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Há um segundo Sérgio no Porto. E isso é bom para o Sérgio original

O FC Porto - Académico de Viseu estava prenunciado como um jogo protocolar, daqueles em que o desnível entre equipas é demasiado acentuado para permitir uma pequena surpresa, independentemente do contexto. Ficou 3-0 e a final da Taça de Portugal será um jogo rijo e intenso

Pedro Candeias

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O FC Porto - Académico de Viseu estava prenunciado como um jogo protocolar, daqueles em que o desnível entre equipas é demasiado acentuado para permitir uma pequena surpresa, independentemente do contexto. Não que estas não apareçam, ainda por cima em competições a eliminar, mas a fase em que portistas e beirões se iam encontrar resulta geralmente favorável para o favorito.

Pois que não houve então algo a assinalar na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal: o FC Porto ganhou por 3-0, com um golo marcado numa primeira-parte para lá de aborrecida, e dois na segunda-parte, já depois de Sérgio Conceição ter provavelmente agitado o balneário - e, acima de tudo, depois de Sérgio Oliveira ter entrado em campo para substituir Uribe, aos 56’.

A partir de então, o FC Porto foi mais criterioso na escolha dos espaços a ocupar, e deixou para trás o guião dos primeiros 45’, em que a coisa se processou invariavelmente da seguinte maneira: abrir os flancos para alargar a defesa a cinco do Académico, cruzar ou esperar por um médio que fizesse um movimento interior.

Previsível e chato, o FC Porto até fez o 1-0 num penálti batido por Alex Telles, após um lance pouco claro em que Zé Luís caiu na área - e este foi o primeiro lance de perigo real do encontro e aconteceu aos 19’.

Depois, o rame-rame do FCP prosseguiu, talvez anestesiado pelo Clássico, talvez a pensar no jogo em Guimarães; ou talvez apenas suficientemente seguro das probabilidades que penderiam para o seu lado, em qualquer dos casos. Um cálculo amparado, igualmente, pelo andamento do jogo e pelos recursos curtos do adversário: o Académico limitava-se a defender e a ensaiar contra-ataques, lançando João Mário em sprints vigorosos contra os centrais portistas. Só que João Mário, que tem escola de Benfica e é valente, tem também poucos golos na carreira (oito nas últimas seis épocas) e estaria previsivelmente só no ataque.

A seguir, na segunda-parte, com Sérgio Oliveira no meio-campo e com a obrigação natural do Académico de tentar algo mais, o FC Porto aproveitou melhor o que lhe foi aparecendo pela frente: dois remates, de Díaz e de Corona, defendidos exemplarmente por Ricardo Fernandes e um cruzamento de autor de Telles para a cabeça de Zé Luís - e para o 2-0. A meia-final estava fechada e a final seria um rijo FC Porto - Benfica; tudo o que viesse até aos 90’, seria currículo para o discreto Sérgio Oliveira, cuja taxa de eficácia tem subido consideravelmente, pois nos últimos quatro jogos a titular fez três golos.