Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Quanto custaria ao Estado se todos os clubes da I Liga entrassem em lay-off?

O Belenenses SAD foi o primeiro - e até agora, único - clube do campeonato principal a avançar para a suspensão do salário dos jogadores. Imaginando que outros possam seguir este passo, quanto caberia ao Estado?

Pedro Candeias

Partilhar

Imaginemos o seguinte: imaginemos que, por um instante, todos os clubes decidem entrar no regime lay-off, o que sucederia?

Bom, primeiro, por lay-off entende-se a suspensão dos contratos de trabalhadores que ficam a ganhar um rendimento bruto equivalente a dois terços do salário, com um mínimo de 635 brutos (o ordenado mínimo nacional) e um máximo de 1.905 euros brutos, por mês. Sendo que 70% do desse valor é pago pela Segurança Social (o Estado) e o empregador garante 30%, respetivamente, 1.333,5 euros e 571,5 euros.

Ora, de acordo com a consultora Sporting Intelligence, os jogadores da I Liga ganhavam 30 mil euros por mês, em média, em 2018, o valor contemplado a receber em lay-off seria o máximo, ou seja, os tais 1.905 euros por futebolista, 70% a cargo da Segurança Social, 30% a cargo do clube.

Assim, num cenário absolutamente dramático, em que todos os emblemas da I Liga ficassem asfixiados pela crise e procurassem uma saída comparticipada, seria assim: por mês, o Estado gastaria 600 mil euros em salários de jogadores de futebol. As contas são feitas da seguinte forma: cada plantel tem à volta de 25 jogadores e há 18 equipas a disputar o principal campeonato português.

Por outro lado, caso as equipas decidissem renovar o lay-off – por lei, podem fazê-lo até a um máximo de três meses, o que coincidiria, curiosamente, com a data prevista de reinício da I Liga, em junho –, o Estado despenderia 1.800 milhões de euros; no mesmo período, os empregadores pagariam 771 mil euros.

Até agora, só o Belenenses SAD comunicou oficialmente a vontade de avançar para o regime lay-off; na II Liga, o Desportivo de Chaves fez o mesmo. O Braga, por sua vez, anunciou que irá cativar salários, com o acordo do plantel, enquanto os três grandes mantêm negociações para decidir o que fazer, estando também uma redução salarial em perspetiva.