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Nuno Santos foi ameaçado nas redes sociais e respondeu: "Não é o Benfica que me paga as contas ao fim do mês, é o Rio Ave"

O extremo português foi expulso no jogo contra o Benfica, ao acertar com um pontapé em Pizzi e, no Instagram, foi insultado, ameaçado e criticado em comentários a uma fotografia do filho bebé, publicada há dois meses. Situação que "passou todos os limites" e levou Nuno Santos a escrever que "não admite que ponham em causa o [seu] profissionalismo". Ainda assim, o jogador do Rio Ave garante: "Acredito muito no futebol português"

Diogo Pombo

Carlos Rodrigues/Getty

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É triste, é mau, é escusado e, sobretudo, é lamentável, que um jogador de futebol pegue no telemóvel, abra a aplicação de uma rede social e publique uma fotografia, que mostra felicidade e deveria apenas receber a mesma moeda em troca - por ser do seu filho no aniversário do primeiro mês de vida, encostada num sofá, ao lado de um peluche.

A fotografia foi publicada há oito semanas, mas lá começa a receber insultos, ameaças, vernáculo e críticas ofensivas vindas de pessoas protegidas atrás de um ecrã.

A justificação? Nenhuma. Mas o motivo é identificável. Na quarta-feira, Nuno Santos, extremo do Rio Ave, foi expulso a meio do jogo contra o Benfica por atingir Pizzi com um pontapé. O português estava, há três épocas, contratualmente ligado ao Benfica, mas há três anos que já não o está, mas muita gente houve que, no seu juízo, talvez julgasse que a chuteira de Nuno Santos que bateu em Pizzi e lhe valeu um cartão vermelho direto tenha algo de propositado por causa do passado do jogador.

E decidiram insultá-lo, ameaçá-lo e criticá-lo no post mais recente que fez no Instagram, com a sua filha de um mês.

Nuno Santos acabaria por bloquear os comentários à fotografia e, mais tarde, escrever outra publicação, esta a reagir à clubite que lhe foi dirigida e a mais uma demonstração de tudo o que há de mau e pior no futebol português. "Desta vez passou todos os limites. Podem criticar as minhas exibições ou a minha forma de jogar, cada um tem a sua opinião, mas não admito que ponham em causa o meu profissionalismo e que usem as redes sociais para ameaçar a mim e a minha família", começou por lamentar o jogador.

Instagram

O português, de 25 anos, não deveria ter de o fazer, mas lembra o não é o Benfica "que paga as contas ao fim do mês, mas o RIO AVE", recordando também que foi campeão no clube da Luz, também campeão nos juniores do FC Porto e "sempre [marcou] golos aos rivais".

Nuno Santos até dedicou palavras a explicar o lance que lhe valeu a expulsão - "nem tenho noção de que o Pizzi está ali pois só estou a tentar seguir a bola" -, revela que, em janeiro, rejeitou uma hipótese de ir jogar para o estrangeiro por "acreditar muito no futebol português".

O futebol português que continua a ter episódios destes.

A mensagem completa de Nuno Santos:

"Eu não sou destas coisas, mas já não é a primeira vez que me acontece isto, mas desta vez passou todos os limites. Podem criticar as minhas exibições ou a minha forma de jogar, cada um tem a sua opinião, mas não admito que ponham em causa o meu profissionalismo e que usem as redes sociais para ameaçar a mim e a minha família. Triste realidade...

Se havia alguém que queria ganhar ontem (como sempre) era eu que quero em todos os jogos mostrar que estou pronto para patamares mais elevados. Não importa se joguei no SLB, o que importa é que não são eles que me pagam as contas ao fim do mês, mas sim o RIO AVE que defendo com toda a convicção.

Da mesma forma que vibrei quando fui Campeão pelo SLB, vibrei quando fui Campeão Sub17 pelo FCP e sempre que marquei golos aos rivais nas 9 épocas que os representei.

Ontem ninguém pode dizer que não estava a dar o meu máximo.

Na expulsão, eu tento fazer uma recepção, numa bola que passa por cima de mim. Nem tenho noção de que o Pizzi está ali pois só estou a tentar seguir a bola. O árbitro decidiu pela expulsão mas eu toco na bola em primeiro lugar. Mas dizerem que foi propositado é muito grave. Nunca o faria nem iria colocar em causa a integridade física de um colega propositadamente.

Eu acredito muito no futebol português, e por isso descartei a saída em Janeiro para tentar "dar o salto" para um grande português, independentemente da cor. Eu sempre preferi Portugal ao estrangeiro. Mas situações como as ameaças que sofri ontem, só estragam o que temos por cá."

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