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Futebol nacional

Os operadores de TV pagaram o mês de março, os clubes, para já, salvaram-se e o presidente da FPF até agradeceu. E depois?

Fernando Gomes, num longo comunicado, deu conta a disponibilidade de Altice, NOS, Vodafone e SportTV para pagarem as faturas de março já emitidas pelo clubes. Caso isso não tivesse acontecido, alguns emblemas passariam dificuldades. Agora, a questão é outra: com o campeonato parado, irão os operadores continuar a pagar?

Pedro Candeias

Adel Taarabt e Nuno Valente disputam a bola no Vitória FC 1-1 Benfica, a 7 de março, na última jornada a ser disputada antes da suspensão da Liga

Gualter Fatia

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O presidente da Federação Portuguesa de Futebol Fernando Gomes não o diz, mas a Tribuna Expresso sabe que, dos operadores de TV (Vodafone, NOS, Altice e SporttTV) ligados ao negócio dos direitos de transmissão e patrocínio das ligas profissionais, a Altice era a que apresentava menos disponibilidade para pagar aos clubes. Porque o futebol está parado e porque a empresa segue as suas normas internacionais.

Alguns clubes, segundo o jornal "Record" desta sexta-feira, terão manifestado a sua preocupação aos dirigentes da Liga e da Federação Portuguesa de Futebol e terá sido o presidente da FPF a gerir o caso, em sede de reunião.

Depois da mesma, Fernando Gomes anunciou em comunicado que os pagamentos foram regularizados, permitindo, então, aos clubes encararem esta crise "inesperada" de uma forma mais tranquila. Pelo menos até final de abril.

Fonte próxima do processo, diz à Tribuna Expresso, que valeu o bom senso e que agora há "tempo para trabalhar". Mas quanto tempo tem o tempo? O jornal "O Jogo" garante, na edição desta sexta-feira, que "Altice, NOS e SportTV aceitaram saldar o mês a 100%, mas não pagam mais".

A Altice, num comunicado lançado quinta-feira, assumiu a seguinte posição: "Todos os pagamentos estão regularizados junto dos clubes patrocinados, como muitos destes receberam o adiantamento de valores, se considerarmos a execução dos contratos versus os jogos efetivamente realizados, ou mesmo o decorrer do calendário, podendo, pois, considerar-se que houve já lugar a pagamentos referentes a jogos não realizados".

Ou seja, a Altice considera estar a pagar o que não devia - a última jornada, refira-se, disputou-se a 7 e 8 de março - e é possível que não o faça no futuro, fazendo depender a decisão do regresso à atividade. Que não está para breve.

Na noite de quinta-feira, soube-se que a Liga apresentou uma proposta de calendário que perspetivava o seguinte: a Liga recomeçava no fim de semana de 30 e 31 de maio e terminaria a 12 ou a 18 de julho e a Taça de Portugal seria disputada a 18 ou a 15 de julho. É um bloco de oito semanas de competição, antecedida por um "mini-estágio" para recuperar forma; e os jogos seriam disputados à porta fechada.

Mas, uma vez mais, as datas não estão fechadas: tudo depende da evolução do surto do novo coronavírus