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Carlos Carvalhal: "Nem tudo corre bem quando o resultado é favorável, nem está tudo mal quando está desfavorável"

O treinador do Rio Ave falou e explicou futebol, após o empate (1-1) com o FC Porto, alongando-se sobre os conceitos de jogo da equipa, o que pediu aos jogadores ao intervalo e em que consistia o sistema escolhido para este jogo. E salientou, ainda, que a equipa igualou o recorde de nove jogos sem perder no campeonato

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As congratulações, primeiro

"Dar os parabéns aos meus jogadores, estamos a fazer um percursos muitíssimo bom. Fizemos uma primeira volta com 25 pontos, estamos a melhorar, a equipa está a atingir um nível de maturação muito maior. E dar-lhes os parabéns pelos nove jogos de invencibilidade, quebra-se um borrego com 35 anos. O grupo é pequeno, não tenho muitas opções, foi a nossa opção, mas era importante referir isto."

Depois, o jogo

"Temos que perceber quem temos na nossa equipa. Não mudámos a identidade, mas, com jogadores diferentes, alteram-se as dinâmicas. Ter o Felipe Augusto e o Diego Lopes, pressupões um jogo mais elaborado, de passe curto, rendilhado, bonito e de posse. Com o Mehdi, o Lucas e o Nuno, a intencionalidade era manter o nosso padrão e tentar jogar, o FC Porto é a equipa mais forte do campeonato a jogar no seu terreno, é muito forte e bem trabalhada.

Estudámos bem o adversário, bloqueámos o jogo interior e obrigámo-los a irem para os corredores. Sabíamos que iriam existir muitos cruzamentos, tivemos capacidade para anular muitos, mas nunca deixámos de jogar, espreitar a oportunidade de jogar em posse, sempre que possível. Na segunda parte foi um pouco mais difícil, fruto da transição defensiva muito forte do FC Porto a recuperar bolas, só o voltámos a conseguir com a entrada do Dala e do Mané é que conseguimos respirar.

Se calhar, nesses últimos 10 minutos, poderíamos ter conseguido um golo, algo injustamente, porque o FC Porto também fez muito para conseguir chegar à vitória. Acima de tudo, foi um jogo bem conseguido da nossa parte, com um padrão diferente de posse que temos evidenciado, mas, com outro momento que temos trabalhado desde o início do ano, as transições ofensivas, fomos sempre uma ameaça à organização defensiva do FC Porto."

O sistema adotado

"A ideia era, no momento do FC Porto sair de trás, a jogar, subirmos o Figueiras para fazer um triângulo no meio campo e ficar com três jogadores na frente para condicionar a saída e ficarmos com quatro jogadores atrás. Se o FC Porto passasse essa nossa linha de pressão, o Figueiras fechava o corredor e o Nélson Monte vinha fechar por dentro.

Existem poucas análises ao Rio Ave, acho normal, não é uma equipa grande, mas quem estiver um pouco atento ao nosso trabalho e ao que propusemos no início do ano, dissemos que seria uma equipa a viver de conceitos, não de sistemas, logo, isto é uma situação trabalhada. Como jogar com linha de três ou de quatro, ou com dois pontas de lança. Ao invés de prepararmos a equipa com um sistemas, preparamo-la com conceitos de jogo.

De início, não foi fácil, foi uma mudança muito grande, mas os jogadores perceberam isto. Dissemos-lhe que seriam melhores jogadores, que teriam uma evolução grande no seu jogo. Fico muito satisfeito porque temos jogadores muito valorizados, com uma compreensão tática do jogo muito alta, que, para o ano, permitirá a muitos estarem a jogar em grandes clubes."

Rio Ave não tremeu

"Nem tudo corre bem quando o resultado é favorável, nem está tudo mal quando está desfavorável. Ao intervalo tentámos corrigir algumas coisas, mas a agressividade positiva e a transição do FC Porto na segunda parte causo-nos dificuldades a sair. Estávamos preparados para defender mais em cima, para circular a bola mais rápido e afundá-la nos corredores laterais, para obrigar o FC Porto a vir e descobrir o outro corredor.

Uma ou outra vez, com alguma passividade e circulação lenta, o FC Porto bloqueou o nosso jogo. Ao intervalo, disse-lhes que conseguimos jogar mais e fazer melhor. Não jogámos contra uma equipa qualquer, o nosso plano era ficar mais com a bola, a nossa proposta era essa, mas temos que perceber que, do outro lado, está uma equipa forte, que nos pressionou muito, que recuperou muitas bolas e nos obrigou a jogar mais atrás do que gostaríamos. O FC Porto fez tudo para ganhar, mas, depois, com o Dala e o Mané, e com mais algum critério, poderíamos ter construído outro resultado."