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DGS queria o “menor número possível de estádios” e entretanto foram aprovados 16. O que aconteceu? Nada, era “apenas uma indicação”, diz

No parecer técnico feito pela Direção-Geral de Saúde para a retoma da competição leu-se que, dos 18 estádios da Liga NOS, poucos deveriam ser utilizados, na medida do possível. Mas já aprovou 16. Porquê? Não foi definido "um número específico", portanto, tudo ficou dependente das vistorias

Diogo Pombo

O Estádio dos Arcos, do Rio Ave, foi um dos últimos a ser aprovado pelas vistorias das Autoridades Regionais de Saúde.

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A 10 de maio, a Federação Portuguesa de Futebol divulgou o parecer técnico que a Direção-Geral de Saúde redigiu, com 14 pontos, para o regresso da Liga NOS que, entretanto, foi marcado para 3 de junho. É um conjunto de regras, condições e recomendações que deverão ser respeitadas para que se concluam as 10 jornadas e os 90 jogos que faltam no campeonato. A alínea b) do 13.º ponto estipula "a seleção dos estádios para as competições oficiais, bem como os seus critérios", cuja primeira frase é a seguinte:

"As competições devem ser realizadas no menor número possível de estádios."

Pelo que se lê, de entre os 18 estádios dos 18 clubes da Liga NOS, deveriam ser utilizados tão poucos quantos fosse possível, mas, a 25 de maio, outro comunicado da FPF revelou que 14 recintos já tinham sido "autorizados a receber jogos" do campeonato.

Do menor número possível passou-se, em 15 dias, para apenas o Moreirense, o Santa Clara e o Belenenses SAD não terem os seus estádios aprovados para acolherem partidas conforme as medidas de segurança exigidas pela DGS. Cinco clubes vão jogar em casa emprestada, sendo que uma delas será a Cidade do Futebol, portanto, o menor número possível de estádios ficou nos 16.

Mas seria essa a contagem?

Não, porque a Direção-Geral de Saúde não tinha "definido um número específico" de estádios à partida, revelou a entidade, em resposta à Tribuna Expresso, explicando que a referência ao "menor número possível de estádios" se tratou de uma "indicação" - algo que não está clarificado no parecer técnico.

Adicionalmente, a DGS diz também que "deu indicação" de que "todos esses estádios teriam de cumprir medidas rigorosas de prevenção e controlo da infeção" e seriam alvo de "vistorias pelas Autoridades de Saúde".

Ou seja, o número de recintos onde se jogariam os restantes encontros do campeonato ficaria dependente de quantos fossem aprovados pelas Autoridades Regionais de Saúde, e não de um eventual limite mínimo, ou máximo, imposto pela DGS.

O "menor número possível de estádios" foi apresentado como um critério. Mas, ao que parece, era apenas uma indicação.

[artigo atualizado às 11h47 de sexta-feira, tendo sido acrescentado o Estádio do Famalicão, à lista dos estádios aprovados, que assim aumentou para 16.]