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Se é treinador e procura estabilidade, então este presidente não é para si. Tente o do Benfica

Segundo o observatório CIES, o Marítimo é o clube que mais técnicos teve à frente da equipa entre 2015 e 2019 na Liga Portuguesa: nove, com uma média de 18,7 jogos completados; o Benfica, com três, é o mais estável. A nível internacional, o desconhecido Real Club Potosí, da Bolívia, apresenta números surpreendentes: 20 treinadores no mesmo período

Pedro Candeias

Pelo gabinete de Carlos Pereira, presidente do Marítimo, passaram nove treinadores entre 2015 e 2019

Gregrio Cunha

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O observatório CIES fez um levantamento de todas as ligas mundiais para concluir que é na Bolívia e, mais precisamente, no Real Club Potosi o lugar onde se despedem mais treinadores: entre janeiro de 2015 e dezembro de 2019, o até agora irrelevante clube teve 20 técnicos à frente da sua equipa; na Bolívia, diz o estudo, cada clube já teve em média nove treinadores nesse hiato.

Depois do Polotsi, segue o Cusco Fútbol Club, do Peru, com 16, e o Club Sportivo Luqueño, do Paraguai, com 15, numa lista em que o primeiro clube europeu a surgir é a Udinese, de Itália, com dez treinadores entre o primeiro dia de 2015 e o último de 2019; pouco abaixo está o Olympiacos, da Grécia, com nove - e também o Marítimo com nove.

Aliás, segundo o CIES, o clube insular liderado pelo expressivo Carlos Pereira é o emblema português menos recomendável para alguém que procure uma certa estabilidade profissional: em média, cada um dos treinadores fez 18,7 jogos. Pondo nomes nos números, pelo Marítimo, entre 2015 e 2019, passaram o seguintes: Leonel Pontes, Ivo Vieira, Nelo Vingada, PC Gusmão, Daniel Ramos, Cláudio Braga, Petit, Nuno Manta Santos e, finalmente, José Gomes, que por lá continua, embora este padrão e este estudo o possam assustar.

Ainda em Portugal, o Moreirense (nove treinadores e 18,8 jogos em média) e o Vitória de Setúbal (igualmente, nove treinadores e 18,8 jogos) são o segundo e terceiro classificados.

No plano oposto, está o Benfica (três treinadores, 56,7 jogos média), o FC Porto (quatro treinadores, 42 jogos em média) e o Sporting (cinco treinadores, 33,2 jogos em média).

Este ranking inclui equipas que estiveram nas primeiras divisões durante o período do estudo. Dos 766 clubes analisados, só 20 tiveram apenas um treinador.

E as ligas?

Vamos cingir-nos à zona euro, destacando o Chipre como o pior de todos os casos: em média, cada clube teve 6,6 treinadores entre 2015 e 2019. Por equipas, pelo FK Vojvodina, da Sérvia, passaram 13 técnicos em igual período - é o pior registo na UEFA.

E, agora, as comparações inevitáveis: onde fica Portugal no big picture? Fica mais ou menos.

Não sendo a Liga que mais treinadores despede ou troca, os clubes portugueses, em média, tiveram 4,3 treinadores durante esse período; a La Liga somou 4,6 treinadores, por exemplo. Nas outras grandes competições continentais, a Premier League é a mais avessa a mudanças (3,2 treinadores em média), seguida pela Ligue 1 (3,4), Bundesliga (3,8) e Serie A (3,9).