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Manuel Cajuda não quer "aturar adiantados e atrasados mentais". Por isso, não fala mais sobre futebol "até a pandemia passar"

O treinador português, atualmente no Leixões, tem opinado sobre as notícias que dão conta das eventuais datas para o regresso dos campeonatos. Depois de criticar a intenção de terminar a Liga NOS até agosto, Manuel Cajuda garante que "não fala mais de futebol até a pandemia passar" e antes já deixara um apelo: "Não sou o dono da Razão, posso até estar loucamente errado, mas por favor, pensem lá com a cabeça e não com os pés , sobre o Futebol que poderemos fazer, com a realidade que vivemos agora"

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Jamie McDonald

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Manuel Cajuda nunca foi homem de se inibir no debitar de palavras e opiniões sobre os mais variados assuntos do futebol, nem seria agora, quando na Europa a bola não rola - a não ser na Bielorrússia, onde se continua a jogar como se nada fosse -, que o treinador português se iria conter.

Desde janeiro no Leixões, da segunda liga, Cajuda e os jogadores que treina estão a ser afetados pela suspensão duradoura dos campeonatos, que a Liga de Clubes e a Federação Portuguesa de Futebol pretendem terminar até ao início de agosto, sintonizadas com as prioridades da UEFA. As notícias dessa intenção apareceram na quinta-feira e aí o treinador decidiu revelar o que pensava, publicamente, na sua página de Facebook.

Manuel Cajuda é a favor de "recomeçar o quanto antes e acabar a época", embora "sempre em condições que não ponham a saúde dos praticantes em causa", ponto assente que serve de base para não compreender os prazos badalados pela UEFA: "Se ninguém vai para lado algum, sem saber onde está, como podem estes 'adiantados mentais' decidir o fim de algo sem saber quando começam (neste caso recomeçar). Santa Paciência!".

Num longo texto, o treinador sugeriu alguns exemplos de medidas a aplicar - aumentar o número de substituições de três para cinco, "mais o guarda-redes", ou definir, em caso de retoma dos campeonatos, "que todos os jogos fossem depois das 18 horas, face ao calor Junho e Julho nos oferecem".

Cajuda, de 68 anos, terminou a escrever que não é "o dono da Razão" e pode "até estar loucamente errado", mas pediu, "por favor", que "pensem lá com a cabeça e não com os pés sobre o Futebol que poderemos fazer, com a realidade que vivemos agora".

Dois dias seguiram-se e regressou ao teclado.

Este sábado e num texto mais breve, Manuel Cajuda revelou que não vai falar mais sobre futebol "até a pandemia passar", pois assim deixa de "aturar 'adiantados mentais' e 'atrasados mentais'. No centro, acrescentou, "estará sempre a virtude" o treinador escolheu "ficar no meio, portanto calado".