Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Fábio Martins: “O ódio existe. Vamos para casa e não ligamos a TV para que os nossos filhos não pensem que o pai matou alguém”

Não é a primeira vez que Fábio Martins usa as redes sociais de forma honesta, direta e frontal. Um dia após o jogo com o Benfica, o extremo do Famalicão escreveu uma espécie de lamento ao que vai e está mal no futebol, em Portugal: “Acreditem que o ódio que existe no futebol português, não somos nós jogadores quem o criamos”

Diogo Pombo

NurPhoto

Partilhar

Fábio Martins tem por hábito expressar-se nas redes sociais. Fá-lo de maneira quase informal, usa um estilo frontal e desformatado, pronuncia-se sobre os jogos em que participa, o que achou deles, responde a adeptos e cidadãos e, pronto, é uma pessoa normal, mesmo sendo futebolista do Famalicão e aparecendo, todas as semanas, na televisão. Seja contra os ditos grandes ou outras equipas de nível superior, igual ou inferior ao Famalicão, ele está acostumado a dizer para fora o que pensa dentro da cabeça.

Esta quarta-feira, Fábio Martins escreveu um longo texto, versando sobre o que acha que vai e está mal no futebol em Portugal, um dia após o Famalicão empatar (1-1) com o Benfica, mas ser eliminado nas meias-finais da Taça de Portugal, perdendo no somatório dos golos. Num dia em que muito se discutem as arbitragens e o gesto que um árbitro auxiliar fez, com a mão, ao confirmar-se que uma decisão sua tinha sido correta.

Escreveu-o como "palavras para o futebol português" que, aparentemente, terá levado a mal as palavras que já dissera na flash interview do jogo, com as quais opinou que o Famalicão foi melhor que o adversário em ambos os encontros. "Repito, na minha opinião, fomos claramente superiores e merecíamos ter passado a eliminatória. Ponto. Respeito quem possa pensar o contrário, mas esta foi rigorosamente a minha forma de ver os dois jogos", justificou-se, esta quarta-feira, via Facebook e Twitter.

Fábio Martins prolongou a sua prosa para explicar que "um jogo de futebol tem vários momentos e tem como essência mexer emocionalmente com as pessoas" e deixar uma garantia - "acreditem que o ódio que existe no futebol português não somos nós (que somos os protagonistas) que o criamos".

Porque, continuou, quando a partida termina, os jogadores conversam, trocam de camisolas, desejam sorte mútua e seguem com a vida. “Vocês têm de perceber que somos HUMANOS. Não somos máquinas infalíveis, não temos um chip que nos diferencia de vocês. Nós somos apenas pessoas perfeitamente normais que fazem do futebol o nosso trabalho”, acrescenta o jogador.

O texto acaba com a crua constatação de uma consequência do que se fala, da maneira como se fala e da insistência com que se fala: "Somos homens que, depois de dar o litro no relvado, vamos para casa e não podemos ligar uma televisão, temos de afastar os computadores dos nossos filhos, para que eles não fiquem a pensar que o Pai matou alguém. Porque é isso que parece que transmitem, com as mensagens que escrevem".

E sim, diz Fábio Martins no exemplo de frontalidade e honestidade que acaba de dar, “é por este tipo de situações que vocês percebem que os jogadores têm de ir com um discurso mecanizado”.

O texto de Fábio Martins, na íntegra: