Quem, hoje e agora, deseje virar treinador de futebol e consiga trepar a escarpada escalada, sem interrupções, até ao topo, demorará os tais oito anos devido à carga horária dos cursos e dos estágios a que cada um obriga.

O técnico, aliás, poderá chegar ao último grau exigível (também conhecido por UEFA “Pro”) apenas na altura em que terminar o contrato que agora assinou, com o Braga, em junho de 2022.

É a travessia temporal lamentada por António Salvador, defendida pela ANTF e um quê indiferente para a Liga, a bem da “autoregulação dos clubes”. Quem, hoje e agora, deseje virar treinador de futebol e consiga trepar a escarpada escalada, sem interrupções, até ao topo, demorará os tais oito anos devido à carga horária dos cursos e dos estágios a que cada um obriga.

HUGO DELGADO/Lusa

O curso I (UEFA C) e o II (UEFA B), que podem ser tirados na FPF ou em qualquer associação distrital de futebol do país, desenhados pelo Programa Nacional de Formação de Treinadores do IPDJ (Instituto Português do Desporto e da Juventude), exigem dois anos cada um - ambos têm uma componente de formação (respetivamente 82 horas e 122 horas, no mínimo), seguida de um estágio obrigatório, a cumprir na época seguinte.

O mesmo acontece com o grau III (UEFA A) e IV (UEFA “PRO”), em que a carga horária aumenta, mas a divisão temporal, de dois anos, é a mesma. Dependendo de alguns critérios - por exemplo, os anos feitos, enquanto jogador, na primeira divisão -, a UEFA autoriza alguns cursos B+A, que permitem acumular os graus II e III de uma vez. Em Portugal, já foram realizados dois, o último entre maio e junho deste ano, organizados pela FPF.

Na Associação de Futebol de Lisboa, os cursos dos primeiros dois níveis custam 850€ e 1100€. Fora os gastos, quem se inscrever precisará de tempo para completar a formação e o estágio, coisa que para um jogador nem sempre é possível, se quiser dar andamento à tarefa, imbróglio abordado por Silas, na época passada, ainda como treinador do Belenenses SAD:

“Um jogador como eu, que joguei até aos 40, por acaso tive a preocupação de fazer o primeiro e segundo nível, só não fiz o terceiro porque não me deixaram porque diziam que tinha de ter dois anos de experiência a treinar. Agora um jogador que jogue até aos 40 e não tenha essa preocupação, vai demorar 10 anos para ser treinador? Vai treinar aos 50? Mas quem é que dá oportunidade a alguém para treinar aos 50? Há aqui alguma coisa que está errada…”

Depois, há o berbicacho de quem termina a fase da formação conseguir, logo, arranjar lugar na equipa técnica em alguma equipa, de um clube, para ter as horas obrigatórias de estágio. Por norma, cada pessoa procura-o sozinha, mas, caso não seja capaz, as associações distritais de futebol podem dar uma ajuda.

No caso de Rúben Amorim, o técnico poderá cumprir essa exigência na própria equipa que, de facto, treina.