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Carlos Carvalhal: nascido em Braga, feito em Braga e novamente treinador do Braga

Jogou em Braga, vive em Braga, até montou uma empresa em Braga e agora vai treinar, de novo, o Sporting de Braga. Carlos Carvalhal foi confirmado como novo treinador do clube minhoto, depois de levar o Rio Ave à Liga Europa com um novo recorde de pontos da equipa no campeonato

Diogo Pombo

NurPhoto

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O Sporting de Braga confirmou Carlos Carvalhal como novo treinador para as próximas duas épocas e este é um resumo da sua história com Braga, o lugar e o clube.

Já lá vão os anos, foi em 1978, começava ele em gaiato a jogar nas escolas do Braga e a fazer-se à possível vida de futebolista que viria, de facto, a ter. Cresceu e fez-se jogador com o branco e o vermelho, a sénior chegou e estreou-se como profissional em 1983/84, a primeira das temporadas que contou como futebolista a sério onde, presumivelmente, mais queria - em Braga, no Braga e, sendo de Braga, fez-se a parelha mais bracarense que poderia haver.

Dali seguiu para uma carreira que o fez parar um total de seis épocas intermitentes no clube, até dizer basta em 1998 e passar a dedicar-se a orientar quem joga.

Começou logo na época seguinte (1998/99), foi escalando o trilho desde o sopé da montanha, nas divisões de baixo, de onde surgiu com o Leixões e o respetivo brilharete de levar uma equipa do terceiro escalão à final da Taça de Portugal contra o então (2002) Sporting goleador de Mário Jardel. Chegaria pouco depois à I Liga e em 2005 ao seu Braga, onde apenas seis vitórias em 13 jogos precipitaram a decisão de separar o filho da terra do clube da terra.

Carlos Carvalhal foi treinar para lugares que, aos poucos, o aprimoraram e o maturaram: teve a experiência efervescente num Sporting instável (2009/10), foi testar-se para um Besiktas cheio de portugueses e expetativas (2010/11), trabalhou como coordenador técnico de um clube dos Emirados Árabes Unidos (Al Ahli, entre 2013 e 2015) e chegaria a Inglaterra para o seu bom trato, boa disposição e candidez de discurso o fazerem cair nas boas graças no Sheffield Wednesday (2015 a 2018).

Perto ficou, mas nunca logrou promover o histórico clube do Championship à Premier League, nem conseguiu evitar, em meia temporada, que o Swansea descesse. Uma época de inatividade depois, Carvalhal chegou ao Rio Ave que encheu o peito de bravura, fixou com ideias boas e fixas, fez jogar futebol descarado e sem medos, e levou a terminar o campeonato no 5.º lugar, batendo o recorde de pontos (55) do clube e deixando-o qualificado para as pré-eliminatórias da Liga Europa.

Anunciou que se ia embora feliz, com pretendentes a cortejá-lo de muitos sítios, um deles o Flamengo do Brasil, onde enorme sombra de expetativas estendida por Jorge Jesus teria sempre uma área tramada de onde sair, e talvez por isso Carlos Carvalhal a tenha rejeitado - para aceitar um retorno ao lugar onde tudo começou.

Porque, além de se ter formado e jogado no Braga, Carlos Carvalhal é de Braga e, quando ainda lá jogava, até fundou com dois amigos a Lacatoni, empresa de equipamentos desportivos sediada, claro, em Braga, onde agora torna o treinador para orientar uma equipa que acabou o campeonato no 3.º lugar, à frente do Sporting.

Aos 54 anos, Carlos Carvalhal tem, porventura, a experiência num clube lutador de caras por títulos na fase da carreira em que os louros lhe são mais unânimes devido ao estilo de jogo, à postura que dá às equipas e à forma como reage ao que um jogo de futebol lhe dá. O seu Rio Ave terá sido das equipas que melhor futebol praticou durante esta época.

Agora, o treinador vai testar essa capacidade, novamente, no clube da sua terra.