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#FCPorto29. O melhor onze de 2019-20 está aqui

A Tribuna Expresso promoveu uma eleição interna e decidiu-se pelos jogadores que se seguem: um por um, os onze melhores em cada uma das suas posições

Lídia Paralta Gomes e Pedro Candeias

Trincão, o novo português em Barcelona

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Marchesin

Substituir um bom guarda-redes nunca é fácil, substituir uma lenda como Iker Casillas é um berbicacho bem pior - e Marchesin, na generalidade dos casos, fê-lo com dignidade. O argentino contratado ao América do México ultrapassou as dificuldades inicias, próprias de quem cruza um oceano para encontrar um futebol diferente, e assegurou a titularidade. Fortíssimo no um contra um e com uma capacidade de reação notável - duas defesas no espaço de um segundo contra o Gil Vicente e contra a Académica, por exemplo - Marchesín foi classificado como a melhor contratação do FC Porto para 2019-20. Apesar daquele erro contra o Famalicão e apesar, também, do castigo por participar naquela festa fora de horas do colega Uribe.

Corona

Originalmente, Corona não é um defesa-direito, mas alinhou em pelo menos 19 jogos nessa posição o que fez dele o lateral destro de Sérgio Conceição. O talentoso e versátil mexicano, que tem naturalmente mais dificuldades a defender do que a atacar, marcou golos (4) e assistiu (13) o número de vezes suficiente para se tornar o melhor da Liga neste particular. Por outro lado, a sua consistência - foi titular em todas as 31 jornadas, jogando como defesa, médio direito e esquerdo, e até a extremo - e criatividade foram de uma utilidade ímpar para o treinador.

Pepe

Vamos lá falar de esterótipos: as duplas de centrais são formadas por tipos distintos, a saber, o durão e o tecnicista, e não é difícil imaginar em qual dos perfis encaixa Pepe. O luso-brasileiro de 37 anos, cuja carreira se prolonga além dos padrões normais, assumiu-se como o líder da defesa, transportando consigo aquilo de que muita gente fala, mas que continua indecifrável: a tal mística. Nem sempre bonito de ver, com marcações ao homem de tempos antigos - e com lapsos de posicionamento que a velocidade de hoje já não consegue compensar - Pepe foi, ainda assim, um dos melhores centrais do campeonato.

Mathieu

O outro é um ano mais novo. O francês, de 36 anos, despediu-se do futebol sem direito a uma homenagem adequada para vitoriar um dos melhores a ter jogado em Portugal nos últimos anos. Mathieu lesionou-se com gravidade e achou por bem terminar a carreira agora, deixando para trás a imagem de um central bom de bola, estranhamente rápido e quase sempre bem posicionado e atento às dobras dos companheiros. O golo de livre direto ao Portimonense é a imagem que fica deste gaulês oxigenado.

Alex Telles

Ano após ano continua a ser um dos pêndulos do FC Porto, tanto figurativamente, pela sua enorme regularidade, como nos movimentos que faz em campo, naquela ala esquerda em que parece defender quase tão bem quanto ataca, cada vez mais uma raridade por estes dias. Esta temporada tornou-se ainda no marcador oficial de grandes penalidades do clube, daí também os 10 golos na Liga, onde é o melhor marcador do FC Porto. A esse número junta um total de 9 assistências em todas as competições. Decisivo.

Pedro Gonçalves

Formado entre o Chaves, Sp. Braga, Valencia e Wolverhampton, Pedro Gonçalves voltou este ano a Portugal para se tornar numa das figuras centrais da equipa-surpresa da Liga, o Famalicão. Dentro de uma ideia de jogo que quer e trata bem da bola, o médio centro de apenas 22 anos parece jogar com a maturidade de um jogador com muitos mais anos de futebol em cima. Excelente a descobrir os espaços, também vai atrás para defender. Num plantel profundo como o do Famalicão, é o jogador mais utilizado, para lá dos 5 golos que marcou e das 6 assistências que distribuiu.

Pizzi

A nível exibicional, a época 2019/20 está longe da consistência da última para o médio do Benfica. Altos e baixos, muito ao sabor daquilo que tem sido o Benfica deste ano. Mas os números não mentem e deram um salto - ainda a temporada não acabou e Pizzi já leva 27 golos no total das competições, mais 12 do que em 2018/19. Assistências são já 16. Na Liga marcou 17 vezes - os mesmos que o colega de equipa Vinícius. Fundamental na manobra atacante dos encarnados, principalmente nos primeiros meses da temporada. E o Benfica ressentiu-se sempre que Pizzi esteve mais apagado.

Fábio Martins

Aos 26 anos, o extremo parece finalmente ter encontrado uma equipa e uma ideia de jogo que se adaptam às suas características. Dez golos na Liga pelo Famalicão (e alguns deles bonitos), seis assistências, grande envolvimento no ataque e comprometido na hora de defender, Fábio Martins também é uma figura fora dos relvados - ainda não é assim tão comum ver jogadores de futebol em Portugal sem receio de dizer publicamente o que pensam, ainda para mais com uma mensagem tão firme e sensata.

Trincão

O jovem português parecia destinado a ser uma das figuras do campeonato, mas só com a chegada de Rúben Amorim ao banco do Sp. Braga Francisco Trincão se tornou numa aposta consistente a titular. E o que antes eram apenas aperitivos de um talento acima da média viraram certezas: um jogador completo, de uma técnica refinada, definição, capacidade para criar e para fazer golo a partir da ala direita - leva já oito golos e seis assistências esta época na Liga. Não foram precisos muitos jogos a titular para convencer o Barcelona, que pagou 31 milhões de euros para o ter na Catalunha na próxima temporada.

Mehdi Taremi

A qualidade de Mehdi Taremi foi tão evidente no arranque do campeonato que Carlos Carvalhal, seu treinador no Rio Ave, quase que o deu como perdido no final da época. "Sem desprimor para o campeonato português, mas o Taremi é para outros voos", disse então o técnico, após o impacto imediato do iraniano na equipa. À jornada 3, marcou 3 golos frente ao D. Aves e no jogo seguinte sofreu três grandes penalidades em Alvalade, que ajudaram o Rio Ave a bater o Sporting (3-2). Jogador diferenciado, alia técnica à rapidez e à capacidade não só de fazer golos mas também de os ajudar a construir e está numa reta final de campeonato impressionante, com sete golos desde o retomar da Liga - tem 14 no total.

Vinícius

Chegou ao Benfica sob a desconfiança de um número: 17 milhões de euros. Foi o preço de Carlos Vinícius, rapaz que chegou à Europa pelo Real Massamá, viu-se contratado pelo Nápoles e a brilhar num empréstimo ao Rio Ave na primeira metade da época passada. Nos encarnados, começou a época aparentemente como terceira opção do ataque, atrás de Raul de Tomas e Seferovic. Mas a falta de adaptação do espanhol e a seca do suíço fizeram do brasileiro titular à jornada 9 e logo com dois golos ao Portimonense. Entre outubro e dezembro, Vinícius teve o seu melhor período, com 9 golos em 12 golos, alguns deles decisivos, como o golo da vitória nos quartos-de-final da Taça de Portugal, frente ao Sp. Braga. Daí para cá, com pandemia pelo meio, tem acompanhado a descida de forma do Benfica. Ainda assim, é o melhor marcador do campeonato, com 17 golos, 22 no total das competições.