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Wendel derrotou a apatia e Jovane vai sonhando

Leões voltam às vitórias com um golo de Jovane, depois de uma bela jogada de Wendel, um médio que foi dando nas vistas e que inventou alguns dos melhores lances da equipa de Amorim. Sporting está a 9 pontos do Benfica

Hugo Tavares da Silva

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Paços de Ferreira, Tondela, B SAD (2) e Santa Clara. Jovane está, como se diz na bola, com o pé quente. Cinco golos nos últimos cinco jogos, faltou-lhe apenas molhar a sopa contra o Moreirense. No fim do jogo desta noite, o avançado disse que o mister Amorim tem dado confiança. “Sempre acreditei em mim para concretizar o meu sonho”, garantiu, depois de resolver mais um jogo: 1-0 vs. Santa Clara.

O futebolista cabo-verdiano até ganhou o prémio de homem do jogo, mas a bola sorriu mais quando estava nos pés de Wendel e, aqui e ali, nos de Lincoln, um miúdo de 21 anos que se estreou aos 16 no Grémio de Scolari.

Rúben Amorim fez regressar à equipa titular Wendel, Eduardo Quaresma e Nuno Mendes. Acuña foi o escolhido para desempenhar o papel de central do lado esquerdo, o que nem lhe assentou nada mal. O Santa Clara parecia ter o plano bem estudado: fechar com linha de 6, com os extremos Zaidu e Carlos Junior a acompanharem os alas Ristovski e Nuno Mendes. Com bola, a velocidade de Zaidu parecia a arma mais explícita, mas a capacidade e qualidade de Thiago Santana a jogar de costas resolveu alguns problemas durante os primeiros 45’.

Os da casa começaram com muito mais bola. Só a canhota de Lincoln ia aliviando o domínio apático e pouco venenoso do Sporting, nem que seja pela pausa, oferecendo tempo e espaço aos colegas para ganharem posições ou metros. Doumbia ia exibindo alguns problemas técnicos, no entanto a sua presença soltava Wendel, que nesta primeira parte investiu em algumas diagonais. O plano de Amorim parecia passar por dar largura e tentar jogar por dentro ou, caso aconteça o que se verificou, com o Santa Clara a fechar bem por dentro, explorar os alas. No limite, criar dúvida e descobrir onde está o espaço. Apesar de sair a jogar com alguma facilidade, o Sporting quase nunca encontrou a criatividade e velocidade para desmontar a teia do rival.

Jovane, o tal rapaz com o pé quente e com queda para os livres diretos, rematou com perigo aos 19’. A seguir foi Gonzalo Plata, quase sempre discreto. Por outro lado, as poucas saídas com qualidade por parte dos açorianos acabaram nas mão seguras de Luís Maximiano, um guarda-redes que parece estar preparado para o que vem aí. Jovane, de livre, voltou a deixar um aviso. Curiosa a expectativa que gera quando tem uma bola destas, perto da área, como que ganhando um estatuto não verbalizado de especialista.

Apesar de haver mais Sporting, muito mais, os tímidos homens dos Açores quase marcaram em cima do intervalo, quando o pé esquerdo de Lincoln sacou um cruzamento maravilhoso e encontrou a cabeça de Santana, ao primeiro poste. A bola passou a centímetros do poste esquerdo.

A segunda parte trouxe o mesmo ritmo, que era baixo, e talvez ainda menos ideias. Havia menos dinâmica, o Sporting ia revelando algumas dificuldades para sair a jogar. O Santa Clara, aos 65’, esteve perto do golo novamente. Um livre lateral deixou Zaidu na cara de Max, mas faltou um primeiro toque daqueles que promete uma viagem às nuvens.

Doumbia e Wendel estavam muitas vezes na mesma linha, o que não ajudava na progressão. Desde a primeira parte que qualquer lance em que Wendel tocava, um pouco à frente no terreno, era o que bastava para a equipa de Amorim jogar melhor. Foi isso que aconteceu aos 67’. O médio brasileiro pegou na bola, aguentou, enganou um defesa, convidou a algum desacerto da linha defensiva açoriana e cruzou ao segundo poste, onde apareceu Jovane a tocar para as redes da baliza de Marco Pereira. Foi um gesto difícil. O avançado, de 22 anos, leva seis golos na liga.

A história do jogo está feita. Matheus Nunes e Tiago Tomás voltaram a ter minutos, mas, para além de um túnel maroto do segundo, não trouxeram nada de especial. Ou trouxeram: o sentimento de que os miúdos contam em Alvalade.

Apito final. O Santa Clara, que já tem a permanência garantida, assina a terceira derrota consecutiva (todas depois daquele 4-3 na Luz). Já o Sporting volta às vitórias e, a três jornadas do fim, coloca-se a nove pontos do Benfica e mais seis do que o Sp. Braga (menos um jogo).

No fim, ao receber o troféu de melhor jogador em campo, Jovane explicou o que se segue: “Somos Sporting, vamos lutar, o que interessa sempre é a vitória.” Na próxima jornada os leões deslocam-se ao Estádio do Dragão, um jogo onde poderá haver campeão, isto se o Benfica não tropeçar com o Vitória de Guimarães na véspera...