Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

São João, dá cá um campeão

Em noite de São João, o FC Porto venceu o dérbi portuense frente ao Boavista, sem as dificuldades de finalização da jornada anterior, marcando quatro golos sem resposta. A equipa de Sérgio Conceição é novamente líder da Liga, com mais três pontos do que o Benfica

tribuna expresso

Quality Sport Images

Partilhar

O jogo no Dragão ainda não tinha começado e já se via fogo de artifício nos céus do FC Porto. A celebração não era provocada pela derrota do Benfica na Luz, poucos minutos antes, mas justifica-se com a noite festiva do São João, este ano fortemente condicionado pela pandemia covid-19.

Tão condicionado, aliás, como esta retoma da Liga portuguesa, cujo impacto negativo nos dois principais candidatos ao título estava à vista, de um lado e de outro, com exibições pouco felizes e resultados igualmente desagradáveis. Se na última jornada a "fava" tinha estado do lado do FC Porto, que empatou com o Aves, último classificado, apesar das inúmeras ocasiões para se colocar em vantagem, incluindo um penálti, falhado por Zé Luís, esta jornada foi a vez de ser o Benfica a ficar para trás.

Porque o FC Porto, em casa, entrou confiante e nunca pareceu perder o controlo do dérbi portuense, coroando a noite festiva com uma vitória segura, que, ainda assim, só surgiu na 1.ª parte.

Com Marega e Soares de volta ao onze, por troca com Uribe e Zé Luís, o FC Porto começou com o seu "joker", o homem que anda por quase todas as posições, Corona, como médio interior esquerdo, ladeado por Sérgio Oliveira e Otávio, enquanto Diaz assumia a ala esquerda e Marega a ala direita, com Soares mais à frente.

Com o Boavista de Daniel Ramos montado num 5-4-1 bem fechado atrás, as oportunidades de golo escassearam nos primeiros 45', com os primeiros sinais de perigo a surgirem em cantos: Pepe de cabeça, Marega para defesa de Helton e Corona para fora.

Por outro lado, o Boavista pouco se aventurava no meio-campo portista, com exceção para um remate fraco de Yusupha para as mãos de Marchesin.

Aparentemente pouco satisfeito com a repetição da falta de eficácia portista, Sérgio Conceição mexeu logo na equipa ao intervalo: retirou Tomás Esteves e Diaz e colocou em campo Manafá e Uribe.

E foi precisamente Uribe que, no corredor central, após uma boa jogada coletiva, encontrou Corona à entrada da área e viu o mexicano isolar Marega: 1-0 para o FC Porto, logo aos 53'.

O golo desbloqueava fantasmas da jornada passada e a tranquilidade estava mesmo ao virar da esquina: lançamento de Uribe para Marega na profundidade, o avançado entra na área e é derrubado por Dulanto.

Penálti que, ao contrário de Zé Luís, Alex Telles conseguiu concretizar, para o 2-0.

O jogo já decorria de forma tranquila para a equipa de Sérgio Conceição quando uma jogada tirada a papel químico da anterior fez com que Marega voltasse a chegar à área com bola controlada e, desta vez, cruzasse... mas Dulanto tinha o braço aberto e tocou.

Novo penálti para o FC Porto, desta vez concretizado por Sérgio Oliveira, para o confortável 3-0, aos 70'.

Já com o jogo praticamente resolvido, Sérgio Conceição fez descansar Soares, Sérgio Oliveira e Corona, fazendo entrar Danilo, Fábio Silva e Fábio Vieira, e o FC Porto controlou o restante tempo sem grandes sobressaltos.

O golo que encerrou a contagem surgiu já aos 84', quando Uribe - excelente entrada - recuperou uma bola no meio-campo ofensivo e permitiu que Fábio Vieira lançasse rapidamente Marega na profundidade. O avançado do Mali, em frente a Helton Leite, não falhou e fez o 4-0 final.

E, à 28ª jornada, o FC Porto volta a ser líder isolado da Liga, com mais três pontos do que o Benfica. Na próxima jornada, marcada para dia 29, o Benfica vai à Madeira, defrontar o Marítimo, enquanto o FC Porto vai a Paços de Ferreira. Pelo menos esta noite, a festa é portista.

Como gerir um jogo em vantagem: um manual a não seguir

Erros individuais e incapacidade de controlar com bola quando se vê a ganhar: é isto o Benfica do pós-pandemia. Depois de ter feito o mais complicado, virar um 1-2 para um 3-2, o Benfica mais uma vez não soube gerir uma vantagem e uma defesa em pânico deixou o Santa Clara partir a vitória (4-3) num jogo de loucos em que os encarnados somaram o 5.º jogo consecutivo sem vencer na Luz