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GNR reboca autocarro e arresta outros bens no estádio do Desportivo das Aves

A SAD do Académico de Viseu já colocou o autocarro do clube à disposição do Desportivo das Aves

Lusa

JOSÉ COELHO/LUSA

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A Guarda Nacional Republicana rebocou esta quinta-feira o autocarro do Desportivo das Aves e arrestou outros bens no estádio, com base numa providência cautelar movida pela construtora Engimov à SAD do lanterna-vermelha da I Liga de futebol.

Fonte dos nortenhos confirmou à Lusa que foram penhoradas cadeiras, uma secretária e uma televisão que se encontravam nos escritórios da SAD, representada no recinto pelo líder Wei Zhao, além de Estrela Costa, acionista da 'Galaxy Believers', empresa gestora da administração do emblema de Santo Tirso, e António Soares, diretor de comunicação.

Apesar das advertências do agente de execução para que nada fosse levado dos escritórios da SAD, os administradores levantaram uma série de pastas e documentos e abandonaram o estádio em viaturas pessoais por volta das 13:00 horas, perante os protestos de quase meia centena de adeptos, na companhia da direção do clube.

O arresto de bens arrancou depois das 12:00 e foi pedido pela Engimov, a quem foi adjudicada sem concurso a construção do centro de estágios avense, cuja primeira pedra foi lançada em 15 de setembro de 2016 e tinha conclusão prevista para o início de 2018.

O investimento inicial de 3,6 milhões de euros (ME) previa três campos de futebol, balneários, estruturas de apoio e uma unidade hoteleira de 50 quartos, mas a empreitada está parada há vários meses e o terreno redundou num amplo descampado.

De acordo com uma investigação publicada pelo jornal Público em 8 de junho, apesar de o relatório e contas da SAD do Aves mostrar pagamentos na ordem dos 1,5 ME, a construtora sediada em Vila Verde exige uma verba em atraso superior a 400 mil euros.

Wei Zhao garantiu que os serviços jurídicos do Desportivo das Aves iam avançar com um processo na justiça, até que surgiu esta penhora de bens, no desenrolar de uma semana atribulada, na qual a direção do clube deu entrada na terça-feira com uma ação judicial no Tribunal da Comarca de Santo Tirso, a pedir a destituição dos órgãos sociais da SAD.

A SAD do Académico de Viseu colocou o autocarro do clube à disposição do Desportivo das Aves, para transportar a equipa até ao Algarve, onde no domingo defronta o Portimonense, em jogo da 34.ª e última jornada da I Liga de futebol.

"Juntos pela verdade desportiva", é como o clube beirão justifica este ato solidário, no dia em que foi conhecido o arresto de bens, e a penhora do autocarro, na sequência de um processo judicial movido à SAD do clube da I Liga de futebol, e que poderá condicionar a deslocação da equipa até ao Algarve.

A oferta solidária dos beirões foi feita através de uma curta publicação na página oficial na rede social Facebook, acompanhada de uma foto do autocarro do clube.

À Lusa, fonte do Académico de Viseu acrescentou que não houve, até ao momento, nenhum contacto formal com os responsáveis pela SAD do Desportivo das Aves, mas que a oferta "está de pé, e é para levar a sério".

Este é o último episódio do diferendo entre as duas partes, na sequência da incerteza gerada em torno da realização da receção ao Benfica, na terça-feira, no encerramento da 33.ª jornada, que as águias venceram por 4-0, à qual a SAD informou no domingo que não iria comparecer, devido à anulação da apólice de seguro de acidentes de trabalho.

A situação foi resolvida pelo clube no dia seguinte, quando venceu o terceiro mês de salários em atraso, que resultou nas rescisões dos guarda-redes Quentin Beunardeau e Raphael Aflalo, do defesa Jonathan Buatu, dos médios Aaron Tshibola, Estrela e Pedro Delgado e dos avançados Kevin Yamga, Rúben Macedo e Welinton Júnior.

Os futebolistas, treinadores e outros funcionários deslocaram-se em viaturas pessoais até ao estádio no dia do desafio, colmatando o desconhecimento do clube sobre o paradeiro das chaves do autocarro, a cargo da administração de Wei Zhao, que estava estacionado ao lado do veículo que transportou o vice-campeão nacional.

Os jogadores subiram ao relvado pouco depois de a SAD do Aves ter sido absolvida de um processo disciplinar associado ao incumprimento salarial de março a abril, numa decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) idêntica ao desfecho sobre o atraso de vencimentos entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020.

A decisão do Conselho de Disciplina da FPF impede uma penalização de dois a cinco pontos, face aos 17 somados em 33 jornadas pelo Desportivo das Aves, que confirmou a despromoção à II Liga em 29 de junho e despede-se com a visita ao Portimonense, num encontro da 34.ª jornada, que será arbitrado por Hugo Miguel, da associação de Lisboa.

A SAD ameaçou na sexta-feira faltar à partida marcada para domingo, às 19:30, no Portimão Estádio, de forma a "salvaguardar a transparência na luta pela permanência", receando "não reunir jogadores suficientes e que garantam uma equipa competitiva".

Cinco dias depois, a administração recuou na intenção e frisou "estar a desenvolver todos os esforços" para assegurar a visita do Desportivo das Aves ao Algarve e "terminar a temporada com a dignidade e respeito que a instituição merece", após a direção de António Freitas referir que já estava a tratar da preparação logística do encontro.

Os nortenhos começaram esta quinta-feira a preparar o embate com o Portimonense, 17.º e penúltimo colocado e primeiro clube abaixo da zona de salvação, com 30 pontos, que luta com Vitória de Setúbal (16.º, com 31 pontos) e Tondela (15.º, com 33) pela permanência.