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Carlos Carvalhal: "Eu não vou vestir a pele, esta é a minha pele. O meu ADN é Braga"

Treinador português está de regresso ao banco do Sp. Braga, depois de uma curta passagem em 2006/07. Natural da cidade e antigo jogador do clube, Carvalhal diz que está de volta a casa e congratulou-se pelo "braguismo" que já sente na cidade. O contrato é de dois anos

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MANUEL FERNANDO ARAÚJO

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A pele

"Numa primeira e curta declaração: quando entro num clube costumo dizer que vou vestir a pele desse clube e isso significa que vou incorporar os valores desse mesmo clube, a sua tradição e ideias. Todos nós fazemos isso. Mas desta vez é mais simples: eu não vou vestir a pele, esta é a minha pele. O meu ADN é Braga, o meu futebol positivo e mais evoluído ao longo dos anos pela experiência tem muito da nossa passagem pelo ADN do Braga. Sempre o culto do bom futebol, sempre o culto da técnica em relação à força, sempre o culto de tentar ganhar os jogos todos. Esse é o meu ADN. Estou muito feliz por voltar a casa"

Diferenças para a primeira passagem

"O clube cresceu imenso, a diferença é avassaladora entre a minha última passagem pelo clube e a atual. Tenho muitas pessoas conhecidas no clube. Estamos muito animados para disputar todos os jogos cara a cara em todos os estádios, para vencer. Para dar alegrias a uma massa associativa dedicada, que também ela evoluiu com o clube. Quando eu jogava no clube havia alguma dualidade, mas neste momento eu vejo que claramente existe aqui braguismo, o braguismo está reforçado"

A saída do Sp. Braga

"Não gosto de trabalhos incompletos e eu sinto que tinha um trabalho para fazer no Sp. Braga. Quando saí foram levantadas muitas teorias, em relação a resultados, atritos com o clube, mas eu sempre expliquei muito claramente que tinha miúdos pequenos, em idade escolar, e a família está sempre primeiro nas minhas decisões. Na altura era impossível viver numa situação em que os meus miúdos chegavam a casa todos os dias a chorar, porque os miúdos entre eles são cruéis. Na altura custou-me muito. Ironia do destino, agora foram eles os grandes impulsionadores da minha vinda para cá, além da convição do presidente. Nunca contrariei a minha família nas minhas decisões e tive em casa um grande impulso em casa para voltar a casa, para voltar ao meu clube do coração"

O caminho

"Eu concentro-me no caminho. Alimentar a questão de onde o Sp. Braga pode chegar, eu não alimento essa questão. O que posso dizer é que para chegar a Fátima, eu tenho de ir primeiro daqui a Famalicão, de Famalicão ao Porto, do Porto a Coimbra, etc. É nisso que eu me concentro como treinador, focado sempre no jogo seguinte, com a convicção que vamos tentar vencer os jogos todos"

Plantel

"Temos de dar respostas rápidas. Primeiro o que queremos é formatar a equipa e o plantel. Fazer um plantel competitivo, em que os jogadores estejam por um lado cómodos e por outro incómodos, em que cada jogador sinta que tem um jogador ao lado que lhe possa fazer frente e que vai ter de dar o máximo. Temos de modelar a equipa de acordo com as nossas ideias. Sabemos o que queremos para a equipa, como queremos jogar. O grau de complexidade vai ser feito em função daquilo que os jogadores nos consigam dar"

Uma carreira atípica

"A minha carreira é um bocado atípica porque eu levo-me pelos instintos. Eu cheguei a treinar o Desp. Aves e o meu trabalho seguinte foi na 2.ª B, com o Leixões. Estava no Swansea, na Premier League, e vim, com todo o respeito, para o Rio Ave. Disseram-me que eu ou era malucou tinha uma auto-confiança muito grande, foi o que os meus amigos me disseram. As minhas minhas decisões têm sido mais pela convicção. E eu só quero ir treinar para onde me querem, onde eu sinta que sou desejado. E foi isso que me levou para o Rio Ave. O mesmo aconteceu agora: quando eu tenho o Sp. Braga, eu não penso se o Sp. Braga está no posição em que está ou se está na 3.ª divisão, não é isso o importante. O importante foi que senti um desejo muito grande do Sp. Braga em contar comigo. Isso para mim é determinante, mais importante que o dinheiro ou o prestígio. Braga sempre foi conotada por ser uma má mãe e uma boa madrasta, mas nós temos neste momento a oportunidade, cidade, o clube, de dizer ao mundo que além de uma boa madrasta, de sabermos receber bem, também somos uma excelente mãe. É um repto que lanço aos adeptos: há um momento em que temos de dizer ao mundo que somos boa mãe e que estamos todos juntos para um objetivo"