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Futebol nacional

Marega: Já foram identificados dez adeptos suspeitos de racismo. E o número vai aumentar

Imagens das câmaras de videovigilância do estádio D. Afonso Henriques cedidas às autoridades estão a ser essenciais para identificar os adeptos racistas que insultaram o jogador maliano do FC Porto

Hugo Franco e Rui Gustavo

HUGO DELGADO/Lusa

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A PSP confirmou à Tribuna Expresso que já identificou cerca de dez suspeitos de insultos racistas ao jogador do FC Porto Moussa Marega. Fonte da Polícia garante que estão a ser desenvolvidas diligências, juntamente com o Ministério Público de Guimarães, para serem identificar mais adeptos racistas.

À Tribuna Expresso sabe que as imagens das câmaras de videovigilância do estádio D. Afonso Henriques, cedidas pelo clube minhoto às autoridades, estão a ser essenciais para se perceber quais foram os adeptos que entoaram cânticos, imitaram macacos e gritaram palavras de teor racista e xenófobo ao atleta maliano.

Moussa Marega começou a ouvir insultos dos adeptos vimaranenses ainda durante o treino de aquecimento antes do jogo que opôs o FC Porto ao Vitória de Guimarães. Durante o jogo, alguns adeptos, num número exato ainda por determinar, continuaram com as ofensas ao jogador. De acordo com fonte próxima do processo, as ofensas partiram sobretudo da bancada nascente, na zona central do estádio, onde se sentam os adeptos comuns, embora também tenham sido proferidas no topo sul, local destinado à claque vitoriana, os White Angels.

Marega decidiu abandonar o jogo aos 71 minutos, em protesto contra os insultos de que estava a ser alvo das bancadas, já depois de ter marcado o segundo golo do FC Porto contra a equipa da casa. Uma atitude inédita no futebol português.

O árbitro Luís Godinho escreveu no relatório enviado à Liga o que toda a gente presenciou no estádio do Vitória Sport Clube: Marega foi insistentemente insultado por alguns adeptos locais.

O juiz da partida, numa primeira instância, não se terá apercebido do que se estava a passar, mas, aquando de uma marcação de um livre, aos 68 minutos, tomou conta dos apupos e dos sons imitando macacos provenientes da bancada, transmitindo imediatamente essas informações ao delegado ao jogo. Nesse momento, ter-lhe à comunicado que o jogo teria de ser interrompido, mas posteriormente foi apanhado no turbilhão de acontecimentos que se sucederam.

Em entrevista à RMC, uma estação de rádio francesa, o atleta disse que o que mais o chocou foi o episódio de racismo ter acontecido em Guimarães e no campo de um clube "que sempre respeitou". Na mesma entrevista, Marega recorda o momento em que saiu do relvado: "Os meus companheiros de equipa, ao início, não compreenderam a minha reação. Acho que ficaram chocados quando me viram a abandonar o campo. A primeira reação foi tentarem acalmar-me. Já me conhecem muito bem desde que estou no FC Porto. Foi muito duro. Disseram para me acalmar, mas disse-lhes que não ia continuar a jogar ali."

Em comunicado, o Vitória de Guimarães anunciou que está a colaborar com Polícia de Segurança Pública e Procuradoria-Geral da República para identificar os responsáveis dos atos racistas contra Marega. O clube vincou ainda a "intenção de se constituir assistente no âmbito dos processos desencadeados pelas autoridades judiciais competentes", tendo ainda confirmado a "disponibilização das imagens do sistema CCTV do recinto desportivo", que "não se avariou e se mantém em bom estado de funcionamento".

O Vitória de Guimarães frisou ainda que "o racismo é um ato de traição à fundação do clube", perante o qual, acrescentou, o clube e os seus adeptos serão "verdadeiramente implacáveis", mas criticou as "declarações simplistas de repúdio e censura seletivas" de "entidades com responsabilidade governativa" sobre um problema de "dimensão nacional", que "se repete há vários anos em diversos estádios".