Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Sindicato contra cortes salariais indiscriminados e recurso a 'lay-off' à revelia dos jogadores

Sindicato esclarece negociações com a Liga e adverte que recurso a lay-off dificulta compromissos futuros. Aceita, no entanto, reduções graduais de salários em função dos rendimentos, ajuste do período de férias e prorrogação de contratos e cedência de jogadores

Tribuna Expresso

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores

Mário Cruz

Partilhar

Em negociações com a Liga, o Sindicato dos Jogadores defende só a Direção-Geral da Saúde (DGS) pode confirmar a possibilidade de retoma da atividade e competição em segurança, esta época. Em pleno estado de emergência e sem horizonte para que as competições de futebol sejam retomadas, Joaquim Evangelista aceita que o ajuste do calendário vá “implicar uma atenção especial a negociações paraprorrogações de contratos e cedências temporárias de jogadores, a coincidir com o término da época desportiva/fecho das competições”, estando disponível para viabilizar essa medida, se necessário, envolvendo a Federação nessa matéria.

Nas conversações em curso com Pedro Proença, a entidade sindical também concorda que o regime de férias tem de ser ajustado ao calendário de retoma da competição, dando às entidades empregadoras “alguma flexibilidade na definição do respetivo período legal de férias”.

Na vertente financeira, a direção do Sindicato esclarece que nunca se mostrou disponível, face aos elementos que lhe foram facultados antes de entrar em negociações com a Liga, para cortes salariais indiscriminados, seja em que percentagem forem.

“A nossa posição de princípio mantém-se: quem aufere rendimentos mais elevados pode sofrer um corte maior, quem aufere rendimentos mais reduzidos deve ver o seu salário menos afetado, sendo de acolher o princípio de que os cortes feitos nesta fase de transição possam ser repostos/compensados em data a acordar pelas partes na relação laboral desportiva, num momento de retoma financeira e com a possibilidade de adaptação, de acordo com a evolução da retoma das competições”, avança o Sindicato, em comunicado divulgado esta terça-feira à tarde.

O líder sindical garante que nunca se comprometeu em sugerir uma percentagem de corte, dependente da realidade e necessidades específicas de cada sociedade desportiva, não aceita assim um corte indiscriminado e, sem possibilidade de devolução ou reposição no futuro.

“O Sindicato mostrou-se sempre disponível para mediar, se necessário, as conversações entre sociedades desportivas e respetivos plantéis”, refere a entidade de classe, advertindo que “nunca legitimou as sociedades desportivas a negociar com os seus trabalhadores para proceder a cortes salariais indiscriminados, assim como reitera a condenação daquelas que recorram ao lay-off com suspensão do contrato de trabalho, muitas delas sem dar aos seus trabalhadores qualquer possibilidade de negociação”.

Por último, o Sindicato destaca o comportamento exemplar dos atletas, que têm “cumprindo cabalmente com as suas obrigações laborais e, num momento de muita ansiedade, evitando o ruído desnecessário, estando disponíveis, se respeitados, para ser parte da solução neste momento de crise”.