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Nesta sala longe de casa há um colchão, duas cadeiras, uma mesa - e a água é aquecida ao sol dentro de garrafões na varanda

A SAD da AD Oliveirense faliu e os jogadores estrangeiros, sem dinheiro, desesperam pelo retorno a casa. Esta é uma história que ninguém quer contar

Isabel Paulo e Rui Duarte Silva

Os jogadores abandonados pela AD Oliveirense: juntos, sem água quente, sem condições, que futuro?

Rui Duarte Silva

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Sem salários há mais de três meses, seis argentinos, um colombiano e um jogador da Guiné Equatorial vivem o maior pesadelo das suas verdes vidas, no Minho. Como todos, temem a pandemia, mas acima de tudo o abandono e a incerteza de quando voltarão a ver as suas famílias, namoradas e amigos. Emiliano Sala, Maurício Tevez, Enzo Guzzo, Pablo Casusa e Miguel Mangue, da AD Oliveirense, vivem há quase dois meses numa casa, em Santo Tirso, despojados de quase tudo: na sala, um colchão, uma mesa e duas cadeiras. Na varanda multiplicam-se os garrafões de água a aquecer ao sol, que nesta casa a água quente é um luxo a que não se podem dar, quando a prioridade é ter comida na mesa. Fome não passam, graças ao amigo português Roberto Melo, que vai lá entregar uns cabazes de compras. O Sindicato, além de comida, entregou a cada um €350 do Fundo de Garantia Salarial, enquanto tenta desbloquear com as embaixadas o regresso dos jogadores às suas famílias, logo que a restrição de voos, devido à covid-19, o permita.

Noutra casa, em Famalicão, residem outros dois argentinos e um colombiano com a mulher e uma filha pequena, paga pela SAD da Associação Desportiva Oliveirense, penúltima classificada do Campeonato de Portugal, Zona Norte, declarada insolvente no final de janeiro. Com idades entre os 19 e os 23 anos, uns vieram no início da época, outros em janeiro, todos em busca do sonho de jogar na Europa, agradados com as promessas salariais, casa individual, nuns casos, ou alojamento a partilhar. “Mas não à meia dúzia e sem o mínimo de condições”, queixam-se. Preferem contar o que lhes aconteceu a uma só voz e por escrito, com receio de complicarem ainda mais a vida. Ao clube de Oliveira de Santa Maria, em Famalicão, chegaram pela mão de “agentes amigos” do argentino Sebastian Diericx, dono e administrador da SAD, residente em Chicago, nos EUA.

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