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Tudo o que tu consegues fazer, eu consigo fazer melhor

Depois de ver o Benfica começar a perder e dar a volta ao Aves, o FC Porto decidiu imitar o rival - mas fazendo ainda mais e melhor, já que esteve a perder (1-0), deu a volta (1-2), voltou a deixar-se travar (2-2) e depois encerrou o jogo definitivamente na 2ª parte (2-4), fechando um capítulo em Moreira de Cónegos que era negro: os portistas não venciam em casa do Moreirense, para a Liga, desde 2015

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MIGUEL RIOPA

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Começou por ser um musical da Broadway, em 1946, e rapidamente evoluiu para uma versão cinematográfica, em 1950, assim como para uma série de remakes e diversas variações, ao longo dos anos: no musical norte-americano "Annie get your gun", Annie Oakley e Frank Butler lutavam, figurativamente falando, para saber quem fazia o melhor o quê.

A música "Anything you can do (I can do better)" passou a ser um clássico intemporal e, na sua essência, a história que contava era esta:

tudo o que tu consegues fazer, eu consigo fazer melhor do que tu; eu consigo fazer tudo melhor do que tu.

Foi mais ou menos isto que o FC Porto "disse", esta noite, em Moreira de Cónegos, ao Benfica - que, ainda assim, segue com mais quatro pontos do que os portistas, na liderança da Liga. O Benfica começou a perder, na Luz, com o Aves, e deu a volta ao marcador, ganhando por 2-1. O FC Porto foi ainda mais além: o jogo mal tinha começado quando o Moreirense se colocou em vantagem, os portistas deram a volta, depois deixaram-se empatar, mas, por fim, consumaram a reviravolta com um 2-4 que não deixou dúvidas a quem viu o jogo, e a quem torcia o nariz ao histórico recente do FC Porto em Moreira de Cónegos: ali já não se via uma vitória azul e branca, para a Liga, desde 7 de fevereiro de 2015, quando Julen Lopetegui ainda era o treinador e Casemiro e Jackson Martínez os goleadores de serviço.

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Esta noite, a equipa de Sérgio Conceição - a mesma que entrou em Alvalade para o clássico, com exceção para a dupla (inédita) de centrais, que já se sabia que ia ser Mbemba e Diogo Leite, dada a lesão de Pepe e o castigo de Marcano - até nem entrou bem no jogo: logo aos três minutos, Marega e Nakajima desentenderam-se no meio-campo, que é como quem diz que embateram um no outro, literalmente falando, e o Moreirense aproveitou para se lançar rapidamente num contra ataque rápido que culminou num golo de Fábio Abreu.

A equipa de Ricardo Soares - que também não pôde contar com dois importantes titulares, Steven Vitória e Luther Singh, por lesão - entrava melhor no jogo e ia pressionando o FC Porto: Pedro Nuno obrigou Marchesín a uma excelente defesa e, logo depois, Iago até fez o 2-0, mas o central tinha feito falta sobre o guarda-redes portista.

A reação do FC Porto começou a sentir-se a partir dos 15 minutos, com Nakajima sempre em destaque no ataque, mas o golo só chegaria à meia-hora de jogo: depois de um cruzamento de Corona, Soares fez o mesmo que fez em Alvalade para decidir o clássico, ou seja, saltou e cabeceou para dentro da baliza, antecipando-se aos centrais adversários.

Conseguido o empate, os portistas continuaram a carregar e, aos 38 minutos, Corona, já dentro da área, foi atingido por Conté: penálti que Alex Telles concretizou, para a reviravolta.

MIGUEL RIOPA

O jogo parecia então ter nova toada - claramente portista - mas o Moreirense iria surpreender, já em cima do intervalo, com um golo caído... de um cruzamento. João Aurélio, pela direita, endereçou a bola para a área portista, mas nem os centrais à frente de Marchesín nem Fábio Abreu, também nas redondezas, lhe tocaram, e a bola acabou por ir parar ao fundo das redes da baliza.

A cara de espanto de Sérgio Conceição dizia tudo - Luis Diaz, Manafá e Aboubakar foram logo para aquecimento -, mas o resultado voltaria a compor-se para os portistas, já aos 72 minutos, depois de várias tentativas, por parte de Nakajima e Soares.

Proveniente do banco, tal como já tinha acontecido em Alvalade, Luis Diaz voltou a ser decisivo para a reviravolta e, desta vez, foi mesmo o protagonista do 3-2, com um golo com a coxa, ao segundo poste, depois de uma assistência de Marega.

Ricardo Soares enviava então mais um avançado para o campo - David Texeira -, mas seria o FC Porto a consolidar a vitória, com um grande remate de Corona, pela direita, para o 4-2, aos 85 minutos - o agora lateral direito portista, um dos melhores em campo, só borraria a pintura já nos descontos, ao ser expulso, por acumulação de amarelos.

Quase cinco anos depois, o FC Porto voltou a vencer em Moreira de Cónegos, para a Liga, e mantém assim assim a perseguição ao líder Benfica, uma semana antes de ver o rival visitar Alvalade - no mesmo dia em que os portistas recebem o Sporting de Braga.