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Paulo Machado: "Aos 12 anos, fui para a escola com um facão, porque diziam que andava um pedófilo lá fora. Já tinha fama, acabei preso"

Paulo Machado é portuense e portista, está hoje no Mumbai City, na Índia, e por teleconferência recordou algumas histórias ao jornal "Record", sendo uma delas a vez em que levou uma faca de cozinha da mãe para a escola para "mostrar que estava lá para ajudar"

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Paulo Machado, com 10 anos, fotografado durante a formação no FC Porto.

D.R.

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Um dia, "diziam que havia um pedófilo" perto da escola. Antes de sair de casa, Paulo Machado foi à cozinha, procurou nas gavetas e encontrou o que pretendia para "mostrar que estava lá" para ajudar - um "facão que a mãe tinha em casa".

Chegado à escola, algures no Porto, tentou "ir à procura do gajo e tudo", mas, quando entrou lá entrou, o segurança disse que "andava lá de facão" e ligou à polícia. "Tiraram-me o facão e o meu pai teve que ir depor porque eu andava de facão na escola. Tinha 12 anos. Até me tentaram tirar dos meus pais. Mas, quando viram que o meu pai era trabalhador, pagou o meu pai uma grande multa por eu andar de facão dentro da escola", contou Paulo Machado, em entrevista ao jornal "Record", publicada segunda-feira.

"Queria proteger de um pedófilo que diziam que andava lá e pronto, acabei por ser eu preso. Já tinha má fama, de me portar mal, depois, ao andar com um facão, ainda pior", lembrou o animado e sorridente internacional português, hoje no Mumbai City, da Índia.

Paulo Machado cresceu no Bairro do Cerco, no Porto. É portuense e o sotaque não o podia denunciar mais. É portista e nem o tenta esconder nos atos, pois já foi visto a ir ao estádio ver jogos do FC Porto quando jogava no Desportivo das Aves, há duas épocas.

É um contador de histórias frontal e descomplexado, como há dois anos já o mostrara à Tribuna Expresso, na rubrica "A Casa às Costas": “Sonhava ser mecânico. A primeira tatuagem que fiz foi no bairro, no Cerco, com uma agulha. Tinha 14 anos”.

  • Paulo Machado: “Sonhava ser mecânico. A primeira tatuagem que fiz foi no bairro, no Cerco, com uma agulha. Tinha 14 anos”

    A casa às costas

    Aos 32 anos, Paulo Machado é um dos casos raros de sucesso do Bairro do Cerco, no Porto. Após 10 anos a jogar no estrangeiro, mantém o cerrado sotaque do norte e a paixão pelas raízes. mas confessa que só voltou ao futebol português por causa dos filhos. Tinha como sonho "ser mecânico", mas hoje disputa pelo Desportivo das Aves a final da Taça de Portugal, contra o Sporting (17h15, RTP1), e espera que a sua equipa consiga aproveitar a crise que o clube de Alvalade atravessa. Amante de carros e de sapatilhas, diz que nunca perdeu a cabeça (apesar de ter visto amigos a cair na droga), mercê de uma educação rígida de uma família que "só sabe fazer meninos"