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"Quando se fala em abrir cinemas e teatros em salas fechadas, porque não se faz o mesmo nos estádios de futebol? Retira-se o sal do jogo"

Depois de uma “paragem de 60 dias no sofá”, Paulo Sérgio, treinador do Portimonense, diz que a equipa algarvia está pronta para voltar a jogar, mas não compreende por que razão é que as partidas da I Liga serão disputada à porta fechada

lusa

Nuno Botelho

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O Portimonense quer voltar a competir para mostrar que merece um lugar na I Liga portuguesa de futebol, afirmou o hoje o treinador do 17.º e penúltimo classificado do campeonato.

“Na nossa cabeça só está competir para conseguir os pontos que estamos necessitados” afirmou Paulo Sérgio, em declarações divulgadas na página oficial do clube.

Para o treinador, é essencial “dar aos adeptos a alegria que é manter o clube do seu coração na I Liga”, apesar das condicionantes de um regresso após uma paragem tão prolongada.

As quarto semanas de trabalho com jogadores só permitiu fazer “metade da habitual preparação de pré-época” o período de férias, algo bem diferente do que classificou como “paragem de 60 dias no sofá”, devido à pandemia de covid-19.

Paulo Sérgio congratulou o grupo pela “dedicação e aplicação” na busca da melhor condição física e entendimento técnico num “trabalho que tem sido duro e árduo”.

O Portimonense recebe o Gil Vicente no dia 3 de junho, às 19h, naquele que é o primeiro jogo da I Liga depois da suspensão devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

O técnico mostrou-se satisfeito por poder disputar os jogos em falta em casa, em Portimão, “onde é sempre mais confortável, mesmo sem público”, uma restrição que o técnico disse “não entender”.

Paulo Sérgio realçou que a maioria dos clubes da I Liga “precisa de mais pessoas nos estádios”, que, “com capacidade para 10 ou 12 mil pessoas, poderiam manter os 2.000 habituais”, até porque esse número permite “dividi-los pelo espaço livre, ainda mais sendo algo em espaço aberto”.

“Quando se está a falar em abrir cinemas e teatros em salas fechadas, onde se vai intercalar as pessoas em cadeiras, porque não se faz o mesmo nos estádios de futebol? Retira o sal e a pimenta do jogo”, questionou.

Após 24 jornadas, o Portimonense ocupa o 17.° e penúltimo posto da classificação, com 16 pontos, a seis do Paços de Ferreira, a primeira equipa acima da 'linha de água' e com mais três do que o último, o Desportivo das Aves.

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Despiu o fato de jogador para vestir o de treinador, no Olhanense. Seguiu-se o Santa Clara e o Beira-Mar, mas foi no Paços de Ferreira e no V. Guimarães que o seu trabalho passou a ser mais reconhecido, acabando por ser contratado pelo Sporting. Desiludido com a (des)organização leonina, lançou-se para o estrangeiro, primeiro no Hearts, da Escócia, onde conquistou a Taça, e a seguir na Roménia e no Chipre. Regressou a Portugal para treinar a Académica, mas o sonho de ficar foi interrompido com a ida para o futebol árabe. Primeiro Emirados Árabes Unidos, depois Irão e, por fim, Arábia Saudita. Num momento de pausa, confessa que um dia gostaria de treinar o “seu” Belenenses.