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Custódio: "No Braga gostava de discutir com o Sérgio Conceição, gostava de lhe pôr problemas. O Paulo Bento também estimulava o debate"

O novo treinador do Sporting de Braga explicou, em entrevista ao clube, como trocou a carreira de jogador pelos bancos e revelou quem o influenciou: José Mourinho, Jorge Jesus, Paulo Fonseca, Fernando Santos, Manuel José, Vítor Oliveira e Abel

lusa

HUGO DELGADO

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A aposta em Custódio Castro para treinador da equipa principal de futebol começou "bem antes" de ter sido chamado para adjunto da equipa B, em 2017, revelou hoje o Sporting de Braga.

"A opção por Custódio foi uma aposta que poderá ter soado a muitos como um improviso, mas que, numa análise mais cuidada, reflete uma preparação longa e metódica, que começou bem antes daqueles primeiros meses de 2017, quando o Sporting de Braga o convenceu a concluir a carreira de jogador e a abraçar a estrutura técnica do clube", pode ler-se no sítio oficial dos minhotos, no lançamento de uma entrevista ao treinador dividida em três partes (hoje, sábado e domingo).

Depois de duas épocas como treinador adjunto da equipa B, Custódio Castro passou esta temporada a técnico principal dos sub-17 do Sporting de Braga e, no início de março, foi chamado a substituir Rúben Amorim, transferido para o Sporting.

O técnico, de 36 anos, revelou que desde "muito cedo" se apercebeu que seria treinador após concluir a carreira de jogador.

"Eu diria que muito cedo [nasce o Custódio treinador], porque sempre me fascinou a razão do que fazíamos. Já com 22/23 anos eu sentia que tinha de perceber muito bem as coisas, mais do que muitos dos meus colegas, que porventura tinham uma competência e uma sensibilidade enormes para o jogo, mas não refletiam sobre ele, pelo que o que faziam era automático e vinha da grande aptidão que tinham enquanto jogadores", explicou.

Revelando que "não gostava de fazer as coisas por fazer, gostava de saber porque é que as fazia", Custódio Castro assume-se como "um apaixonado pelo jogo".

"O futebol sempre foi muito mais do que a minha atividade profissional. Eu sei que, hoje em dia, o futebol nos abre imensos caminhos, seja no agenciamento, seja em muitas outras tarefas que eu sei que podia seguir para continuar ligado ao futebol, mas a mim nunca me fascinou outra coisa que não fosse o campo e percebi muito cedo que seria assim", afirmou.

Os jogadores reservados

Considerando que "os jogadores, hoje, são muito reservados perante o treinador", o antigo internacional português defende a importância da discussão de ideias.

"Gosto de os pôr a falar, porque a minha forma de compreender o jogo era questionar, falar, procurar compreender. Como treinador, vou sempre puxar os jogadores para o diálogo e para a compreensão daquilo que fazemos, porque entendo que isso é fundamental. No Sporting de Braga, por exemplo, gostava de discutir com o Sérgio Conceição, gostava de lhe pôr problemas. O Paulo Bento, que foi meu colega e depois meu treinador [no Sporting], também era alguém que estimulava esse debate", lembra.

Custódio Castro, que só orientou um jogo na I Liga antes da interrupção devida à pandemia de Covid-19 (vitória caseira sobre o Portimonense por 3-1), destacou também algumas referências como treinadores.

"José Mourinho, Jorge Jesus, Paulo Fonseca, Fernando Santos, por quem tenho muita estima, mas também Manuel José, pela sua liderança e pela sua frontalidade, e Vítor Oliveira, de quem aprecio muito a forma simples de comunicar e os bons trabalhos que tem feito", elencou.

Custódio Castro disse ainda ter "bebido muito e de muitas fontes”.

“Para mim, foi um privilégio ter estado perto do Abel [Ferreira] quando fui adjunto do Sporting de Braga B e ele estava na equipa principal. Nessa fase, que foi importante para a organização das minhas ideias, percebi que há várias coisas que partilhamos. Não sei se está tudo inventado, a verdade é que o jogo não para de evoluir e ninguém vai longe se quiser apenas copiar alguém. Nós, treinadores, estamos sempre à procura de fazer melhor e diferente e eu não sou, nem serei, exceção", disse.

Custódio: “Tenho uma história incrível. Um treinador mandou-me entrar, fiz o 3-2, ele ficou chateado e disse: ‘Eh pá, todos menos ele’”

Garante que deixou de ser jogador do SC Braga por sentir que estava a ser um peso nas finanças do clube, mas voltou para ser treinador adjunto da equipa B, depois de uma boa experiência na Turquia, onde arrumou as botas no final da época passada. Com 34 anos, Custódio confessa que o seu grande objetivo e ambição sempre foi ajudar a família, missão que tem cumprido com sucesso