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O Tondela tem o estádio mais pequeno da I Liga, mas foi aprovado pela DGS: "Tivemos muito trabalho. Fomo-nos adaptando em contrarrelógio"

No Estádio José Cardoso, em Tondela, cabem 5.000 pessoas. É o mais pequeno da I Liga, mas está entre os nove que a Direção-Geral de Saúde autorizou, para já, a receber jogos quando o campeonato recomeçar, a 4 de junho. Como é que o clube o conseguiu? Nicola Ventra, diretor-geral da SAD, diz à Tribuna Expresso que foram "adiantando trabalho", houve "um pouco de sorte" por terem "muitos balneários" e foram capazes de garantir as condições exigidas

Diogo Pombo

Os jogadores e adeptos do Tondela, em maio de 2019, no final da época passada, a celebrarem a permanência na I Liga.

PAULO NOVAIS/LUSA

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Era plausível e tinha um fundo de razão pensar-se que, ao começar a raiar o ténue raio de luz do regresso do futebol ao fundo do túnel e falando-se em tantas regras, limitações e medidas de prevenção exigíveis, não haveria assim tantos estádios a passarem nos filtros. Havia os grandes dos grandes que, como os de Braga e Guimarães, foram construídos ou levaram obras por causa do Europeu de 2004 e tinham a modernidade a jogar na mesma equipa.

Entretanto, também se leu no parecer técnico que a Direção-Geral de Saúde (DGS) fez para a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que "as competições [deviam] ser realizadas no menor número possível de estádios".

Não seria descarado achar isto mau augúrio para muitos clubes com estádios mais pequenos, mas, esta quarta-feira, a Federação revelou os nove recintos já aprovados para receberem jogos quando o campeonato voltar, a 4 de junho: o Estádio D. Afonso Henriques, o Estádio do Dragão, o Estádio José Alvalade, o Estádio do Marítimo, o Estádio Municipal de Braga, o Estádio do Sport Lisboa e Benfica, a Cidade do Futebol, o Portimão Estádio e o Estádio João Cardoso.

Descontando as instalações da Federação, a DGS validou os estádios do Portimonense, que tem capacidade para 9.544 pessoas, e do Tondela, onde cabem apenas 5.000. Quando o campeonato for retomado não haverá adeptos nas bancadas, mas, factualmente, o estádio João Cardoso é o recinto mais pequeno da I Liga. "Estamos de parabéns, estamos muito contentes", disse o diretor-geral da SAD do clube à Tribuna Expresso, de facto com felicidade na voz.

Mas como conseguiu o Tondela cumprir as exigências da DGS?

Nicola Ventra explica que tiveram "muito trabalho". Começaram cedo, previram o que aí vinha, arrepiaram caminho "com o doutor" do clube "para os dispositivos pré-covid e cuidados de higienização". Depois, quando a DGS "fez um protocolo de orientação sobre como o balneário deveria funcionar", todos se foram "adaptando em contrarrelógio".

A sorte, admite, também se intrometeu. O Tondela já tinha "muitos balneários" para conseguir ter "entradas independentes" em cada um e "dividir os jogadores, a equipa técnica, o departamento médico e o doping". Sobretudo, nesses metros quadrados há espaço para "as duas equipas não se cruzarem" e para existir "uma sala de isolamento no caso de haver algum infetado". Mais um sítio "para deixar as máscaras e roupa que possam estar infetadas". Nicola Ventra resume: "Tínhamos muito espaço e, com muito trabalho, conseguimos ter o ok definitivo".

E regressa ao lado sortudo do Tondela, porque "junto ao estádio existe um pavilhão com imensos balneários também" e servirá de "zona extra que permite ter um percurso independente, cumprindo as regras". Todos os caminhos possíveis foram inspecionados "para tentar minimizar ao máximo o contacto e o encontro entre pessoas" e a fita métrica equipou-se em todo o lado - "foram medir os balneários para ver se era possível manter a distância de segurança entre os jogadores".

Assim se sumariza a história de como o estádio José Cardoso, onde há espaço para menos gente, foi um dos nove aprovados pela DGS para, a 4 de junho, se nada alterar os planos, o futebol voltar a ser visto em Portugal. O diretor-geral da SAD do Tondela acha que "a situação está controlada" e quem vive da bola integra "a categoria mais controlada do país", onde toda a gente é testada a cada dois dias e é "inundada com cursos de formação sobre como prevenir o contacto".

A Liga NOS parece ser a primeira a seguir "o bom exemplo" que a Bundesliga e a Alemanha deram. O Tondela terá o seu entre os nove estádios já aprovados para receberem jogos. Há ainda outros seis recintos aos quais a DGS "indiciou um conjunto de correções" para que possam voltar a ser revistos e, possivelmente, também validados. Ou seja, poderá haver 15 dos 18 recintos da Liga a voltarem a jogo.

Também era plausível e tinha um fundo de razão pensar-se que, como se leu no parecer técnico da DGS, o campeonato seria retomado "no menor número possível de estádios".