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As três fases da retoma no futebol: testes, máscaras, treinos individuais, viagens em carro próprio. E não há saunas nem banhos turcos

Liga Portugal já apresentou manual de instruções ao Governo, a que o Expresso teve acesso. Data do retorno da atividade deverá acontecer só após o levantamento do estado de emergência. Testes à covid-19, registo de temperatura, máscaras em viagens e chuteiras com GPS são algumas regras do pós-confinamento. O guião está feito, mas a DGS pode mudar as regras a qualquer momento

Isabel Paulo

Gualter Fatia

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O documento estratégico para a retorno do futebol está a ser avaliado pelo Governo e especialistas da área da saúde, mas João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e Desporto, não arrisca ainda uma data para o regresso das equipas aos treinos ou jogos.

“A minha convicção é que só após o fim do estado de emergência haverá um calendário definido”, afirma ao Expresso o governante, que defende que o desporto não pode ser deixado para trás na reabertura pós-confinamento, mas sem descurar a proteção de atletas e famílias.

O Plano de Ação concertado com a DGS para a retoma apresentado ao Governo pela Liga foi elaborado pelos médicos das SAD's da Liga NOS e ProLiga e após consulta a especialistas da área da infecciologia, pneumologia, medicina interna e de saúde pública, que advertem que o guião sugerido pode ser “alterado em função das diretrizes das autoridades de saúde nacionais e internacionais”.
Assim, após um mês e meio de treinos em casa e corridas a solo ao ar livre, a Liga propõe que antes do retorno à competição os jogadores cumpram três fases de adaptação para garantir que são capazes de jogar 90 minutos “na melhor condição física, com o menor risco de lesões e maior performance desportiva”.

Não existindo estudos sobre o 'Return to Play' pós-pandemia, a entidade liderada por Pedro Proença aconselha um período superior de adaptação à nova 'normalidade', até porque não é descartada a possibilidade de alguns jogadores terem receio de voltar a treinar.

Máscara e bola individual

Na Fase 1, e para minimizar riscos de contágio, o manual de instruções prevê a realização de treinos individualizados em campo durante uma a duas semanas, situação que permitirá ainda uma melhor monitorização da carga de treinos com o objetivo de a aproximar das cargas pré-pandemia. Antes do regresso ao treino com bola, todos os jogadores irão ser sujeitos a rastreio de testes à covid-19 e ainda a despistagem de testes serológicos, devendo sempre ser comunicado qualquer sintoma suspeito de febre, tosse ou dificuldade respiratório.
Na fase de treinos isolados, apenas está prevista a presença em campo de dois jogadores - um em cada metade do relvado - acompanhados pelo treinador e um membro do médico, obrigatoriamente à distância de dois metros e portadores de máscara. Cada treino terá uma duração de 45 minutos, ou seja, as sessões de treino de um plantel de 24 jogadores demorarão 9 horas diárias.
À chegada aos treinos, os jogadores devem “chegar de máscara e já equipados, com as chuteiras e GPS colocadas”. Cada jogador treinará com bola individualizada e higienizada, sem se cruzar com outros colegas ou staff do clube.
Na Fase 2, ao longo de duas semanas, serão reiniciados os treinos de grupo, já com contacto e trabalhos de todas as fases do jogo, altura em que cada equipa técnica tem de definir o número de funcionários que se irão manter próximos do grupo. Aos jogadores será imposto o registo de medição de temperatura bidiária e queixas respiratórias, medidas rígidas que poderão durar semanas ou meses, alerta a Liga.
Na Fase 3, o da retoma de jogos, o manual de instruções é igualmente severo, com novos testes de rastreio 48 horas antes das partidas, mesmo que os jogos devam ser realizados à porta fechada, cenário ainda sob o escrutínio da DGS. Sendo a fase de maiores riscos de infeção e propagação do novo coronavírus, as viagens e estágios nos jogos fora fora de casa estão sujeitas a uma apertada malha de normas de conduta, a começar pelo alerta que devem durar o menor tempo possível a estada em unidades hoteleiras.
Sempre que possível, a viagem deverá mesmo ser feita no próprio dia, chamando a Liga a atenção dos operadores para os horários dos jogos.

Nem 'rodas' nem cumprimentos

Nos autocarros, mesmo de máscaras, os jogadores não poderão sentar-se lado a lado, regras também extensível à equipa técnica, enquanto o restante staff deve viajar em carro próprio. A entrada no estádio será ainda segregada para o plantel e restantes funcionários dos clubes, estando proibidos cumprimentos à equipa de arbitragem, as 'rodas' de pé pré e pós-jogo e a entrada das equipas em campo na companhia de crianças.
Nos hotéis, são recomendados quartos individuais, mas se não for possível em camas separadas por mais de um metro de distância. Ar condicionando e elevadores nunca , além da ordem para evitar ao máximo o contacto com hóspedes ou funcionários (sempre de máscaras).
Nas refeições, aconselha-se poucos comensais a cada mesa e, nas viagens de avião, para as provas europeias, a máxima é escapar à aglomerações, os jogadores devem permanecer de pé e sem tocar em superfícies. Os banhos nos balneários devem respeitar distâncias e estão abolidos os banhos turcos e sauna.
Sempre que for detetado um caso positivo, o jogador fica retido em quarentena de 14 dias e só retomará a atividade após dois diagnósticos negativos em 24 horas.
Nas suas semanas de arranque dos campeonatos, a previsão é de jogos só ao fim de semana, seguindo-se uma semana de dois jogos por semana, outras duas de apenas um jogo por jornada, seguida de nova ronda com dois encontros. As duas últimas jornadas, terão programas apenas um jogo/semana, a que se seguirá a final da Taça de Portugal.
Estas são as cenas dos próximos capítulos da novela da bola, mas atenção que a DGS poderá mudar sempre o guião.