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Quem precisa de reforços quando tem Adel Taarabt?

No dia em que o mercado de inverno encerra (e em que o Benfica assegurou Dyego Sousa), depois de uma 1ª parte pouco conseguida, em que Taarabt foi o único a brilhar, a equipa de Bruno Lage colocou-se em vantagem, com dois golos, mas o Belenenses SAD ainda complicou as contas na Luz, reduzindo e reentrando na discussão do resultado até ao final (3-2)

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Taarabt e os seus dentes (antes de sábado)

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Não chegou neste mercado de inverno, nem sequer esta época - às vezes até nos esquecemos, mas ele entrou na Luz, rotulado de craque, já lá vão quase cinco anos, em 2015/16.

Só que as épocas passaram e ele teimou em confirmar as queixas que já antes tinham dele: que não treinava bem, que não se esforçava, que não queria, no fundo, nada com aquilo.

Em 2015/16, só jogou mesmo pela equipa B do Benfica, em sete ocasiões, marcando então o seu primeiro golo.

Em 2016/17, emprestado ao Génova, a regularidade também foi escassa: só foi utilizado em seis jogos.

Em 2017/18, já teve uma época mais "normal", completando 23 jogos, a melhor marca que tinha desde 2012/13, quando somou 33 presenças - e se notabilizou - no QPR.

Em 2018/19, voltou a começar o ano na equipa B do Benfica, sendo utilizado em três jogos, e saltando, eventualmente, para a equipa principal, reabilitando-se com a ajuda de Bruno Lage, em ambas as equipas, e somando sete jogos.

E foi assim que, finalmente, em 2019/20, Adel Taarabt se tornou um enorme reforço para o Benfica - já lá vão 24 jogos esta época, muitos deles como o homem providencial a liderar a equipa para a vitória, como aconteceu esta sexta-feira à noite, na Luz, perante o Belenenses SAD.

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Sendo a única novidade no onze do Benfica, por troca com Gabriel (Odysseas, Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Weigl, Taarabt, Pizzi, Cervi, Rafa e Vinicius), Taarabt protagonizou, na 1ª parte, a exibição que a equipa necessitava para se superiorizar ao Belenenses SAD agora treinado por Petit.

Não foi, na verdade, uma parte propriamente brilhante do Benfica, em termos coletivos, mas a liderança de Taarabt foi guiando a equipa para a área contrária, tanto em condução como através de passes longos, para procurar ultrapassar a muralha do Belenenses SAD, disposto em 5-4-1 - mas, ainda assim, a procurar condicionar a construção do Benfica logo lá na frente, por vezes em 5-2-3.

Depois de um livre direto para cada lado - André Moreira defendeu o de Grimaldo e Odysseas defendeu o de Silvestre Varela -, foi o Benfica a ter a primeira grande oportunidade, na sequência de um ressalto num canto, quando André Almeida, sozinho na área, rematou por cima.

Sem grande volume ofensivo, o Benfica primou pela eficácia, marcando, aos 31 minutos, na primeira jogada bem conseguida, que começou nos pés de Taarabt: Cervi cruzou, Vinicius cabeceou à trave e, na recarga, o avançado brasileiro insistiu e fez o 1-0.

Depois de um grande remate de Rafa de fora da área, para defesa de André Moreira, o Benfica atravessava o melhor período do jogo e chegava ao 2-0, na sequência de um canto, semelhante ao golo anterior, mas com outros protagonistas: Pizzi cruzou, André Almeida cabeceou para o centro da área e Taarabt apareceu a rematar.

O marroquino de 30 anos fez, com um remate potente, o seu primeiro golo pelo Benfica e tranquilizou os adeptos, assegurando uma vantagem de 2-0 mesmo antes do intervalo.

Só que as vantagens, podendo tranquilizar quem as tem, também podem servir de narcótico - e que o diga o Benfica de Bruno Lage, que já tinha, precisamente contra o Belenenses SAD, na época passada, desperdiçado um 2-0 na Luz, ainda nos tempos em que Silas liderava a equipa.

Esse fantasma começou a assombrar o líder na 2ª parte, quando Varela, Show e Cassierra rondaram a baliza de Odysseas - grandes defesas -, naquele que foi o melhor período do Belenenses SAD no jogo.

Aos 70', já com Chiquinho em campo, por troca com Pizzi - Bruno Lage tentava que a equipa tivesse mais bola para controlar o jogo, mas a tarefa parecia difícil -, a equipa de Petit reduziu, através de um toque a meias entre Ferro e Licá, na área, após um cruzamento de Silvestre Varela.

O Belenenses SAD, 15º da tabela, ganhava novo ânimo, mas o Benfica iria aumentar a vantagem: Weigl encontrou Vinicius com um passe vertical e o avançado isolou Chiquinho, que fez o 3-1.

O jogo parecia então finalmente resolvido, mas os visitantes ainda voltariam a assustar: o árbitro entendeu que Rafa derrubou Varela na área e Licá concretizou o penálti.

Os últimos minutos na Luz foram então de sobressalto, com o Belenenses SAD a tentar aproximar-se da baliza de Odysseas e o guardião benfiquista a ter de resolver situações apertadas, particularmente depois de um (mau) passe atrasado de André Almeida (jogo para esquecer..).

Ainda assim, a vantagem manteve-se e o Benfica pôde, assim, respirar de alívio: mantém a vantagem para o FC Porto - aliás, até os portistas jogarem, sábado, em Setúbal, aumentou-a, para 10 pontos -, precisamente antes de ir ao Dragão, a 8 de fevereiro, para a 20ª jornada da Liga.