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Estado de graça, bluff, caído em desgraça: Rúben Amorim já sabe como é, mas saberá ele como vai ser?

As duas leis mais irresistíveis das leis da vida fizeram as suas respetivas aparições no dérbi da Luz: a lei do mais forte, porque Vinicius, que custou €17 milhões, fez o seu 19.º golo e sagrou-se o goleador da Liga; e a Lei de Murphy, que atirou com o Sporting para o quarto lugar, com os mesmos pontos do Braga e derrotado no confronto direto com o adversário. Quem treinava os bracarenses no triunfo (1-0) de fevereiro de 2020? Um tal de Rúben Amorim. Que perdeu os dom da invencibilidade e da intocabilidade: duas derrotas e um empate nas três últimas jornadas da Liga e a entrada discreta nos playoffs da Liga Europa

Pedro Candeias

Seferovic foi titular, fez o 1-0 - e seria substituído por Vinícius, que fez o 2-1. Os suplentes de elite do Benfica impuseram a sua lei

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Agora que já sabemos que Rúben Amorim sabe como é, porque ele nos guiou pelo ciclo de vida de um treinador - “estado de graça, bluff, o anterior é que era bom”, disse ele -, passemos à fase seguinte: aquela em que Rúben Amorim não sabe como vai ser.

Como em muitas coisas, o que vai ser depende da sorte e sobretudo do dinheiro, pois apesar de todas as boas intenções de Amorim - cada lance começa lá atrás, da linha de três, e daí progredir em posse até à baliza do adversário; em sentido contrário, pressiona-se alto -, há um problemazito para resolver.

É que estas ideias interessantes, boas e bonitas de se verem, são as mais difíceis de pôr em prática; exigem bastante jeito para jogar à bola, além da experiência e da repetição obsessiva do treino. Se sobre o terceiro requisito não podemos falar, sobre o segundo e o primeiro, o clássico FC Porto 2-0 Sporting e este dérbi Benfica - Sporting mostraram-nos que em Alvalade está uma classe ainda jovem e francamente curta para grandes objetivos. Uma simples comparação entre plantéis chega para legitimar a generalização que acabo de fazer. Aponto o seguinte: no banco, o Benfica tinha Vinicius, Dyego Souza e Rafa; o Sporting tinha Vietto.

E assim o Sporting perdeu o jogo, jogando francamente melhor a segunda-parte do que a primeira, em que o Benfica colecionou oportunidades de golo e marcou apenas um, por Seferovic, de cabeça e numa bola parada., os encarnados foram para intervalo a lamentar-se dos lances falhados, vários deles nascidos de um gegenpressing dos pequeninos. Com os médios subidos e os avançados abertos, os encarnados provocaram erros na construção de jogo leonina o número suficiente de vezes para pôr Max à prova e em apuros. Mas como a taxa de concretização do Benfica equivale à de um míope na carreira de tiro, a coisa ficou 1-0 nos primeiros 45’. Cabia, então, a Amorim tentar contrariar a tendência e acima de tudo garantir a entrada direta na Liga Europa, em disputa com a equipa que deixara para entrar em Alvalade: o Braga, que jogava à mesma hora com o FC Porto.

E não é que o Sporting tenha recomeçado mal o dérbi. Pelo contrário, os miúdos de Amorim entraram bastante melhor do que o rival, pois conseguiram ligar as frases interrompidas, construindo bons argumentos perante a falta de coerência do Benfica, que emudeceu a espaços. Nesse período de desacerto encarnado, que durou até aos 70 e poucos minutos, os de Alvalade foram realmente perigosos, com um tiro ao ferro do pós-adolescente Tiago Tomás (65’) que, aos 69’, isolou Sporar para uma remate-cueca a Vlachodimos. Feito o empate, o Benfica tremeu e o Sporting chutou incessantemente - sete remates em 30 minutos - só que à medida que o tempo avançava e o ácido láctico atuava, Veríssimo foi buscando reforços aos suplentes de elite e o equilíbrio de forças restabeleceu-se.

Depois, as duas leis mais irresistíveis das leis da vida fizeram as suas respetivas aparições: a lei do mais forte, porque Vinicius, que custou €17 milhões, fez o seu 19.º golo e sagrou-se o goleador da Liga; e a Lei de Murphy, que atirou com o Sporting para o quarto lugar, com os mesmos pontos do Braga e derrotado no confronto direto com o adversário. E quem treinava os bracarenses no triunfo (1-0) de fevereiro de 2020? Um tal de Rúben Amorim. Que perdeu os dom da invencibilidade e da intocabilidade: duas derrotas e um empate nas três últimas jornadas da Liga.