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Futebol nacional

Caso Marega: Parlamento aprova audições do MAI, secretário de Estado, Liga de Futebol e Autoridade para a Prevenção da Violência

O requerimento do PCP foi aprovado esta quarta-feira por unanimidade no Parlamento durante a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias

Liliana Coelho

MIGUEL RIOPA

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Os deputados aprovaram esta quarta-feira por unanimidade as audições do ministro da Administração Interna, do secretário do Estado do Desporto, da Liga Portuguesa de Futebol e Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto na sequência dos insultos racistas de que foi alvo o jogador do FC Porto Moussa Marega, no passado domingo, em Guimarães.

Apenas os deputados do PAN, da Iniciativa Liberal e do Chega não votaram a proposta porque não estavam presentes na sala onde decorria a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Inicialmente, o requerimento do PCP propunha que os deputados ouvissem apenas o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o secretário do Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, e o presidente da Liga Portuguesa de Futebol, Pedro Proença. No entanto, o líder parlamentar do CDS, Telmo Correia, sugeriu ao PCP que a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto fosse também ouvida no âmbito deste processo. Sugestão que foi aceite por parte do deputado comunista António Filipe. As audições dos dois membros do Governo deverão ser em conjunto.

“O objetivo desta proposta tem a ver com o que se passou no passado fim de semana: os insultos racistas de que foi alvo Marega, do FCP. A impunidade com que se passam coisas destas com alguma frequência não pode continuar”, declarou António Filipe, frisando que noutros países estes episódios são tratados ao “mais alto nível”, enquanto em Portugal as coimas são “leves”.

A deputada do BE Beatriz Dias sustentou que é vital discutir a “normalização” da violência no desporto, não se devendo limitar o debate apenas ao futebol.“O modo reiteradamente como estes comportamentos foram permitidos e a passividade e o modo ligeiro como são assumidos” exige segundo a bloquista a necessidade de se assumir uma “posição de intransigência”.

Também o deputado centrista Telmo Correia alegou que é fundamental debater os casos de ódio e de violência geral no desporto, uma “situação inadmissível à luz dos nossos valores”.

A deputada não inscrita Joacine Katar Moreira alertou por sua vez para a necessidade de se reforçar o combate ao racismo e à xenofobia dentro e fora do desporto, mesmo após o “interesse mediático” do caso Marega. “Não vale a pena falarmos só sobre racismo unicamente quando se refere ao futebol. Andamos a assistir há meses a situações gravíssimas e nenhum partido achou grave isso”, defendeu a deputada não inscrita, advertindo para os episódios de racismo protagonizados não só por indivíduos, mas elementos que representam instituições do Estado.

Isabel Moreira (PS) reconheceu também que existe no país um problema de racismo “estrutural” e “sistémico”, sublinhando que Marega não foi a primeira vítima mas apenas o “primeiro exemplo mediático” que teve a coragem de dizer “basta” à situação no campo.

Na terça-feira, a líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, já tinha apelado a uma condenação unânime do Parlamento aos insultos racistos de que foi alvo o avançado Marega.

Recorde-se que o Ministério Público já abriu um processo sobre o caso, que está a ser investigado no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Guimarães.