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Taça da Liga: os bastidores da decisão da Liga que apanhou desprevenidos Benfica, Sporting e FC Porto

O organismo decidiu manter a competição nos mesmos moldes, contra os pedidos dos três grandes e também de grande maioria dos clubes que acreditam ser complicado adequar um calendário mais curto (e apertado pelas consequências da pandemia) à competição que menos lhes diz

Pedro Candeias

O Braga conquistou a Taça da Liga a 25 de janeiro, derrotando o FC Porto na final

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As reuniões de calendarização da Liga decorrem periodicamente ao longo de uma época e podem ser mensais ou trimestrais; servem para ir alinhando datas que se tornam obsoletas face ao andamento das competições nacionais e internacionais. Em casos excecionais, os encontros são semanais – foi assim no período que sucedeu à interrupção dos campeonatos por causa da pandemia, que baralhou o calendário do resto desta temporada e condicionou o arranque da seguinte.

Ora, para a generalidade dos clubes – nomeadamente FC Porto, Benfica, Sporting e Sporting de Braga –, a Taça da Liga seria por isso um empecilho num calendário forçosamente mais apertado em 2020-21, com apenas nove meses disponíveis (menos um do que o habitual) para enquadrar o campeonato, a Supertaça, a Taça de Portugal, as competições de clubes da UEFA, as datas FIFA e o Euro2021.

Por isso, em sede própria, os três grandes e o Braga demonstraram-se contra a realização da Taça da Liga nos mesmos moldes e o Sporting avançou mesmo com duas propostas: o adiamento ou a suspensão, sugestões às quais os adversários se mostraram favoráveis. Por outro lado, os clubes recordaram à Liga que a Liga dos Campeões, a Liga Europa e até a Taça da Liga inglesa tinham sido alvo de reformulações, pelo que não fazia sentido continuar tudo como dantes em Portugal.

A Liga, por seu turno, não queria dar a sua Taça como perdida face ao investimento e ao retorno financeiro proporcionado pelos patrocinadores (chama-se Allianz Cup) e pelos operadores televisivos, mas demonstrou-se sensível às queixas dos emblemas. Chegou, aliás, a adiantar que as datas FIFA poderiam ser utilizadas para o efeito. Tal impediria os futebolistas internacionais convocados pelas respetivas seleções de disputarem os encontros da Taça da Liga, mas isso seria um mal necessário.

Só que, na última terça-feira, 7 de julho, no decurso de um desses plenários para tratar do calendário, os clubes foram surpreendidos com a decisão da Liga: afinal, a Taça da Liga é para ser disputada tal como vem sendo desde 2015, com duas fases de grupos e uma final-four. Durante essa reunião, sabe a Tribuna Expresso, o Benfica terá protestado e o Sporting, representado por Hugo Viana e Vasco Fernandes, garantiu que não se manifestaria, porque já o fizera várias vezes em momentos anteriores; ambos os clubes de Lisboa emitiram comunicados a criticar a Liga na quarta-feira e um deles terá apanhado a Liga desprevenida.

Porque, hoje, quinta-feira, Helena Pires, diretora-executiva do organismo, defende-se num artigo no qual jornal “Record” e diz-se surpreendida com a posição pública dos responsáveis de Alvalade – “houve, de facto, um clube que, desde a primeira hora, se manifestou contra a Taça da Liga e não foi o Sporting”, lê-se no texto; o emblema não nomeado por Helena Pires é o Benfica, que já retirara o apoio à a Pedro Proença nas últimas eleições para a liderança da Liga. O clube de Alvalade, sabe a Tribuna Expresso, considera que, com esta decisão unilateral, a Liga não cumpre os seus deveres, por não defender os interesses dos clubes, mas sim os do próprio organismo.