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Hoje, às 18h: Pedro Proença quer “moção de confiança”, “clubes sentiram-se traídos”, contrato com a NOS em discussão

Maioria dos clubes da Liga NOS não gostou que o presidente da Liga Portugal tenho escrito, "sem dar cavaco a ninguém", ao ministro da Economia e ao Presidente da República a sugerir jogos em canal aberto, através do serviço público da RTP. O voluntarismo de Pedro Proença também caiu mal junto dos operadores NOS e Altice e está em causa também a renovação do contrato de patrocínio da competição. Tudo isso deve ser discutido esta quinta-feira, às 18h

Isabel Paulo e Pedro Candeias

Rui Duarte Silva

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Os presidentes da maioria das SAD da Liga NOS “não gostaram” que Pedro Proença tenha escrito, no final de abril, e a Pedro Siza Vieira e Marcelo Rebelo de Sousa, no passado dia 8, pedir a intervenção do Governo para que alguns dos jogos das 10 jornadas da Liga NOS que ainda faltam disputar fossem transmitidos em sinal aberto.

Mais do que a sugestão numa matéria que carece de autorização de cada SAD, uma vez que os direiros televisivos em Portugal são negociados individualmente, os dirigentes “sentiram-se traídos” por o líder da Liga ter atuado “sem dar cavaco a ninguém”, avançou ao Expresso fonte próxima deste organismo.

O “excesso de voluntarismo” também “caiu mal” juntos dos próprios operadores - Altice e NOS -, advertindo fonte da também patrocinadora da Liga que Pedro Proença “pôs o pé onde não devia”, até porque “em Portugal os direitos televisivos não estão centralizados na Liga”.

Nada é eterno

Patrocinadora da Liga há sete anos consecutivos, a NOS, cujo contrato com o organismo de clubes termina no próximo ano, poderá mesmo não renovar a parceria, segundo fontes próximas do processo.

Ao contrário da Altice, que anunciou esta quinta-feira estar disposta a adiantar verbas aos 'seus' clubes relativas aos meses em que os jogos da I Liga estiveram suspensos, valores que serão descontados durante a próxima época, a NOS ainda não se pronunciou se está também a avançar verbas por conta de pagamentos futuros.

Ao que o Expresso apurou, foi a tentativa de Proença de meter a foice em seara alheia que está a gerar mal-estar na Liga, havendo mesmo dirigentes que defendem a sua renúncia à presidência, cargo para que foi reeleito em junho do ano passado. Embora o desagrado “seja geral”, a maioria dos clubes não deverá pedir a demissão do líder da Liga para não agravar a crise pela qual atravessam os clubes de futebol devido à quebra abrupta de receitas por força da pandemia.

Tal não significa, porém, que Proença não venha a ser 'apertado' em reunião desta quinta-feira, a realizar ao final da tarde, avançando 'O Jogo' que deverá ser o próprio a marcar uma assembleia-geral extraordinária, previsivelmente para 6 de junho, presencial, “onde pretende dar voz aos contestatários, incluindo na agenda da reunião magna um ponto sobre a governação do organismo”.

Ao Expresso, fonte próxima de antigo árbitro internacional frisa que “a intenção dele é ver aprovada uma espécie de moção de confiança para acabar com os focos de oposição”.

Benfica, Marítimo, Belenenses e Famalicão são as vozes mais duras à atuação de Proença, mas o coro de críticas promete ser bem mais sonante, após o envio de missivas, em que falava em nome das SADs, “sem antes ter exposto a questão dos jogos em sinal aberto aos respetivos presidentes ou com os detentores dos direitos televisivos e ainda com os canais televisivos SportTv e BTV”.

As cartas

Na carta a Marcelo, Pedro Proença refere que, estando o Presidente da República “a dedicar algum do seu precioso tempo a auscultar grupos que detêm meios de comunicação social, nesta perspetiva de retoma das competições da Liga NOS, vimos interpelá-lo para connosco diligenciar no sentido que estes jogos passem em canal aberto”. É ainda feito um pedido de audiência, com a brevidade possível, com vista ao desenvolvimento do futebol profissional“, para o bem da nação”.

Pedido semelhante foi endereçado ao Ministro da Economia, ainda antes do fim do estado de emergência e numa altura em que ainda não havia luz verde para o desconfinamento do futebol.

Já esta quinta-feira e face ao estado de descontentamento dos clubes, o presidente da Liga também escreveu ao Conselho de Administração da SportTv, SA, na qualidade de broadcaster, a desfazer equívocos. Na carta a que o Expresso teve acesso, é referido que “a Liga e o seu presidente em momento algum ponderaram liberalizar o sinal de transmissão da Liga NOS, antes pelo contrário, todo o nosso discurso e ação foram sempre no sentido de vos ressarcir do investimento”.

“Qualquer interpretação distinta da aqui plasmada mais não é do que uma análise tendenciosa e de má-fé, na qual não nos podemos rever. E estamos seguros que todos aqueles que nos últimos cinco anos têm sido dos nossos principais parceiros e dos clubes - SportTv, NOS, Altice, Olivedesportos e Vodafone - igualmente nela não creem”, concluiu