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A revolta de três clubes contra a decisão da FPF: "fotocópia de podridão" e "verdade desportiva metida no bolso"

O Praiense e o Olhanense criticaram a decisão da Federação Portuguesa de Futebol em atribuir os dois lugares de subida aos líderes com mais pontos do Campeonato de Portugal. Também o Real Sport Clube, que tinha a mesma pontuação da equipa de Olhão, criticou a decisão, considerando-a "inaceitável e inadmissível". Apesar de, há semanas, ter anunciado que não havia subidas ou descidas, a federação estava contratualmente obrigada a indicar duas equipas para subirem à II Liga

Diogo Pombo

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Em tempo de pandemia, o Governo impediu que se volte a jogar futebol para lá da I Liga e da Taça de Portugal. Tornando-se impossível concretizar, legalmente, quaisquer outras provas, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) assumiu um critério para indicar as duas equipas que devem subir, no final de cada época, do Campeonato de Portugal (prova que organiza) para a II Liga (da responsabilidade da Liga de Clubes) - entre as quatro séries, subiriam os líderes que tivessem mais pontos.

O critério filtrou os 60 pontos do Vizela, na Série A, e o 58 do Arouca, na Série B, que assim vão ser promovidos. Dois clubes, fossem estes ou outros, tinham que o ser.

Apesar de, a 8 de abril, a federação ter dado "por concluídas, sem vencedores, todas as suas competições seniores" que se encontravam suspensas, sem atribuição de títulos, "nem aplicação do regime de subidas e descidas", a Tribuna Expresso apurou que a FPF tinha de indicar duas equipas, obrigada por um contrato assinado com a Liga de Clubes que estipula que do Campeonato de Portugal são apurados, ao fim de cada época, dois clubes.

A federação, em comunicado, explicou que se baseou "no mérito desportivo" para chegar ao critério que deixou de fora, particularmente, os 53 pontos do Praiense (Série C) e os 57 do Olhanense que também eram do Real Sport Clube, empatado com os algarvios no topo da Série D.

De Praia da Vitória, na Ilha Terceira dos Açores, chegou a queixa de que "não há nenhum regulamento da federação, nenhum, que diga uma situação dessas". Marco Monteiro, presidente do clube, garantiu à agência "Lusa" que vai "para o advogado" e prometeu lutar "até às últimas consequências sobre esta situação", que tem como "uma injustiça". E acrescentou: "Isto é uma fotocópia da podridão que existe dentro do futebol português" e "fazer pouco do trabalho e da honestidade das pessoas.

O Praiense nunca competiu na II Liga.

De Olhão reagiu-se com um comunicado, que critica a decisão da FPF por violar "claramente a verdade desportiva, o mérito desportivo, o critério de territorialidade e o regulamento da competição, não sendo nem justa nem equitativa". A direção lamenta que "ninguém" da federação "teve o cuidado de falar" com responsáveis do clube "antes de divulgar o comunicado, demonstrando demonstrando uma clara falta de atenção".

O Olhanense, que tem várias participações na I e na II Liga, considera tudo uma "violação de equidade absolutamente inadmissível" e assegura: "Iremos defender os interesses do Sporting Clube Olhanense em todas as instância oportunas (...) sem nunca esquecer que o nosso trabalho e a nossa marca foram publicamente atropeladas".

E de Massamá, onde mora o clube que tinha os mesmos pontos do adversário de Olhão, lembrou-se que tinham sido orientados a prepararem-se para o play-off (não permitido, por decisão do Governo) e condenou-se o que "afinal de contas era tudo uma mentira" - "Sentimo-nos ludibriados. E por quem? Pela FPF". O Real Sport Clube cataloga de "inadmissível" o critério escolhido, queixando-se que a federação "andou a atirar areia para os olhos dos clubes", ao lançar "um fundo que serviu para calar a maioria".

O Real Sport Clube conta no historial com uma participação na II Liga, chama "inaceitável" à situação e critica que "a verdade desportiva foi, mais uma vez, metida no bolso". É a segunda vez seguida em que a equipa de Massamá não pode jogar o play-off de apuramento devido a uma decisão administrativa - na época passada, o Conselho de Disciplina da FPF deu a vitória ao Casa Pia num jogo contra a Olhanense que não chegou a terminar.

E o clube dos arredores de Lisboa terminou a indignação escrita com um lamento enigmático: "Só existe uma saída para o Presidente da Federação".