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Com mais ou menos problemas, está garantido o Jamor

Três anos depois, o Benfica está de volta ao Jamor, apesar de ter empatado - e de ter sofrido - em Famalicão (1-1). Valeu à equipa de Bruno Lage a vitória da 1ª mão, na Luz (3-2)

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"Conseguimos esconder os nossos problemas durante um ano, mas agora estão mais visíveis porque estamos a sofrer golos. Nós temos pontos fracos, tal como os nossos adversários, e eles conseguem perceber isso na análise dos nossos jogos. Durante muito tempo conseguimos esconder isso… Agora é trabalhar para ser o mais competente possível em todos os momentos."

- Bruno Lage, na conferência de imprensa de antevisão do Famalicão-Benfica, a propósito dos (muitos) golos que a equipa tem sofrido

Não é preciso saber de futebol para perceber a frase que se segue: quem feio ama, bonito lhe parece. A analogia é simples e explica-se deste modo: no futebol, enquanto se vai somando vitórias, é difícil antever defeitos de qualquer espécie, particularmente aos adeptos e agentes desse clube.

Mas, quando as derrotas batem à porta, como aconteceu com o Benfica no Dragão, o caso muda de figura - até porque, mesmo não perdendo, têm sido recorrentes os jogos em que os benfiquistas tremem na defesa. Aconteceu na Luz, na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, frente ao Famalicão, mas, então, o Benfica conseguiu na mesma superiorizar-se nos golos marcados: 3-2.

Esta noite, em Famalicão, na 2ª mão, foi mesmo esse detalhe a fazer a diferença, porque, de resto, houve muito pouco Benfica para ver. Ou, utilizando as palavras de Bruno Lage, a verdade é que os problemas do Benfica estão cada vez mais visíveis... mesmo com a equipa a avançar para a final da Taça de Portugal.

Numa noite marcada pelo regresso de Florentino - já não jogava desde 21 de dezembro de 2019, frente ao Vitória de Setúbal, para a Taça da Liga -, o onze do Benfica até não fugiu muito do habitual (Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Florentino, Taarabt, Cervi, Rafa e Vinícius), mas a exibição ficou muito aquém do que a equipa de Bruno Lage já fez esta época.

Na verdade, depois de uma boa entrada da equipa da casa, que esteve sempre a um nível mais consistente na partida, o Benfica conseguiu fazer o 1-0 logo no primeiro - e único... - remate enquadrado à baliza de Vaná.

Aos 24', aproveitando um mau passe de Riccieli, Pizzi recuperou a bola, lançou Vinicius no corredor e, de seguida, já no interior da área, rematou para golo.

A vantagem dava muito mais conforto à equipa de Bruno Lage, que aumentava assim a liderança na eliminatória, obrigando o Famalicão a ter de marcar pelo menos mais dois golos.

E a equipa de João Pedro Sousa bem tentou: somou ataque e oportunidades - bem mais do que o Benfica - e chegou mesmo a marcar naquela que parecia ser a altura ideal, antes do intervalo. Contudo, o lance que deu em golo de Patrick seria invalidado pelo VAR, por fora de jogo de Gustavo Assunção. Antes, o abono de família tinha sido Odysseas, que impediu os golos de Toni Martinez e Diogo Gonçalves.

Na 2ª parte, a toada acentuou-se. O Famalicão empurrou o Benfica para junto da própria área e o MVP do jogo passou a ser muitíssimo claro: Odysseas Vlachodimos. O guarda-redes do Benfica defendeu praticamente tudo, independentemente dos intervenientes, e foi essencial para suster o ímpeto com que o Famalicão entrou na 2ª metade.

Com o 1-0 a manter-se, o ritmo foi baixando - nesta altura, o Benfica já só saía para o ataque em transições, mas sem criar qualquer perigo - e João Pedro Sousa tentou tudo para inverter a tendência, mudando então o 4-3-3 habitual da equipa para um 3-5-2.

O balanceamento ofensivo iria dar frutos, com Toni Martinez finalmente a marcar, após grande passe de Diogo Gonçalves para a área, aos 78'.

Contudo, o tempo já escasseava e, até final, o empate manteve-se - também por "culpa" do Benfica, que pouco mais fazia do que ir tentando suster as ofensivas do Famalicão, gelando o jogo sempre que possível.

Mesmo com uma exibição pobre, o Benfica está, assim, novamente numa final da Taça de Portugal, três anos depois da última vez em que esteve no Jamor, quando venceu o Vitória de Guimarães, por 2-1. Resta saber quem será o outro finalista: Académico de Viseu ou... FC Porto?